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Fawzia al-Otaibi, ativista. "As mulheres sauditas enfrentam mais violência do que as iranianas"

A luta pelos direitos das mulheres destruiu a família Al-Otaibi. Fawzia conta em entrevista ao Observador como duas irmãs são alvo do regime saudita, que "mostra ao mundo uma imagem que não existe".

Manuel Nobre Monteiro
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João Porfírio
photography

Em Edimburgo, Fawzia al-Otaibi vive o sonho da sua irmã. Foi na capital escocesa que Manahel, detida em 2022 pelas autoridades da Arábia Saudita, sempre sonhou viver. Era como um refúgio ideal, onde se imaginava no futuro, longe das restrições de Riade. No país do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, para lá de um discurso de modernização e progresso, o sistema político e judicial continua a ser baseado numa interpretação rigorosa da Lei Islâmica e limita fortemente a liberdade de expressão, associação e protesto.

O envolvimento de Fawzia em causas de direitos humanos no país ganhou dimensão em 2016, quando, juntamente com as suas irmãs Mariam e Manahel lançou a campanha online #IAmMyOwnGuardian (sou a minha própria guardiã, em português), focada na abolição do sistema de tutela masculina. Este ativismo, considerado “ato de terrorismo” pelo Governo saudita, resultou numa vigilância apertada por parte das autoridades.

Fawzia enfrenta acusações de “terrorismo” na Arábia Saudita, mas conseguiu fugir para a Europa antes de ser detida. A partir do exílio, tem centrado o seu ativismo na denúncia do caso da irmã Manahel, condenada a 11 anos de prisão e sujeita a maus-tratos devido a publicações nas redes sociais em defesa dos direitos das mulheres e à divulgação de fotografias onde não utilizava a abaya (túnica tradicional) num centro comercial. A irmã mais velha, Mariam, também foi detida em 2017. Depois de ser libertada, as autoridades sauditas proibiram-na de sair do país.

O caso enquadra-se num contexto de agravamento da repressão na Arábia Saudita, onde em 2024 se registou um recorde de 345 execuções. Simultaneamente, um esboço de um novo Código Penal revela a intenção de codificar práticas como a criminalização da liberdade de expressão, a manutenção de castigos corporais e a aplicação da pena de morte para crimes não violentos.

Enquanto Mariam continua proibida de sair de Riade e Manahel cumpre a pena de prisão, Fawzia utiliza a sua liberdade no estrangeiro para tentar manter o caso sob escrutínio internacional. Em entrevista ao Observador, num dos seis dias de visita a Portugal, contou como passou de uma multa por “indecência” a ser alvo de perseguição das autoridades sauditas, descrevendo as tentativas de coação para espiar ativistas no país. Aborda o caso da irmã Manahel e denuncia a pressão exercida sobre a família. Deixa também críticas à comunidade internacional, que considera ser tolerante face à situação, e diz que é “impossível” regressar em segurança à Arábia Saudita.

Multa, armadilha e fuga. O início da perseguição

Em 2019 foi multada por “indecência pública” após publicar vídeos nas redes sociais a dançar durante um concerto. Mudou-se para o Dubai, mas em setembro de 2022 visitou a Arábia Saudita. Nessa viagem, a sua vida mudou após uma chamada de um polícia para ir à esquadra. O que sentiu quando percebeu que aquele convite para ir à esquadra era, na verdade, uma armadilha?
Realmente fui multada. Estava num concerto e fui seguida pela polícia. Por isso, fui para o Dubai. Estava, sem dúvida, endividada e a multa era de 1.000 riais sauditas [cerca de 226 euros]. Após pagar, vi que a minha irmã estava proibida de sair do país. Depois disso, voltei à Arábia Saudita porque fui aliciada. Fui chamada pela polícia apesar de ter sido avisada pela minha irmã Mariam para não voltar, porque poderia ser presa. Não acreditei e quis ver isso com os meus olhos. Efetivamente, fui chamada pelas autoridades da Arábia Saudita e houve uma investigação longa e com todo o tipo de ameaças, incluindo de morte. Chorei durante seis horas e depois chamaram-me e disseram: “Não tens nada, mas precisamos de ti para conseguirmos espiar as ativistas e conseguires trazer informações”. Senti que foi um momento muito perigoso para a minha vida e acabei por trair [as autoridades sauditas].

E voltou para o Dubai?
Regressei ao Dubai e voltei a receber um pedido deste género. Mas desta vez foi um pedido do Ministério da Informação (Imprensa). Pediram-me para trabalhar como ativista, mas com uma licença. Como [ter uma licença] era um assunto que me interessava, fui para a Arábia. Quando fui buscar a licença, vi o mesmo agente que me tinha multado. Queriam levar-me para investigação. Fugi logo para o Bahrain e mandei um advogado para representação legal. Foi aí que a minha irmã Manahel foi presa, algemada. O polícia gritou com a advogada a questionar o porquê de eu ter fugido e emitiu uma declaração que me proibia de viajar para fora do país. Mas eu na altura já estava no Bahrain. Perante esta situação, decidi ir para outro país.

Mudou-se para o Reino Unido. Escolheu viver em Edimburgo, na Escócia, porque, segundo uma entrevista que deu, era o sonho da sua irmã Manahel. Como é viver o sonho de uma irmã que foi detida pelas autoridades sauditas e está neste momento desaparecida do sistema prisional saudita?
Não escolhi Edimburgo apenas por causa da Manahel, mas porque foi uma mudança forçada. O Reino Unido é um dos únicos países para os quais os sauditas conseguem viajar sem visto. Quando fui para Inglaterra, não gostei. Foi como uma aterragem de emergência e depois fui para Edimburgo.

“A minha irmã mais velha foi presa mais de três vezes. A minha irmã Manahel está na prisão a ser torturada. Há um mandado de detenção contra mim”.
Fawzia al-Otaibi

Manahel foi condenada a 11 anos de prisão devido ao alegado uso de roupa indecente nas ruas e por apoiar o direito das mulheres nas redes sociais. O Governo da Arábia Saudita considera estes comportamentos como “terrorismo”. O que é que a sua irmã estava a tentar fazer? Mudar a mentalidade de um povo?
Fomos das primeiras a lançar a campanha para que as mulheres conseguissem falar, com voz ativa e alta, sobre os direitos. A Manahel não foi só condenada por ter saído à rua sem abaya [túnica larga que cobre a mulher da cabeça aos pés]. Reuniram tudo o que puderam para nos condenar a 11 anos de prisão. Há anos que temos vindo a sensibilizar as pessoas no X [antigo Twitter], liderando uma campanha que ajudou mulheres e homens a reivindicar os direitos das mulheres. Espalhou-se, até mesmo nos países do Golfo e em todo o mundo, com pessoas a falar sobre o sistema contra o qual lutamos.

O que é que as autoridades reuniram contra Manahel? Estamos a falar de que tipo de acusações?
São várias. Para além da acusação do uso de roupa “indecente”, as autoridades falaram dos direitos das mulheres como uma forma de terrorismo para conseguirem trocar as ideias, passando a ideia de que estávamos contra a tradição do regime da Arábia Saudita. Daí uma das provas serem algumas fotografias pessoais publicadas no Snapchat. E eu e a minha irmã temos as mesmas acusações.

A prisão da irmã Manahel e a “Arábia Saudita diferente” de Mohammed bin Salman

Manahel sofre de esclerose múltipla, uma condição que se desenvolveu após a detenção de 104 dias da vossa irmã mais velha, a Mariam. Que informações tem sobre os maus-tratos que Manahel sofreu na prisão?
Manahel foi um objeto para ser torturado na prisão da Arábia Saudita durante bastante tempo, até ser forçada a desaparecer. Ela foi mantida na prisão e um dos problemas que posso destacar é que partiu uma perna. Depois de falar com ela, explicou-me que qualquer coisa que eu fizesse iria ter um grande impacto nela dentro da prisão. Mas continuei a pressionar. A Amnistia Internacional chegou mesmo a fazer um protesto e, como consequência disso, a minha irmã foi esfaqueada na cara. Deixaram-na ligar para nós para nos dizer :“Isto foi o resultado do vosso trabalho”. Continuei a falar e deixaram-na sem cuidados médicos. Não trataram o problema da perna e deixaram-na sozinha. Realmente recuperou de uma forma errada e o osso não está bem ligado. Sempre que falamos com ela, pede-nos ajuda médica para ver esta situação. Mas até ao momento não conseguimos fazer nada.

Mas a última vez que Manahel contactou com a família não tinha sido em dezembro de 2024?
Após dezembro de 2024, altura em que tínhamos falado pela última vez com a minha irmã, houve uma atualização enorme após a pressão internacional que se fez. Houve autorização para chamadas telefónicas, mas antes de cada chamada dão-lhe medicamentos para que ela esteja muito cansada para falar.

Quando foi a última vez que falou com a sua irmã?
Na semana passada. Todas as semanas falamos com ela, mas diz-nos sempre que está muito cansada e que não consegue conversar. Não sabemos se lhe dão estupefacientes ou sedativos, mas quando fala connosco diz sempre: “Estou cansada, preciso de cuidados médicos, não consigo falar”. Ela repete isto durante todas as chamadas.

Onde é que ela está neste momento?
Na prisão do Malaz, em Riade.

Podemos lembrar-nos, por exemplo, de Mahsa Amini, que morreu em setembro de 2022 após ser detida pela polícia da moralidade iraniana por supostamente não usar o seu hijab de forma adequada. Esta violência é um problema da Arábia Saudita ou dos países árabes em geral?
Na Arábia, o príncipe herdeiro fala sempre que existem direitos das mulheres e que cada mulher tem o seu direito. Mas é só para mostrar ao mundo. O Reino da Arábia Saudita tem um dos regimes mais difíceis. É um regime que alcança e atinge as mulheres a partir das suas casas, mesmo que não façam qualquer protesto.
Na Arábia Saudita, a situação é diferente [do Irão], porque os currículos escolares passaram a exigir o uso da abaya. Mas ninguém diz “está aqui a situação da mulher saudita” com o mesmo destaque que houve com as mulheres no Irão. O foco, principalmente nos países ocidentais, está nas mulheres iranianas que participam em manifestações, algo que nenhuma mulher saudita sonharia fazer. As mulheres sauditas enfrentam muito mais violência.

“Mohammed Salman escolhe com quem se deve relacionar e usa as mulheres para os interesses dele. Escolhe com quem fala e com quem não fala. É como uma peça de teatro onde entram atores”.
Fawzia al-Otaibi

Mohammed bin Salman diz ser o líder da modernidade, mas será que existe uma mudança ou é uma tentativa de mostrar uma imagem de progresso que não existe?
Fala-se nos meios de comunicação europeus que Mohammed Salman está a fazer mudanças e realmente elas estão a existir. Porém, nós somos um alvo para o príncipe herdeiro. A nossa família foi destruída. O regime diz ao mundo para não acreditar no que nós dizemos, que são tudo coisas falsas. Os meus irmãos e eu nunca fomos presos antes de Mohammed bin Salman [estar no poder]. Agora já fomos sujeitos a todo o tipo de prisões. A minha irmã mais velha foi presa mais de três vezes. A minha irmã Manahel está na prisão a ser torturada. Há um mandado de detenção contra mim. Com Mohammed bin Salman, a situação é pior e surreal.

Qual a sua posição em relação ao príncipe herdeiro?
Julgo que está a tentar passar uma imagem limpa da Arábia Saudita e não quer nenhuma mulher a embaraçá-lo. Quer mostrar que a Arábia Saudita está diferente. Mas na verdade, Mohammed Salman escolhe com quem se deve relacionar e usa as mulheres para os interesses dele. Escolhe com quem fala e com quem não fala. É como uma peça de teatro onde entram atores.

Um pai aliciado para matar as filhas e um irmão que agride uma irmã

Numa das entrevistas que fez, disse que o Governo saudita “destruiu a sua família por causa de alguns tweets“. De que forma a perseguição às três afetou a estrutura familiar? A vossa família está segura neste momento?
A família não está pior do que estava há anos. O meu pai, por exemplo, foi aliciado várias vezes para nos matar e tentar calar-nos sobre este assunto, tendo sido chamado para várias investigações. Não consigo dizer que estão numa posição 100% segura, mas consigo dizer que estão a viver bem.

A relação com o vosso irmão passou por um desafio. A Fawzia conta que ele chegou a bater na sua irmã. O que aconteceu?
Quando fizemos a campanha em 2019, houve uma grande reação por parte do povo. No entanto, também houve uma resposta do Governo, que afirmou que as mulheres envolvidas não eram sauditas, mas sim mulheres do Ocidente que apenas queriam expor o regime e as leis da Arábia Saudita. O Governo disse ainda que, como as contas utilizadas inicialmente tinham nomes anónimos, se essas mulheres fossem realmente sauditas deviam mostrar-se ao mundo tal como são e utilizar os seus nomes reais. A minha irmã Mariam usou o nome verdadeiro depois disso e foi logo chamada para investigação. Durante a investigação, o agente da polícia pediu que estivesse presente um “guardião masculino”, afirmando que não podia ficar sozinho com as mulheres. Quando o meu irmão mais novo apareceu, o agente disse-lhe: “Isto não é um homem. Se fosse, não teria permitido que estas mulheres fizessem estas coisas nem que chegassem até à esquadra”. Depois disso, o meu irmão acabou por ganhar coragem e agrediu a minha irmã.

“Chegaram a sugerir que o meu pai falasse com o meu irmão para nos matar, prometendo que, se isso acontecesse, ele seria libertado, não enfrentaria qualquer pena e o caso seria tratado como uma questão familiar, sem implicações graves”.
Fawzia al-Otaibi

E o que fez a sua irmã depois da agressão?
A minha irmã apresentou uma queixa contra o meu irmão na Arábia Saudita. As autoridades chegaram a contactar o meu pai, pressionando-o para que a família deixasse de falar sobre a situação. A pressão por parte da polícia continuou. Inicialmente, a minha irmã pensou que isso se limitava apenas à zona onde estava. E, por isso, decidiu mudar-se para outra região do país. Infelizmente, ao chegar ao novo local, a situação repetiu-se. As autoridades já tinham conhecimento da sua detenção anterior. Acabou por ser detida por cerca de quatro meses. Depois, decidiram libertá-la e o caso foi tratado como uma questão familiar após a intervenção internacional e da Amnistia.
As autoridades começaram a usar outros métodos, através de várias chamadas ao meu pai. Nessas chamadas pediam a sua cooperação. Chegaram mesmo a sugerir que o meu pai falasse com o meu irmão para nos matar, prometendo que, se isso acontecesse, ele seria libertado, não enfrentaria qualquer pena e o caso seria tratado como uma questão familiar, sem implicações graves. Depois disso, houve ainda várias tentativas para nos deter, mas sem sucesso. As autoridades pararam, embora tenham imposto uma proibição de saída do país à minha irmã mais velha. Eu própria também tenho um pedido de detenção e uma proibição de viajar.

E onde está a Mariam agora? Também fugiu do país como a Fawzia?
A Mariam está na Arábia Saudita.

Que relação têm com o vosso irmão neste momento?
Não tenho qualquer relação com o meu irmão. Depois de ter agredido a minha irmã, a família cortou relações com ele. Quando ele foi à polícia, disseram-lhe que não tinham nada a ver com a situação e que se tratava apenas de um assunto entre nós.

O apelo internacional. “Repressão nunca vai acabar e o mundo está a fechar os olhos”

A Amnistia Internacional analisou o esboço do primeiro código penal da Arábia Saudita que está a ser escrito e chamou-lhe um “manifesto para a repressão“. Qual a sua visão sobre este documento? Protege de alguma forma as mulheres?
Não existe qualquer proteção para o sexo feminino. O que está a ser praticado é uma lei repressiva. A agressão existe desde há muito tempo e não sabemos agora em que direção é que o regime tenciona virar [com este código]. Mas a pior parte é que promovem a mudança e as mulheres acreditam nisso. São oprimidas mesmo sem perceber.

Mas considera que algo vai mudar?
Não, porque a Arábia Saudita segue um sistema em que escolhe quem ocupa cargos no Governo e toda a população vive sob opressão. Portanto, não há qualquer proteção para as mulheres. A repressão nunca vai acabar, nunca vai acabar. Embora o regime da Arábia Saudita tente e tentará sempre limpar e melhorar a sua imagem para o mundo.

“A repressão nunca vai acabar, nunca vai acabar. Espero que os países europeus não fechem os olhos e não ignorem esta situação, que é tão importante”.
Fawzia al-Otaibi

Em Portugal, a embaixada saudita recusou receber assinaturas pela libertação de Manahel e a polícia impediu os representantes da Amnistia de entrarem no edifício. Que mensagem isto deixa para os países europeus que mantêm relações com a Arábia Saudita?
Espero que os países europeus não fechem os olhos e não ignorem esta situação, que é tão importante. Especialmente depois do anúncio recente da Arábia Saudita, a dizer que as mulheres não têm qualquer valor ou importância. Espero que não ignorem a opressão das mulheres sauditas por causa do petróleo e dos seus interesses na Arábia Saudita.

O mundo está a tolerar os comportamentos do Governo saudita? Recordo-me de Jamal Khashoggi, o jornalista que em 2018 foi morto dentro da embaixada da Arábia Saudita na Turquia por agentes ligados ao príncipe herdeiro. Os Estados Unidos, por exemplo, condenaram oficialmente o assassinato e reconheceram a responsabilidade do Governo saudita no caso, mas evitaram penalizar diretamente o líder do país.
A Arábia Saudita está a tentar limpar a imagem e o mundo está a fechar os olhos, a ser tolerante, e não estão a conseguir compreender que a mulher saudita não tem direitos, não se consegue defender com liberdade. Só tem direito a criar uma conta no Twitter [atual X] e a escrever umas frases. A mulher não consegue ir à rua para fazer qualquer protesto.

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Os países preferem preocupar-se mais com o dinheiro do que com o direito das mulheres?
Sim, mas não só. O mundo, por exemplo, está a ajudar no ataque contra o Irão por motivos financeiros. Mas a situação na Arábia Saudita ainda é pior. Se uma mulher sair à rua para protestar, vai ser morta. O mundo deve chamar a atenção para esta questão e deve reformular as suas relações com a Arábia Saudita.

O que espera obter da visita a Portugal? Está a fazer campanha na Europa para que haja reação internacional do caso?
Espero algo importante. Os meios de comunicação aqui são muito fortes e têm uma voz forte na Europa. Espero que esta campanha ajude a situação da minha família e que a minha irmã seja libertada antes de cumprir o tempo total da condenação. Pode ser também uma forma muito importante de melhorar a vida das mulheres na Arábia Saudita.

Espera alguma vez voltar a viver em paz na Arábia Saudita?
Impossível.