“Pretendemos defender a segurança de todas as pessoas imigrantes em Portugal, combater o racismo, a xenofobia, a hostilidade religiosa e o crescimento do discurso de ódio. (…) Queremos demonstrar a nossa solidariedade para com as vítimas de todos os ataques de ódio em Portugal”.
As palavras de condenação do extremismo e da violência terminam uma longa carta “contra o racismo e a xenofobia”, que reuniu mais de cinco mil assinaturas. Foi divulgada em janeiro de 2024. E enviada para o então Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, o primeiro-ministro, António Costa, e para José Luís Carneiro, à época ministro da Administração Interna.
A carta juntou mais de 5 mil assinaturas. A 3.776.ª é de “Nelson Vassalo, designer”. É ele o homem de 39 anos que, dois anos depois de se ter associado ao movimento contra a violência, acabaria detido pela PSP, em Lisboa, por ter lançado um cocktail molotov contra os participantes — incluindo crianças — da Marcha pela Vida. Já esta quarta-feira, três semanas e meia depois do ataque, o PS reagia com “surpresa” à informação de que Nelson Vassalo é militante do partido.
O posicionamento político nunca gerou dúvidas a quem se cruzou com ele. É “de esquerda”, apontavam, motivando a associação entre as inclinações políticas e a terra de onde é natural, o Barreiro. Esse posicionamento político acabaria por ser confirmado pelo próprio PS. Em comunicado, o partido revela que “tomou conhecimento, através da comunicação social, de que o indivíduo suspeito de ter arremessado um objeto incendiário na direção de uma manifestação é militante do PS”.
Por já, o partido avançou com uma suspensão preventiva do militante e remeteu a informação à Comissão Nacional de Jurisdição, com “vista à instauração de um processo disciplinar que determine a aplicação da sanção adequada à alegada prática dos factos que lhe são imputados”. Caso os factos se confirmem, acrescenta o PS, “poderá ser aplicada a expulsão de militante” a Nelson Vassalo.
Esta quarta-feira, o homem de 39 anos foi presente a tribunal. A PJ defende um agravamento das medidas de coação, mas a decisão ficou adiada para esta quinta-feira. Em parte, este adiamento ficou a dever-se ao facto de Nelson Vassalo ter decidido prestar declarações ao juiz de instrução do Tribunal Central de Investigação Criminal. Na manhã de quinta-feira a confirmação chegou: o designer fica em prisão preventiva.
Ouvidos pelo Observador, ainda antes de ser revelada a filiação partidária do suspeito do ataque, amigos e antigos colegas disseram desconhecer a ligação partidária. E garantiram que a defesa que o designer fazia das posições políticas nunca passava das palavras. Entre os que o conhecem, a própria notícia da detenção de Nelson Vassalo gerou reações quase unânimes de choque. “Estou super surpreendida. Porque é que ele foi detido?”, questiona, incrédula, uma antiga colega de trabalho.
Há duas respostas para a pergunta: primeiro, foi detido há várias semanas em plena manifestação. Começou por ser intercetado por participantes da Marcha Pela Vida após lançar o cocktail molotov (que nunca chegou a deflagrar) e, logo a seguir, a PSP concretizou a detenção junto ao Parlamento. Na segunda-feira seguinte, conheceu as medidas de coação: saiu em liberdade, mas ficou sujeito a apresentações periódicas às autoridades, indiciado pelo crime de detenção de arma proibida. Além disso, também ficou proibido de “frequentar as imediações da Assembleia da República”.
A segunda resposta à pergunta dos amigos surgiu já esta terça-feira: o designer, muito elogiado pelas suas capacidades técnicas, que chegou a dar aulas na Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e que trabalhou muito tempo em Nova Iorque, foi novamente detido. Mas, agora, pela PJ. Desta vez, as suspeitas eram traduzidas em crimes bem mais graves que o inicial (quando apenas foi enunciado o crime de posse de arma proibida).
“A PJ, através da Unidade Nacional Contraterrorismo, deteve um homem indiciado pela tentativa da prática dos crimes de infrações terroristas, detenção de arma proibida, incêndio, explosão e outras condutas especialmente perigosas e de ofensas à integridade física grave, praticados na tarde do passado dia 21 de março, frente à escadaria da Assembleia da República, em Lisboa.”
Entre o material encontrado pelas autoridades nas buscas que fez à casa de Nelson Vassalo, na manhã de terça-feira, estaria precisamente um cartão de militante do Partido Socialista, avançou o Público. O Observador tentou perceber junto do gabinete de assessoria da direção do PS há quanto tempo tinha sido feita essa inscrição no partido — sem resposta até à publicação do artigo além do comunicado já referido.
Contactada pelo Observador em final de março e, novamente, esta quarta-feira, a Faculdade de Belas-Artes também não esclareceu se Nelson continua ou não a dar aulas na universidade.
Apesar de reconhecerem em Nelson Vassalo uma pessoa de “posições muito fortes” e “muito ativista”, os colegas assumem que nunca esperariam uma ação deste género. Falam num “excelente profissional”, que partilhava quase diariamente manifestações e projetos próprios no Instagram (rede social de onde se retirou, para surpresa dos amigos, desde a primeira detenção). Chegou a criar uma aplicação para identificar casas em mau estado de conservação — e que, alegadamente, poderiam ser usadas para reforçar a capacidade de resposta a um dos grandes problemas de Portugal. A aplicação abrangia, primeiro, a zona de Lisboa e, mais tarde, foi alargada a outros pontos do país.
https://observador.pt/2026/04/15/marcha-pela-vida-autor-de-ataque-com-cocktail-molotov-detido-pela-pj-por-suspeitas-de-terrorismo/
O designer que se “aborrece” e que viveu vários anos em Nova Iorque. “Não estamos a falar de uma pessoa violenta”
O vasto currículo de Nelson Vassalo começou a formar-se quando, em abril de 2010, integrou como webdesigner a equipa do jornal Público. “No meu favorito e renomado jornal português tive a liberdade criativa e o incentivo para fazer ‘design’, codificar e produzir campanhas comerciais e institucionais (…), bem como algum trabalho de impressão para o jornal e o projeto muito gratificante de colaborar no design da aplicação do jornal para iPad”, escreveu o próprio na sua conta de Linkedin.
Ficaria nesse primeiro posto menos de um ano, numa tendência que se foi repetindo nos vários locais de trabalho por onde passou a seguir, sempre na área do design. Só por uma ocasião se manteve no cargo por mais do que dois anos, mas os ex-colegas ouvidos pelo Observador dizem que nunca registaram qualquer incompatibilização com colegas. E atribuem esta rotação por diferentes locais de trabalhos com a necessidade do designer de procurar novos estímulos e desafios profissionais.
Depois de assassinar Carlos Castro, Renato Seabra vai passar 95 dias numa ala psiquiátrica. É lá que diz ter agido como um instrumento de Deus e ser “Jesus Cristo”.

“O Nelson é uma pessoa que vai saltando muito entre projetos. Pela natureza da sua criatividade, acho que se aborrece. Ao fim de algum tempo, o nosso projeto deixou de ser um projeto muito interessante e ele saiu”, recorda um antigo colega. A mudança foi drástica. Nelson voou para Nova Iorque, cidade onde já tinha estado (depois de ter saído do Público) e por onde foi passando várias vezes nos últimos anos. “Mesmo as pessoas que eu sei que trabalharam com ele posteriormente referem sempre essa questão: ele fica aborrecido e procura outra coisa”.
Nos EUA, teve uma primeira experiência como estagiário, durante cinco meses, e ainda passou por Munique até voltar a Portugal, passado pouco mais de um ano.
Entre 2017 e 2023, depois da segunda experiência no país, passou por duas empresas de Nova Iorque até integrar os quadros da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa, como professor adjunto. Contactada pelo Observador, uma colega da universidade, que prefere manter o anonimato, recusa alongar-se em comentários sobre Nelson, que diz conhecer há várias décadas. “Só teria coisas positivas a dizer sobre ele”, explica.
Para ela, tudo não passa de um “mal entendido” lançado nas redes sociais pela “extrema-direita”. “Não estamos a falar de uma pessoa violenta, nem com antecedentes criminais. Estamos a falar de uma pessoa normal. É uma pessoa que tem opinião e, neste momento, é muito perigoso ter-se opinião”, desabafa — mesmo sabendo que a detenção pela PSP pelo ataque com cocktail molotov aconteceu quase em flagrante delito.
A passagem pela faculdade durou apenas um semestre. Dois meses depois de ter abandonado Belas-Artes, voltou a partir para Nova Iorque, onde esteve até dezembro do ano passado. Depois desse período, confirmou o Observador junto de fonte ligada à investigação, regressou a Portugal e estava dedicado a trabalhos como freelancer (que já vinha desenvolvendo, em paralelo com os vários empregos, desde 2014).

“Era um homem de causas… mas daí a ser detido”. Ex-colegas reconhecem ativismo e “posições vincadas”
A julgar pela forma como antigos colegas se referem, de forma unânime, a Nelson Vassalo, um eventual processo de radicalização terá acontecido mais recentemente — ou terá sido gerido com uma tal discrição que nunca foi percebido por aqueles com quem convivia. “Sempre o vi como um excelente profissional e uma excelente pessoa”, reitera um deles, assegurando que, “enquanto profissional, foi dos melhores ou um dos melhores” com que alguma vez contactou. “Altamente conhecedor do que estava a fazer, graficamente avançado, capaz de entregar coisas muito acima da expectativa. Foi uma pena quando ele saiu”, recorda um antigo superior.
Se a primeira colega é mais contida a falar da vida pessoal do designer (por não ter convivido tanto com ele fora do trabalho) — “era um homem de causas… mas daí a ser detido” — o antigo superior hierárquico não tem dúvidas quanto às posições políticas de Nelson, que também nunca escondeu.
Era uma pessoa que “protestava muito” e manifestava sempre as suas “posições muito vincadas, quer em conversas quer em manifestações”. “Tinha essa posição vincada, mas era uma pessoa civilizada, não passava” de uma discussão verbal, garante. “Foi sempre profissional, afável, cumpridor, respeitador de toda a gente, bom colega. Tinha as suas posições, mas posições perfeitamente normais. Nada disso impedia o seu desempenho profissional, não era uma pessoa desagradável”.
O mesmo colega reitera que, de todas as pessoas que conhece que trabalharam com ele antes e depois de os dois se terem cruzado, nunca ouviu comentários negativos a propósito de Nelson. “Toda a gente o adora enquanto profissional, esta surpresa é um choque”, acrescenta.
Essa faceta mais radical — e violenta — já tinha lhe sido referida quando, há algumas semanas, começou a circular a cara do designer nas redes sociais.
“Um ex-colega nosso, que também trabalhou com ele, mandou-me um print de uma publicação. A minha primeira reação foi achar que eram fake news. Nada daquilo parecia legítimo e estranhei, achei tudo muito estranho”. Assim que surgiu a notícia da detenção de um homem no final dos protestos, a cara de Nelson começou a ser partilhada nas redes sociais, incluindo pela deputada do Chega Rita Matias.
Depois de ter visto a publicação, o antigo colega do designer foi-se convencendo de que era tudo um mal-entendido — “deixei de ver notícias sobre isso, achei que não era ele… ou esperei que não fosse”. As dúvidas adensaram-se com o silêncio do designer nas redes sociais, sobretudo no Instagram, onde partilhava conteúdos quase diariamente. “Estranhei o silêncio dele online. Ele publica muita coisa e de repente estava em silêncio. Acompanho-o mais no Instagram, onde ele publicava quase todos os dias algum protesto ou alguma coisa que estava a fazer. Mas de repente ficou em silêncio. Achei um bocado estranho, mas não investiguei mais”.
Ao Observador, fonte ligada à investigação confirmou que o designer apagou todo o conteúdo que tinha publicado no X (antigo Twitter), logo após ser libertado da primeira detenção de que foi alvo pela PSP. A conta de Nelson Vassalo está, neste momento, inativa — apesar de ser possível recuperar as interações (não o conteúdo) que manteve nessa rede social.
Uma dessas interações foi com Pedro Costa, filho do antigo primeiro-ministro socialista. Ao Observador, o atual membro do Secretariado Nacional do PS com a pasta da Habitação diz ter-se cruzado com Nelson V. até em eventos promovidos pelo gabinete de estudos. “Sou coordenador e ele apareceu muitas vezes a discutir o tema da habitação”, refere. Pedro Costa diz, no entanto, que “há muito tempo” não via o designer nesses encontros. “Nem sabia bem se ele era militante”, conclui.

“Ganho acima da média”. Ainda assim, não conseguia arrendar casa e criou aplicação
Em 2022, Nelson assumiu em entrevista ao Público, numa reportagem sobre a dificuldade em encontrar uma casa para viver, que já tinha mudado 35 vezes de habitação, a maior parte delas ainda durante a infância, passada na Margem Sul. “Eu e a minha namorada andamos sempre com a casa às costas. Os contratos são curtos e, quando acabam, os senhorios querem duplicar a renda. Somos empurrados na cidade para fugir aos sítios que vão ganhando interesse especulativo”, desabafou.
“Depois da crise de 2008 pensei que as coisas fossem melhorar. Mas veio a pandemia, a precariedade no mercado de trabalho, o aumento das rendas, a inflação dos preços, as dificuldades em arranjar crédito. (…) Não é possível para a nossa geração construir um futuro nestas condições”.
Três anos mais tarde, Nelson voltaria a falar sobre as mesmas dificuldades, desta vez à CNN. “Vivi muitos anos no estrangeiro. Arrendar era uma solução de segurança, uma alternativa financeiramente razoável. Nunca paguei mais do que 25% do meu salário em renda. Em Portugal, arrisco-me a pagar 50 ou 60%. (…) Até consigo pagar a renda, mas é a imprevisibilidade. Quero ter uma família e não posso estar refém deste mercado”.
Com a experiência de viver fora de Portugal, e mesmo assumindo um vencimento “acima da média”, Nelson decidiu colocar os seus conhecimentos em prática para criar a aplicação “Devolutos” — uma plataforma que serviria para identificar casas ou prédios vazios. “Um dos principais focos são os [edifícios] devolutos. Não é exequível ter centros de cidades vazios. Estamos a promover outra vez a construção massiva, como aconteceu nos anos 1970 e 80, para cada vez mais longe dos centros. Achamos isso uma política urbanística irresponsável e com graves consequências sociais”, disse numa segunda entrevista ao Público, partilhada em junho de 2025.
A aplicação causaria polémica, provocando uma reação da Associação Nacional de Proprietários, que ameaçou avançar com uma queixa em tribunal caso a plataforma não fosse apagada. Ao mesmo jornal, António Frias Marques, presidente da ANP, recordou que fotografar propriedades particulares era um crime. “É uma delação, não sei para quem, porque a PIDE já acabou há 51 anos”.
Nelson Vassalo admitiria a surpresa com a acusação, lembrando que a iniciativa parte de uma “demonstração visível de um problema que toda a gente vê na rua”. “Não invadimos propriedades. Não identificamos proprietários. Não usamos dados pessoais. Só mostramos o que está na rua à vista de todos”, escreveu o grupo Devolutos, num comunicado citado pelo Público.
PS assume surpresa com militância de suspeito e admite “expulsão”
Antes de ser detido, o professor universitário teria participado numa manifestação pelo direito à habitação que decorreu no mesmo dia, tendo-se dirigido de seguida até junto do cortejo de participantes na Marcha Pela Vida, que terminou em frente ao Parlamento.
Essa manifestação estaria já no fim quando a multidão, que convivia perto da escadaria da Assembleia da República, foi alertada pelo som de uma garrafa de vidro a cair no chão. A tentativa de ataque não provocou vítimas, mas lançou algum pânico junto das cerca de 500 pessoas que ainda ali se encontravam.
Antes de a PSP confirmar que se tratava de um coktail molotov artesanal, já as dúvidas tinham sido dissipadas pelos manifestantes que notavam um forte cheiro a gasolina. Por algum motivo, o engenho incendiário não deflagrou, o que evitou ferimentos entre os manifestantes. Alguns garantem que o homem que atirou a garrafa também regou pessoas com combustível, mas a polícia não confirmou essa versão.
Antes de os agentes entrarem em ação, Nelson Vassalo terá sido intercetado por quem estava no local. Porém, não estaria sozinho. Enquanto era detido, os outros membros do “grupo alegadamente de conotação anarquista”, segundo a PSP, fugiram do local. Três deles foram apanhados pela polícia já longe do Parlamento e identificados.
Depois de terem sido conhecidas as primeiras medidas de coação, a PJ assumiu a investigação e acabou por deter, novamente, o designer. “O detido será presente hoje [quarta-feira] no Tribunal Central de Instrução Criminal de Lisboa para novo interrogatório judicial tendo em vista a aplicação de adequadas medidas de coação”, revelou a PJ em comunicado. Desta vez, a medida de coação pode ser mais grave.
https://observador.pt/2026/03/23/marcha-pela-vida-homem-detido-por-tentar-atacar-com-cocktail-molotov-fica-em-liberdade-sujeito-a-apresentacoes-diarias/
A investigação prossegue e a PJ continua a averiguar a possibilidade de Nelson ter atuado em grupo, procurando mais suspeitos envolvidos no ataque em frente ao Parlamento.
As reações dos partidos políticos nas redes sociais começaram a surgir assim que foi conhecido o episódio. Se o PS reagiu assim que foi conhecido o ataque, em final de março, o partido viu-se obrigado a reagir novamente assim que foi revelado, pelo Público, que Nelson seria militante do partido.
“O Partido Socialista tomou conhecimento, através da comunicação social, que o indivíduo suspeito de ter arremessado um objeto incendiário na direção de uma manifestação é militante do PS. Na sequência dessa informação, que nos surpreendeu, o secretário-geral do PS decidiu remeter de imediato para a Comissão Nacional de Jurisdição esta informação, com vista à instauração de um processo disciplinar que determine a aplicação da sanção adequada à alegada prática dos factos que lhe são imputados”, explicou o partido.
“A confirmarem-se os factos poderá ser aplicada a expulsão de militante” que, para já, foi suspenso de forma preventiva. “O PS não pactua com nenhum tipo de violência e considera absolutamente intolerável qualquer ato que possa consubstanciar um comportamento desse tipo”, reiteraram.
Mas os socialistas não foram os únicos a reagir logo após o ataque de 21 de março. “No sábado passado, um homem arremessou uma garrafa incendiária contra pessoas que se estavam a manifestar pacificamente. Esta ação violenta, da qual felizmente não resultaram feridos, só pode merecer a mais veemente condenação”, escreveu o bloquista Fabian Figueiredo nas redes sociais, dois dias depois do sucedido. Pouco depois, José Manuel Pureza, coordenador do partido, também condenou o que classificou como um “ato inaceitável”.
Mais rápida foi a reação de CDS, IL, PSD e Chega. Através de Mariana Leitão, os liberais condenaram um ato que poderia ter resultado numa “enorme tragédia”. “Deixem-me ser muito clara: é absolutamente condenável e inaceitável qualquer tipo de violência exercida sobre pessoas que estão apenas a expressar a sua opinião política, seja ela qual for, concordemos com ela ou não. Pessoas que se manifestam pacificamente não podem ver a sua integridade física ameaçada em momento algum. Não só coloca vidas em risco, como contribui para a radicalização, para o reforço dos extremos, não tendo qualquer lugar numa sociedade democrática”, disse.
O CDS reagiu através de uma extensa carta assinada pelos deputados João Almeida e Paulo Núncio. O grupo parlamentar do partido cristão assinalou que este “ataque extremista a famílias, crianças e bebés inocentes revela um ódio e um radicalismo político intolerável num Estado de Direito Democrático”. “Qualquer ato de violência política contra inocentes tem de ser veementemente condenado, venha de onde e de quem vier. Ainda para mais, quando o objetivo deste ato criminoso era vitimar famílias, crianças e bebés inocentes. Este ataque podia ter sido verdadeiramente trágico, com vários mortos e feridos a lamentar, e exige por isso, da sociedade e das instituições democráticas portuguesas, o mais absoluto repúdio”, remata o partido numa nota em que pedem a condenação, por parte do Parlamento, do que aconteceu, além da saudação da “intervenção rápida” dos polícias e da população no local.
Tal como o CDS, também o Chega reagiu com um apelo. O partido pediu ao Governo para promover, junto da União Europeia e da ONU, a classificação do movimento antifa como organização terrorista — à semelhança do que acontece nos EUA. O Chega entende que este grupo antifascista se insere numa “rede internacional descentralizada de grupos de matriz ideológica radical, com presença em diversos países, incluindo Portugal”, associado à prática de “violência, intimidação e destruição de propriedade, bem como a ações organizadas que colocam em causa a estabilidade institucional”.
O PSD, contudo, foi mais longe e traduziu a sua reação num pedido para chamar o novo ministro da Administração Interna ao Parlamento. “Este incidente deve exigir de nós uma reflexão profunda. A radicalização do debate político perante o extremismo que prolifera no espaço público constituem um ataque à nossa democracia”, refere a nota partidária. Por isso, o grupo parlamentar entende que é “urgente” defender a democracia e, por isso, vão chamar de urgência Luís Neves à Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias. Na mesma nota, elogiaram a resposta pronta do antigo diretor da PJ.
“Não toleramos qualquer forma de extremismo violento e continuaremos a agir com firmeza para o prevenir e combater, garantindo a segurança e a defesa dos valores democráticos. A pronta intervenção da PSP merece claro reconhecimento, evidenciando a eficácia e o profissionalismo na proteção dos cidadãos”, disse o ministro no dia seguinte ao ataque, depois da PSP ter comunicado a detenção.
Através de uma curta nota nas redes sociais, o ministro da Administração Interna manifestou a intolerância face a “qualquer forma de extremismo violento”. “Continuaremos a agir com firmeza para prevenir e combater [o extremismo], garantido a segurança e a defesa dos valores democráticos. A pronta intervenção da PSP merece claro reconhecimento, evidenciando a eficácia e o profissionalismo na proteção dos cidadãos”, escreveu Luís Neves.
Texto atualizado às 11h20 desta quinta-feira com informação das medidas de coação aplicadas a Nelson Vassalo