21 horas. Após praticamente um dia inteiro de negociações entre Estados Unidos e Irão mediadas pelo Paquistão, estas acabaram sem os dois países a chegarem a um acordo. Os iranianos acusam Washington de manter uma postura maximalista no que diz respeito à questão nuclear, enquanto os norte-americanos apontam que Teerão não está disposto a ceder no Estreito de Ormuz.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou este domingo que os Estados Unidos vão bloquear o Estreito de Ormuz a partir desta segunda-feira. Os EUA podem mesmo retomar as operações militares contra o território iraniano: o chefe de Estado assumiu que está “pronto” para acabar com o que “resta do Irão”. Por sua vez, a Guarda Revolucionária do Irão alertou para a possibilidade de Washington ficar “preso num vórtice mortal no Estreito se cometerem o erro” de o bloquearem.
No plano internacional, Donald Trump ameaçou a China com “tarifas esmagadoras” de 50% caso forneça apoio militar a Teerão. Após o falhanço nas negociações, o Presidente russo, Vladimir Putin, ligou ao homólogo iraniano, Masoud Pezeshkian, e ofereceu-se para mediar as conversações de paz.
Pode recordar todos os acontecimentos de sábado aqui.
https://observador.pt/2026/04/12/apos-tres-rondas-negociacoes-para-a-paz-chegam-ao-fim-sem-sucesso-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo deste domingo, dia 12 de abril:
No Irão
- As negociações entre os Estados Unidos e o Irão, realizadas no Paquistão, terminaram sem qualquer acordo após mais de 21 horas de reuniões.
- Os principais pontos de discórdia consistiram no controlo iraniano do Estreito de Ormuz e a recusa de Teerão em livrar-se do stock de urânio enriquecido.
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano afirmou que é “irrealista” esperar um acordo numa única ronda de negociações, lembrando o ambiente como de “desconfiança e suspeita” em que ocorreram as conversações de paz.
- Ao mesmo tempo, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano deu a entender que a “diplomacia nunca acaba”, mas que Teerão não tem pressa em retomar as negociações — colocando a “bola” do lado dos Estados Unidos.
- A delegação iraniana abandonou o Paquistão imediatamente após o fim das conversações.
- Na mesma linha, a delegação norte-americana liderada pelo vice-presidente deixou o Paquistão após 21 horas de negociações. Após abandonar Islamabad, JD Vance confirmou o fracasso das conversações de paz, reiterando a linha vermelha dos EUA em relação ao programa nuclear iraniano.
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Tendo em conta que as negociações fracassaram, o Presidente norte-americano anunciou que as forças dos EUA vão “iniciar o processo de bloqueio de todos os navios que tentem entrar ou sair do Estreito de Ormuz” esta segunda-feira às 15h00.
- Donald Trump garantiu que as tropas norte-americanas estão “prontas” para acabar com o que “resta do Irão” e declarou que o Irão nunca vai ter uma arma nuclear. Os Estados Unidos estão a ponderar retomar com os ataques militares contra território iranianos após o falhanço nas negociações.
- A Guarda Revolucionária Iraniana avisou que qualquer navio militar que se aproxime do Estreito de Ormuz será considerado uma violação do cessar-fogo de duas semanas e enfrentará “resposta vigorosa”.
- Os iranianos classificaram a ameaça de bloqueio do Estreito de Ormuz de Donald Trump como “ridícula”. A Guarda Revolucionária alertou para a possibilidade de os Estados Unidos ficarem “presos num vórtice mortal no Estreito se cometerem o erro” de o bloquearem.
- Apenas um navio atravessou o Estreito de Ormuz no domingo sem utilizar as rotas impostas por Teerão.
- Dois contratorpedeiros norte-americanos transitaram no Estreito de Ormuz para preparar a limpeza de minas navais.
- Existem relatos de divisões na delegação iraniana entre uma ala radical, liderada pela Guarda Revolucionária, e uma fação mais pragmática, chefiada pelo Presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi. Enquanto os primeiros pretendem continuar o conflito, os segundos preferem uma abordagem mais cautelosa e explorar a possibilidade de negociações.
Em Israel e no Líbano
- O conflito terrestre prolongou-se no sul do Líbano. As Forças de Defesa de Israel lançaram pelo menos 35 ataques aéreos.
- Em resposta, a milícia libanesa Hezbollah lançou cerca de 20 rockets e drones contra o norte de Israel.
- As IDF levaram a cabo uma operação militar num hospital em Aainata, no Líbano, onde apreenderam um depósito de armas e eliminaram cerca de 20 militantes do Hezbollah.
- As forças israelitas abalroaram veículos da UNIFIL (Força Interina das Nações Unidas no Líbano), causando danos significativos num dos casos.
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Apesar do conflito, o primeiro-ministro, Benjamin Netanyahu, reiterou o desejo de um “verdadeiro pacto de paz” com o Líbano.
- O Ministério da Saúde do Líbano confirmou um total acumulado de 2.020 vítimas mortais e 6.436 feridos desde o dia 2 de março.
- Várias pessoas manifestaram-se em Beirute contra a possibilidade de negociações diretas entre o Líbano e Israel.
Nos países do Golfo
- Não houve registo de quaisquer ataques iranianos contra nenhum país do Golfo no passado domingo.
- O Ministério dos Negócios Estrangeiros da Arábia Saudita convocou formalmente o embaixador do Iraque em Riade. Os sauditas pretendem obter esclarecimentos sobre os ataques de drones lançados por milícias iraquianas pró-Irão contra o território do país.
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No resto do mundo
- Donald Trump ameaçou a China com “tarifas esmagadoras” de 50% caso forneça apoio militar a Teerão e ordenou que os EUA investiguem qualquer violação das sanções ao petróleo iraniano.
- O ministro dos Negócios Estrangeiros do Paquistão, Ishaq Dar, pediu a Washington e a Teerão para manterem o compromisso com o cessar-fogo e prosseguirem as negociações “num espírito positivo”.
- Após uma conversa com o Presidente iraniano Masoud Pezeshkian, o chefe de Estado da Rússia Vladimir Putin declarou-se pronto a ajudar na mediação dos esforços de paz.
- O Reino Unido lamentou o colapso das negociações entre Estados Unidos.
- O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, apelou ao cumprimento do cessar-fogo e ao regresso imediato às negociações, alertando para as consequências económicas globais do prolongamento do conflito.
- O colapso das negociações diplomáticas provocou uma subida imediata nos preços globais do petróleo e do gás natural.