Nelson Vassalo admitiu ao juiz de instrução criminal que levou o cocktail molotov para o local onde decorria a Marcha Pela Vida, junto à Assembleia da República, apurou o Observador junto de fonte conhecedora do processo. No entanto, disse que o objetivo nunca foi atingir quem participava naquele protesto contra o aborto e a eutanásia. O designer garante que só queria lançar o engenho artesanal contra a escadaria do Parlamento.
Em comunicado, a defesa do designer — a cargo do advogado Ricardo Sá Fernandes — fala sobre o caso e acusa o poder judicial de ceder à “enorme pressão mediática” que o caso conquistou nos últimos meses. “Entre a decisão proferida no final de março, que impôs a medida de coação de apresentações periódicas diárias, e a de hoje [quinta-feira], que decretou a prisão preventiva, não há nada de relevante e novo, a não ser a enorme pressão mediática a que este caso foi submetido. Quando os tribunais atendem a essa pressão é a justiça que sofre, o que lamento que tenha acontecido.”, lê-se no comunicado enviado às redações por Ricardo Sá Fernandes.
O advogado — que já defendeu Carlos Cruz, as famílias das vítimas de Camarate, os pais de Rui Pedro e o ex-ministro Manuel Pinho — tem agora em mãos a defesa do designer gráfico suspeito de “infrações terroristas”. No comunicado, Sá Fernandes promete não “fazer em público a defesa” do seu cliente, “o que será feito no processo, sobretudo no julgamento”.
“Nesta fase, em defesa da sua dignidade, tenho apenas a dizer que a conduta do meu cliente, sendo muito censurável, o que por ele é reconhecido, não tem os contornos que têm sido noticiados, particularmente a conotação ideológica que lhe é atribuída e as intenções concretas com que atuou, sendo falso o que a esse propósito tem sido transmitido”, remata o comunicado.
Nelson Vassalo conheceu esta quinta-feira o resultado da revisão das medidas de coação que lhe tinham sido aplicadas há três semanas. Nesse momento, depois de ter sido detido pela PSP, ficou obrigado a apresentar-se diariamente às autoridades e proibido de se aproximar das imediações do local dos factos. Agora, foi-lhe decretada a medida de coação mais gravosa. A diferença entre as duas decisões levou o advogado a recorrer da decisão, por entender que não há novos dados que justifiquem o contraste.
Segundo a decisão a que o Observador teve acesso, o tribunal entende que, “conforme requerido pelo Ministério Público”, existem fortes indícios de que o designer e antigo professor tenha cometido vários crimes graves relacionados com terrorismo, ainda que na forma tentada — que serão agravados pela posse de arma proibida, pelo crime de incêndio ou explosão e ofensas à integridade física.
A medida mais gravosa de coação também se adequa, segundo o tribunal, por estarem em causa vários riscos concretos, como perigo de fuga (Nelson passou muitos anos em Nova Iorque), obstrução da investigação e a possibilidade de cometer mais crimes.
No dia da manifestação, o engenho — uma garrafa com combustível — embateu no chão, mas não deflagrou nem fez feridos. “Algumas pessoas foram atingidas pelo líquido inflamável, tendo ficado com a roupa impregnada com uma substância que apresentava forte odor a gasolina”, revelou a PSP, que fez a detenção do suspeito no local.
[Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.
