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(A) :: Nelson Vassalo alega que levou cocktail molotov para atingir escadaria do Parlamento. Defesa contesta motivação "ideológica"

Nelson Vassalo alega que levou cocktail molotov para atingir escadaria do Parlamento. Defesa contesta motivação "ideológica"

A defesa de Nelson Vassalo entende que o militante do PS, entretanto suspenso, não foi movido por qualquer "conotação ideológica". Objetivo seria atingir escadaria com cocktail molotov, alegou.

Miguel Pinheiro Correia
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Pedro Raínho
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Nelson Vassalo admitiu ao juiz de instrução criminal que levou o cocktail molotov para o local onde decorria a Marcha Pela Vida, junto à Assembleia da República, apurou o Observador junto de fonte conhecedora do processo. No entanto, disse que o objetivo nunca foi atingir quem participava naquele protesto contra o aborto e a eutanásia. O designer garante que só queria lançar o engenho artesanal contra a escadaria do Parlamento.

Em comunicado, a defesa do designer — a cargo do advogado Ricardo Sá Fernandes — fala sobre o caso e acusa o poder judicial de ceder à “enorme pressão mediática” que o caso conquistou nos últimos meses. “Entre a decisão proferida no final de março, que impôs a medida de coação de apresentações periódicas diárias, e a de hoje [quinta-feira], que decretou a prisão preventiva, não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que este caso foi submetido. Quando os tribunais atendem a essa pressão é a justiça que sofre, o que lamento que tenha acontecido.”, lê-se no comunicado enviado às redações por Ricardo Sá Fernandes.

advogado — que já defendeu Carlos Cruz, as famílias das vítimas de Camarate, os pais de Rui Pedro e o ex-ministro Manuel Pinho — tem agora em mãos a defesa do designer gráfico suspeito de “infrações terroristas”. No comunicado, Sá Fernandes promete não “fazer em público a defesa” do seu cliente, “o que será feito no processo, sobretudo no julgamento”.

“Nesta fase, em defesa da sua dignidade, tenho apenas a dizer que a conduta do meu cliente, sendo muito censurável, o que por ele é reconhecido, não tem os contornos que têm sido noticiados, particularmente a conotação ideológica que lhe é atribuída e as intenções concretas com que atuou, sendo falso o que a esse propósito tem sido transmitido”, remata o comunicado.

Nelson Vassalo conheceu esta quinta-feira o resultado da revisão das medidas de coação que lhe tinham sido aplicadas há três semanas. Nesse momento, depois de ter sido detido pela PSP, ficou obrigado a apresentar-se diariamente às autoridades e proibido de se aproximar das imediações do local dos factos. Agora, foi-lhe decretada a medida de coação mais gravosa. A diferença entre as duas decisões levou o advogado a recorrer da decisão, por entender que não há novos dados que justifiquem o contraste.

Segundo a decisão a que o Observador teve acesso, o tribunal entende que, “conforme requerido pelo Ministério Público”, existem fortes indícios de que o designer e antigo professor tenha cometido vários crimes graves relacionados com terrorismo, ainda que na forma tentada — que serão agravados pela posse de arma proibida, pelo crime de incêndio ou explosão e ofensas à integridade física.

A medida mais gravosa de coação também se adequa, segundo o tribunal, por estarem em causa vários riscos concretos, como perigo de fuga (Nelson passou muitos anos em Nova Iorque), obstrução da investigação e a possibilidade de cometer mais crimes.

No dia da manifestação, o engenho — uma garrafa com combustível — embateu no chão, mas não deflagrou nem fez feridos. “Algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável, tendo ficado com a roupa impregnada com uma substância que apresentava forte odor a gasolina”, revelou a PSP, que fez a detenção do suspeito no local.

[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.