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Leão XIV já está na Argélia para início de uma viagem de 11 dias ao continente africano

A escolha da Argélia para o arranque desta visita tem o simbolismo de se tratar da pátria de Santo Agostinho, fundador da ordem a que pertence Robert Prevost, o agora Papa Leão XIV.

Agência Lusa
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João Francisco Gomes
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O Papa Leão XIV chegou esta segunda-feira à Argélia para a sua primeira viagem apostólica a África, com passagens pelos Camarões, Angola e Guiné Equatorial, no continente onde mais tem crescido o número de católicos no mundo, segundo o Anuário Pontifício 2026.

A escolha da Argélia para o arranque desta visita tem o simbolismo de se tratar da pátria de Santo Agostinho, fundador da ordem a que pertence Robert Prevost, o agora Papa Leão XIV.

À chegada, Leão XIV foi recebido pelo Presidente argelino, Abdelmadjid Tebboune.

https://www.youtube.com/watch?v=03pYP2Nmreo

Em Argel, capital deste país de maioria muçulmana, que recebe o chefe da Igreja Católica pela primeira vez, visitará a Grande Mesquita, em Mohammadia, nos arredores da capital, um dos maiores locais de culto islâmico do mundo, mas também o centro de acolhimento dirigido pelas irmãs agostinianas missionárias em Bab El Oued.

Terça-feira, irá a Annaba, a antiga Hipona, onde Santo Agostinho foi bispo e onde visitará o sítio arqueológico e a casa de acolhimento de idosos das Irmãzinhas dos Pobres.

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Na segunda etapa da viagem, de quarta-feira a sábado, nos Camarões — que receberam, no passado, João Paulo II e Bento XVI, o Papa desloca-se, além da capital, Yaoundé, a Bamenda, no noroeste, palco de um conflito entre o exército e rebeldes independentistas anglófonos, que se queixam de serem marginalizados pelo Governo central francófono.

Nesta região, de maioria muçulmana, cresceram igualmente as tensões entre pastores muçulmanos e a população cristã, num conflito mais relacionado com a etnia e os recursos naturais do que com a religião, além de ocorrerem ataques esporádicos do grupo extremista nigeriano Boko Haram e, em menor dimensão, da sua cisão, o Estado Islâmico da Província da África Ocidental.

Apesar da riqueza em recursos, cerca de um terço da população é pobre, num país minado pela corrupção e pelo autoritarismo do Governo liderado por Paul Biya, o segundo chefe de Estado há mais tempo no poder e o mais idoso do mundo (93 anos).

Em Angola, que no passado recebeu as visitas de João Paulo II (1992) e de Bento XVI (2009) e onde estará de sábado até dia 21, o Papa vai encontrar uma população maioritariamente cristã (perto de metade católicos).

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Além de Luanda, que este ano comemora os seus 450 anos e onde manterá encontros com autoridades e religiosos, Leão XIV celebrará uma missa campal na Centralidade da Kilamba (construída a 30 quilómetros da capital), outra no Santuário Mariano da Muxima (a cerca de 130 quilómetros), considerado o maior centro de peregrinação católica na África Subsaariana, e outra ainda em Saurimo, capital da Lunda Sul, a cerca de 950 quilómetros e próxima da fronteira com a República Democrática do Congo.

Em Angola, esperam-se mensagens que denunciem a pobreza, a desigualdade social e o desrespeito por direitos humanos básicos, num país que possui vastas reservas minerais e petrolíferas e uma economia em crescimento, mas que, segundo o Banco Mundial, apresenta uma taxa de pobreza de 39,3% e de desemprego de 14,1%.

A visita termina, de 21 a 23, na Guiné Equatorial, o único país que fala espanhol em África, igualmente com uma elevada percentagem de cristãos entre a sua população, e que recebeu João Paulo II em 1982.

Produtor de petróleo, tal como Angola, apresenta igualmente uma distribuição desigual da riqueza, além de denúncias de corrupção e repressão, sendo dirigido por Teodoro Obiang, de 83 anos, o chefe de Estado há mais tempo no poder no mundo.