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100 euros que podem valer um milhão: obra de Picasso está a ser sorteada

Organizadores da iniciativa “1 Picasso por 100 euros” disponibilizaram 120.000 rifas, esperando angariar 12 milhões de euros para uma fundação de investigação da doença de Alzheimer.

Marta Ramos
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Tête de femme (1941), uma pintura em guache de Picasso, avaliada em mais de um milhão de euros, está ser sorteada por apenas 100 euros em nome da Fondation Alzheimer, uma instituição de solidariedade social francesa e uma das principais financiadoras (não-governamentais) para a investigação sobre esta doença, avança a National Public Radio (NPR).

Os organizadores da iniciativa intitulada de “1 Picasso, por 100 euros” disponibilizaram 120.000 rifas, o que significa, se todas forem vendidas poderão ser angariados 12 milhões de euros. Destes, um milhão de euros será destinado à Opera Gallery – galeria de arte proprietária da pintura. Os restantes reverterão a favor da fundação.

O quadro estará em exibição na casa de leilões Christie’s, em Paris, a partir desta segunda-feira até terça-feira, onde o sorteio final terá lugar às 18h00 (17h00 em Lisboa), lê-se no website oficial da iniciativa.

O neto de Picasso, Olivier Widmaier Picasso, garante que o avô teria ficado satisfeito com a iniciativa: “Era um homem muito generoso. Era muito discreto, mas adorava ajudar os irmãos, a família e os amigos, e também pessoas necessitadas. Para mim, atuar como parceiro na promoção é continuar o seu caminho, continuar a sua generosidade”, cita-o a NPR.

O sorteio foi lançado pela apresentadora de televisão francesa Péri Cochin, que já realizou duas edições anteriores, que angariaram mais de 10 milhões de euros para trabalhos culturais no Líbano e para programas de água e higiene em vários países africanos, recorda o The Guardian.

A primeira edição de “1 Picasso por 100 euros”, ocorreu em 2013, e angariou 4.8 milhões de euros, tendo Jeffrey Gonano, um americano da Pensilvânia, ficado com a pintura L’Homme au Gibus (‘Homem com Chapéu de Ópera’), que o artista pintou em 1914 durante o seu período cubista.

Em 2020, realizou-se o segundo sorteio, dessa vez com a obra Nature Morte (‘Natureza Morta’), de 1921, que conseguiu 5.1 milhões de euros e que acabou nas mãos de Claudia Borgogno, uma contabilista italiana, cujo filho lhe tinha comprado o bilhete como presente de Natal.

Na altura, o bilionário e colecionador de arte David Nahmad, a quem foi comprada a pintura de 1921, reforçou que Picasso teria aprovado estas iniciativas: “Picasso foi muito generoso. Ele dava pinturas ao seu motorista, ao seu alfaiate. Queria que a sua arte fosse colecionada por todo o tipo de pessoas, não só pelos super-ricos“, menciona o The Guardian.

Texto editado por Dulce Neto

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