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Fraude bancária: um fenómeno que revela as nossas fragilidades coletivas

O combate à fraude bancária não é apenas uma questão de vigilância, mas de sociedade.

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Num momento em que as fraudes bancárias continuam a aumentar em Portugal, há uma certeza que se impõe: ninguém está imune. Nem os mais atentos, nem os mais informados, bastando um momento de distração. Tudo parece óbvio, até acontecer connosco.

Um filho censura a ingenuidade da mãe, vítima de uma mensagem de phishing e que “perdeu” inadvertidamente 200€ ao comprar um programa informático de proteção contra vírus a uma entidade fraudulenta. Para ele, era óbvio, quase caricatural. Como é que ela pôde “cair no golpe”?

Dias depois, é ele próprio que “perde” 200€ numa burla bem conhecida, ao pagar uma aparente dívida de eletricidade cujo pagamento lhe fora solicitado por mensagem recebida no seu telemóvel, mas que, na verdade, não era do seu fornecedor de eletricidade. A incompreensão é total.

Este tipo de incidentes expõe uma realidade que Portugal já não pode ignorar: a fraude financeira não é um problema isolado, mas um fenómeno social.

Os números confirmam essa tendência. Só o phishing – método que consiste na obtenção indevida de dados confidenciais através de mensagens ou emails enviados por alguém que se faz passar por uma entidade de confiança (como um banco) – cresceu 50% entre 2023 e 2024. Ninguém está a salvo, como o demonstra a Nota Informativa de 2024, do Gabinete de Cibercrime da PGR, da qual resulta ainda que, em 2024, as denúncias por cibercrimes aumentaram no total 36,25%.

As perdas resultantes de fraudes com cartões e transferências atingiram 8,9 milhões de euros só no primeiro semestre de 2024, de acordo com o  Relatório dos Sistemas de Pagamentos de 2024, do Banco de Portugal. Este aumento constante e massificado da fraude bancária tem levado a sucessivas operações policiais de combate ao cibercrime, uma vez que os criminosos se estão a adaptar e procuram fazer-se passar por autoridades públicas ou bancárias na tentativa de explorar aquilo que todos partilhamos: um momento de distração. É por isso essencial, para reduzir o risco de fraude, verificar sempre previamente a origem das mensagens antes de clicar nelas ou de se dirigir a um multibanco para efetuar um pagamento. De igual modo, nunca se deve partilhar códigos bancários e aconselha-se que a autenticidade de um interlocutor bancário seja previamente confirmada junto do Banco de Portugal. No que toca à internet, é também essencial adotar boas práticas como a utilização  de palavras-passe robustas ou utilizar cartões virtuais para pagamentos.

Seja como for, em caso de fraude, é crucial atuar de imediato: contactar o banco para bloquear o cartão bancário, alterar palavras-passe comprometidas e apresentar queixa às autoridades. Quanto mais rápida for a reação, maiores são as hipóteses de limitar perdas e obter reembolso.

O combate à fraude bancária não é apenas uma questão de vigilância, mas de sociedade. É neste contexto que a NOVA School of Law – Faculdade de Direito, no âmbito da campanha de literacia financeira “Mude a Sua História”, se aliou à SIBS para sensibilizar a população para a fraude bancária, através da exibição de um vídeo nas caixas Multibanco, de norte a sul do país. Num cenário em que a fraude é cada vez mais sofisticada e em que afeta cada vez mais pessoas, o objetivo é simples: disponibilizar informação de forma clara e acessível sobre um problema que hoje atinge indistintamente todas as gerações e contextos sociais, permitindo que as pessoas se protejam de forma mais eficaz.