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EUA preparam-se para bloqueio aos portos iranianos no Estreito de Ormuz. Como poderá funcionar a operação?

Bloqueio aos navios que entrem ou saiam dos portos iranianos vai arrancar esta segunda-feira à tarde. Tomada de navios, inspeções e ameaças podem ser técnicas usados pelos EUA, dizem especialistas.

Tiago Caeiro
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Depois de mais de 20 horas de negociações no Paquistão este fim de semana, Estados Unidos e Irão não chegaram a um acordo que permitisse colocar fim à guerra iniciada há mais um mês no Médio Oriente. A resposta de Donald Trump ao fracasso das negociações de paz não se fez esperar, com o Presidente norte-americano a anunciar, já este domingo, o bloqueio naval do estreito de Ormuz — uma importante via de tráfego marítimo que o Irão controla há décadas e que tem usado, durante o atual conflito, para colocar pressão no Ocidente.

Numa primeira fase, Donald Trump anunciou um bloqueio a todos os navios que tentassem entrar ou sair do estreito de Ormuz, avisando que a Marinha norte-americana iria intercetar “todas as embarcações em águas internacionais que tenham feito o pagamento de portagens ao Irão” e ameaçando o Irão de que, caso atacasse as forças dos EUA, iria enfrentar o “inferno”.

Já este domingo, o Comando Central dos EUA esclareceu que, afinal, o bloqueio será apenas aos navios que entrem ou saiam dos portos e áreas costeiras iranianas no estreito de Ormuz e não a todo o tráfego marítimo. As forças americanas, esclareceu o CENTCOM, “não impedirão a liberdade de navegação para embarcações que transitam pelo Estreito de Ormuz de e para portos não iranianos”.

Mas como poderia ser levada a cabo uma operação deste tipo? As forças armadas dos EUA ainda não divulgaram detalhes sobre como será conduzida a operação, por quanto tempo se manterá, quantos navios de guerra serão mobilizados, ou se algum país aliado da região do Golfo vai participar nos esforços para bloquear a navegação de e para os portos iranianos.

https://observador.pt/2026/04/12/trump-ordena-bloqueio-do-estreito-de-ormuz-depois-de-ter-dito-que-iria-comecar-a-abrir-o-corredor-maritimo/

Segundo especialistas ouvidos pelo Guardian, a opção mais provável é que a Marinha dos EUA tente forçar as embarcações a mudarem de curso através de ameaças e, caso isso não funcione, poderão empenhar equipas de abordagem direta armadas para assumir o controlo físico dos navios. Um outro especialista, James Kraska, admite, citado pelo New York Times, que o bloqueio implicará que qualquer navio proveniente de um porto iraniano — ou que se dirija para um porto ou área costeira daquele país — tenha de se submeter a uma inspeção, caso tal seja solicitado pelas forças norte-americanas, que depois determinariam autorizar ou não a passagem.

Um bloqueio desse tipo poderia causar danos económicos ao Irão, sublinha o professor de direito marítimo internacional no US Naval War College, ao impedir a exportação de petróleo por via marítima — o que iria retirar ao regime iraniano parte das receitas usadas para o esforço de guerra. O bloqueio iria deixar países dependentes do petróleo iraniano, como a China, numa situação difícil, antecipa Kraska.

Para Dana Stroul (ex-oficial do Pentágono durante a Administração Biden e atualmente no Instituto de Washington para Política do Oriente Próximo), a operação de bloqueio no estreito de Ormuz poderá revelar-se insustentável a médio prazo. “Trump quer uma solução rápida. A realidade é que é difícil executar essa operação sozinho e será provavelmente insustentável a médio e longo prazo”, sublinhou.

https://observador.pt/2026/04/13/forcas-armadas-iranianas-condenam-bloqueio-americano-de-ormuz-como-pirataria/

Este sábado, a imprensa norte-americana noticiou que dois contratorpedeiros (USS Frank E. Petersen Jr. e o USS Michael Murphy) da Marinha americana entraram no Estreito de Ormuz, tendo destruído um drone de vigilância iraniano que se aproximava de um dos navios. Segundo disseram dois oficiais norte-americanos ao New York Times, a operação foi a etapa inicial de um esforço para remover minas do estreito e demonstrar aos navios comerciais que o estreito pode ser atravessado em segurança.

Já esta segunda-feira, o Irão condenou o bloqueio naval dos Estados Unidos, classificando a iniciativa como um ato de pirataria, e ameaçando que nenhum porto no Golfo Pérsico estará seguro se os iranianos estiverem ameaçados. Teerão vai a “impor firmemente um mecanismo de controlo permanente para o Estreito de Ormuz”, segundo o qual não permitirá a passagem de “embarcações ligadas ao inimigo”, disse ainda um porta-voz do Comando Central iraniano.