Mais de dez mil mesas de voto nas eleições gerais do Peru fecharam no domingo, após um longo dia de votação durante 10 horas, apesar dos apelos de alguns candidatos para que o horário de votação fosse alargado até segunda-feira.
Os apelos para o prolongamento da votação surgiram devido a atrasos significativos na instalação das mesas de voto em diversos locais de Lima, causados pela falta de material eleitoral.
A votação terminou às 18h de domingo locais (00h de segunda-feira em Lisboa), uma hora mais tarde do que inicialmente previsto, após as autoridades eleitorais terem prolongado o horário devido aos problemas enfrentados em vários locais.
Os problemas geraram inúmeras queixas na capital peruana, uma vez que algumas mesas de voto abriram com até cinco horas de atraso.
De acordo com o relatório do Gabinete Nacional de Processos Eleitorais, responsável pela organização das eleições, 99,8% das mesas de voto acabaram por ser instaladas.
No entanto, 15 centros de votação em Lima, com 211 mesas de voto, não puderam ser instalados, deixando 63.300 eleitores sem conseguir votar.
A candidata presidencial de direita Keiko Fujimori lidera as sondagens à boca das urnas para a segunda volta das eleições no Peru, marcada para 7 de junho, segundo dados divulgadas após o fecho da votação.
Segundo a empresa Datum, Fujimori obteve 16,5% dos votos, seguida do ultraconservador Rafael López Aliaga com 12,8%, do centro-direita Jorge Nieto com 11,6% e do candidato de direita Belmont com 10,5%.
O instituto Ipsos, por sua vez, indicou que Fujimori pode receber 16,6% dos votos, o esquerdista Roberto Sánchez 12,1%, Belmont 11,8%, López Aliaga 11% e Nieto 10,7%.
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As urnas abriram pelas 7h locais, com mais de 27 milhões de eleitores chamados a eleger o seu nono Presidente em 10 anos, num contexto de desconfiança nos políticos e clima de insegurança.
Nestas eleições gerais, os candidatos ultraconservadores voltam a dominar as preferências do eleitorado, com Keiko Fujimori (Força Popular) na liderança das sondagens, com 14,5% dos votos.
A filha do ex-Presidente Alberto Fujimori concorre pela quarta vez, tendo chegado à segunda volta em 2016 e 2021, onde foi derrotada por uma pequena margem e alegou ser vítima de fraude.
O segundo candidato mais bem posicionado, com 10% dos votos, é Carlos Álvarez (País para Todos), um conhecido humorista televisivo que se tornou político e que subiu nas sondagens, ultrapassando o ex-presidente da Câmara de Lima, Rafael López Aliaga (Renovação Popular), representante da direita tradicional, por algumas décimas de ponto percentual.
Além do próximo Presidente, os eleitores escolhem também 60 senadores, 130 deputados e cinco representantes para o Parlamento Andino.