O famoso adepto do Sporting Miguel Pacheco, conhecido como “Miguel D’Almada”, foi condenado a seis anos e seis meses de prisão no Brasil por pertencer a um grupo neonazi, noticia esta segunda-feira o Correio da Manhã.
De acordo com o jornal, Miguel D’Almada era um dos dirigentes da célula neonazi “Southlands Hammerskins”, com sede no estado brasileiro de Santa Catarina, que tinha ligações à organização principal Hammerskin Nation, nos Estados Unidos.
Nascido em Moçambique em 1974, Miguel Pacheco cresceu, como muitos retornados, na margem sul do Tejo e desde a juventude começou a mover-se no meio das claques desportivas.
Integrou a direção da Juventude Leonina (e destacou-se até como autor de canções de apoio ao Sporting, incluindo a célebre versão de “My Way”, de Frank Sinatra, hoje ainda cantada no estádio com a letra “O Mundo Sabe Que”), mas rapidamente passou a fazer parte da fação mais extremista da claque.
Foi dentro daquela claque que fez parte do núcleo fundador do Grupo 1143, que viria a tornar-se independente da claque e a transformar-se no maior movimento ultranacionalista e neonazi português. Nessa altura, era frequente avistar-se nas bancadas de Alvalade uma bandeira com a expressão “Sporting Sempre”, com recurso aos “SS” típicos da Schutzstaffel.
Como explicou a revista Visão em 2023, a subida da extrema-direita na Juve Leo acabou por ditar uma cisão interna e, em 2002, Miguel D’Almada abandonou a direção para criar uma nova claque, o “Diretivo Ultras XXI”.
O Correio da Manhã destaca que Miguel D’Almada acabaria por emigrar para o Brasil em 2007. A partir dali, continuou a ser produzir conteúdos para as redes sociais como adepto do Sporting nas redes sociais (viria, mais tarde, a criar o “Rapaziada 1906”, um projeto digital de apoio ao Sporting e de insultos ao Benfica).
Em novembro de 2022, Miguel D’Almada foi detido pela Polícia Civil de Santa Catarina, no âmbito de uma operação contra o grupo neonazi. Vários elementos do grupo encontravam-se reunidos numa pequena localidade naquele estado brasileiro quando foram surpreendidos pela polícia e detidos em flagrante delito, na posse de material neonazi.
De acordo com a Visão, que citou fonte policial, o português era “uma pessoa com experiência e contactos na Europa”, o que lhe garantia “prestígio” dentro do grupo.
Miguel D’Almada ficou em prisão preventiva entre novembro de 2022 e julho de 2023, altura em que saiu em liberdade após pagar uma fiança de mais de 18 mil euros. Depois disso, ficou sujeito a pulseira eletrónica, não podendo sair da zona de residência.
Agora, o Tribunal Federal de Florianópolis condenou-o — por integrar um grupo que promovia a “discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional” — a uma pena de seis anos e seis meses, que vai cumprir em regime semiaberto, diz o Correio da Manhã.