(c) 2023 am|dev

(A) :: "A Hungria escolheu a Europa." As reações dos líderes globais à vitória de Magyar

"A Hungria escolheu a Europa." As reações dos líderes globais à vitória de Magyar

As reações à vitória de Péter Margyar e do Tisza na Hungria estão a multiplicar-se. Vários líderes europeus falam em união e disponibilidade para colaboração. Mas também há reações de fora da Europa.

Cátia Rocha
text
Cátia Bruno
text
José Carlos Duarte
text
Miguel Pereira Santos
text

Acompanhe o liveblog sobre a atualidade internacional

Vários líderes globais estão a reagir à vitória de Péter Magyar e do seu Tisza nas eleições parlamentares húngaras. Em alguns casos, ainda nem sequer Magyar tinha reconhecido a vitória e já havia líderes políticos a felicitá-lo nas redes sociais.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, foi das primeiras a reagir. “O coração da Europa bate mais forte na Hungria esta noite”, escreveu numa primeira mensagem em húngaro e também em inglês. Alguns minutos depois, sublinhou a esperança de que os resultados possam ser sinal de mudança na relação entre a Hungria e a União Europeia (UE).

“A Hungria escolheu a Europa”, publicou numa segunda mensagem. “A Europa sempre escolheu a Hungria. Juntos, somos mais fortes. Um país regressa ao seu caminho europeu. A União fica mais forte”, afirmou a líder da Comissão Europeia.

https://twitter.com/vonderleyen/status/2043416848666906954

Também Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, quis passar a imagem de união. “O lugar da Hungria é no coração da Europa”, escreveu no X, dando os parabéns ao antigo eurodeputado Péter Magyar.

https://twitter.com/EP_President/status/2043417131547525515

Já António Costa, presidente do Conselho Europeu, António Costa disse estar “ansioso por trabalhar em estreita colaboração com Peter Magyar para tornar a Europa mais forte e mais próspera”.

“A afluência recorde às urnas demonstra o espírito democrático do povo húngaro. Pronunciaram-se — e a sua vontade é clara”, escreveu o Presidente do Conselho Europeu nas redes sociais.

https://twitter.com/eucopresident/status/2043426840774090779

Já Volodymyr Zelensky, o Presidente da Ucrânia, felicitou Magyar pela “vitória esmagadora”, mas também deixou um alerta: “É importante que prevaleça uma abordagem construtiva”. Dada a relação entre Vladimir Putin e Orbán, o tema do apoio à Ucrânia é uma questão sensível na relação entre os dois países.

“A Ucrânia sempre procurou manter relações de boa vizinhança com todos na Europa e estamos prontos para aprofundar a nossa cooperação com a Hungria”, disse na rede social X. “A Europa e todas as nações europeias devem tornar-se mais fortes e milhões de europeus anseiam por cooperação e estabilidade.” Zelensky afirmou ainda que a Ucrânia está disponível “para reuniões e trabalho conjunto construtivo em benefício de ambas as nações, bem como da paz, segurança e estabilidade na Europa”.

Os líderes de França, da Alemanha e do Reino Unido também deixaram felicitações a Péter Magyar. Emmanuel Macron falou ao telefone com o vencedor das eleições húngaras. “Juntos vamos impulsionar uma Europa mais soberana, em prol da segurança do nosso continente, da nossa competitividade e da nossa democracia”, escreveu no X. 

https://twitter.com/EmmanuelMacron/status/2043416413231018096

Friedrich Merz, chanceler da Alemanha, mostrou-se “ansioso por trabalhar” com Magyar. “Vamos unir forças por uma Europa forte, segura e, acima de tudo, unida”, diz no X.

https://twitter.com/bundeskanzler/status/2043415654531842165

“É um momento histórico não apenas para a Hungria, como para a democracia europeia”, enfatizou Keir Starmer, primeiro-ministro britânico, que deseja trabalhar com Péter Magyar para a “segurança e prosperidade” do Reino Unido e da Hungria.

https://twitter.com/Keir_Starmer/status/2043425281218650398

O primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, também reagiu aos resultados eleitorais na Hungria, dizendo que o país, a Polónia e a União Europeia estão “novamente juntas”. “Vitória gloriosa, queridos amigos!”, escreveu Tusk, que depois cita a frase usada pela campanha de Magyár “Ruszkik haza!” (Russos, fora).

https://twitter.com/donaldtusk/status/2043434899903033432

O Presidente da Roménia parabenizou Péter Magyar por uma “vitória histórica” nas eleições deste domingo, considerando que “o povo húngaro se pronunciou de forma clara e contundente”.

“A Roménia e a Hungria são vizinhas, parceiras e membros da UE e da NATO. Estou ansioso por escrever um novo capítulo nas relações romeno-húngaras, baseado no respeito mútuo, no diálogo aberto e no nosso compromisso comum com os valores europeus e euro-atlânticos.”

“Existem grandes oportunidades para trabalharmos em conjunto na segurança regional, na cooperação económica e no bem-estar dos nossos povos”, concluiu Nicușor Dan.

https://twitter.com/NicusorDanRO/status/2043430791414534544

O primeiro-ministro da Finlândia, Petteri Orpo, reagiu aos resultados eleitorais da Hungria, sublinhando que o resultado mostra a “vontade forte” dos húngaros de serem “um membro ativo da União Europeia e da NATO”.

“O resultado eleitoral dá à Hungria a oportunidade de regressar à nossa comunidade de valores e segurança como um ator construtivo”, escreveu Orpo, que felicitou Péter Magyar.

https://twitter.com/PetteriOrpo/status/2043420723016777776

Mas também há reações vindas de fora da Europa. Hillary Clinton, que concorreu contra Donald Trump nas eleições de 2016, celebrou “o fim do regime autocrático de Viktor Orbán”.  “É uma vitória não apenas para a Hungria, mas para as pessoas que valorizam a democracia em todo o mundo”, escreveu no X.

https://twitter.com/HillaryClinton/status/2043424089277128727

Seguro espera “firme compromisso” com valores europeus, Montenegro quer “trabalho conjunto”  para o projeto europeu

António José Seguro reagiu ao resultado das eleições na Hungria, num momento “particularmente exigente” para a Europa e para o Mundo. O Presidente da República felicitou Péter Magyar e destacou a “elevada participação nas recentes eleições, expressão clara do compromisso cívico e da vitalidade democrática”.

O Presidente da República espera que o mandato do próximo primeiro-ministro húngaro “corresponda a um firme compromisso com os valores fundamentais que unem os povos europeus: o respeito pelo projeto europeu, a promoção da paz e a observância do direito internacional”.

“O Presidente da República manifesta a sua confiança de que a Hungria desempenhará um papel construtivo e responsável no reforço da cooperação europeia, no apoio ao povo ucraniano e na promoção da paz no seio da Europa”, é dito numa nota da Presidência da República.

Também o primeiro-ministro português, Luís Montenegro, felicitou Péter Magyar. No X, o presidente do PSD (da mesma família política europeia que o Tisza de Péter Magyar, o PPE) disse esperar que esta “nova etapa” seja fundada “numa ampla participação democrática, permita um trabalho conjunto em prol do projeto europeu e dos seus valores e princípios fundamentais”.

https://twitter.com/LMontenegro_PT/status/2043420617832022257

O Partido Socialista (PS) também se pronunciou sobre as eleições húngaras, classificando-as como “um momento político de grande alcance para a Hungria e para a União Europeia”.

Numa nota enviada à comunicação social, os socialistas destacam como este resultado é uma “rejeição inequívoca de práticas que fragilizaram o Estado de direito e os padrões democráticos” e que “exprime a recusa de interferências externas no processo democrático em curso” — uma referência à visita de JD Vance a Budapeste e à ação russa em território húngaro durante a campanha.

“Abre-se agora a expectativa de que a Hungria recupere uma relação plenamente alinhada com os princípios que definem a pertença europeia”, acrescenta o Partido Socialista, destacando “matérias decisivas como o apoio à Ucrânia e a coesão estratégica da União Europeia”.

A Iniciativa Liberal foi mais dura nas críticas a Orbán. No X, o partido celebrou o fim de um “governo completamente corrupto na União Europeia”. “Uma autêntica máfia de Estado ao serviço dos amigos de Orbán.”

“Os traidores e os corruptos caem sempre. Hoje caiu mais um”, sublinharam os liberais: “Esperança num futuro melhor para a Hungria”.

https://twitter.com/LiberalPT/status/2043413530368471373

As reações dos simpatizantes de Viktor Orbán

Alguns dos políticos com afinidade política a Viktor Orbán também já reagiram à derrota daquele que foi primeiro-ministro da Hungria durante 16 anos.

A primeira-ministra de Itália, Giorgia Meloni, deu os parabéns a Péter Magyar pela “vitória eleitoral clara”, acrescentando que “o governo italiano deseja-lhe boa sorte.”

No X, a chefe do executivo italiano — que mantinha uma boa relação com o primeiro-ministro da Hungria por proximidade ideológica —, agradeceu a Viktor Orbán pela “colaboração intensa ao longo dos últimos anos”. “Sei que desde a oposição vai continuar a servir a nação.” A primeira-ministra italiana está certa de que Roma e Budapeste têm um “profundo laço de amizade”.

https://twitter.com/GiorgiaMeloni/status/2043425889040716076

Geert Wilders, líder do PVV — partido de extrema-direita dos Países Baixos que pertence à mesma família política que o Fidesz, os Patriotas da Europa —, reagiu à vitória de Magyar classificando este como “um dia triste”.

“Orbán foi o único líder com bolas na UE. Rígido em migração e anti-woke”, escreveu no X. “Agora estamos com fracos como [Rob] Jetten [PM neerlandês], Macron, Sanchez e Merz. Um dia triste. Mas continuamos a lutar!”

https://twitter.com/geertwilderspvv/status/2043425303335207352

O presidente da União Nacional francesa, Jordan Bardella, reagiu ainda ao início da noite ao resultado das eleições na Hungria, destacando que a vitória de Magyar “demonstra que as acusações incessantes das instituições europeias nos últimos anos contra a democracia húngara eram infundadas”.

“Viktor Orbán é um grande patriota, que alcançou durante seu mandato o ressurgimento económico da Hungria, promoveu políticas familiares que permitiram proteger a natalidade e defendeu as fronteiras de seu país e da Europa diante dos fluxos migratórios”, escreveu. Do sucessor, disse — sem nomear Magyar — que espera que “governe no interesse exclusivo do seu país e do povo”.

https://twitter.com/J_Bardella/status/2043425429303029816

Cerca de 15 minutos depois da publicação de Bardella, André Ventura, líder do Chega, optou pela ironia na mensagem, em que não felicitou Magyar, e invocou o mesmo argumento que o presidente da União Nacional: “O Governo vai mudar na Hungria e o primeiro-ministro derrotado, Orbán, já deu os parabéns ao sucessor. Parece que, afinal a Hungria era uma democracia, ao contrário do que a esquerda e os burocratas de Bruxelas proclamavam”, escreveu no X. “Que seja uma transição pacífica e boa para os húngaros.”

https://twitter.com/AndreCVentura/status/2043430324596552019