(c) 2023 am|dev

(A) :: Victor continua a escrever a única narrativa que importa (a crónica do Estoril-FC Porto)

Victor continua a escrever a única narrativa que importa (a crónica do Estoril-FC Porto)

Froholdt esteve no lance do primeiro golo dos dragões, ia marcando no autogolo e assinou o terceiro. No fim, o FC Porto venceu o Estoril, voltou aos triunfos e manteve a vantagem na liderança (1-3).

Mariana Fernandes
text

Dois jogos seguidos sem ganhar é uma anormalidade na temporada do FC Porto. A consistência dos dragões tem sido tão clara e tão transversal que a ausência de uma vitória em dois encontros e no espaço de alguns dias ativa alguns alarmes — até porque os dois empates em questão voltaram a abrir a porta ao pesadelo de uma reta final em queda livre que possa trazer os fantasmas do Ajax até Francesco Farioli. 

O FC Porto empatou com Famalicão na semana passada, permitindo que o Sporting se aproximasse da liderança do Campeonato, e empatou com o Nottingham Forest na quinta-feira, permitindo que os quartos de final da Liga Europa sejam decididos em Inglaterra. Este domingo, já depois de os leões vencerem o Estrela da Amadora na Reboleira, a obrigatoriedade de bater o Estoril na Amoreira era ainda mais uma evidência. 

Ficha de jogo

Estoril-FC Porto, 1-3

29.ª jornada da Primeira Liga

Estádio António Coimbra da Mota, no Estoril

Árbitro: Luís Godinho (AF Évora)

Estoril: Joel Robles, Ricard Sánchez, Antef Tsoungui, Felix Bacher, Pedro Amaral (Pedro Carvalho, 71′), Xeka (Rafik Guitane, 63′), Jordan Holsgrove (Pizzi, 77′), Jandro Orellana (Nodar Lominadze, 77′), Yanis Begraoui, André Lacximicant (Alejandro Marqués, 71′), João Carvalho

Suplentes não utilizados: Martin Turk, Ferro, Peixinho, Luís Gomes

Treinador: Ian Cathro

FC Porto: Diogo Costa, Alberto Costa, Kiwior, Bednarek, Zaidu (Francisco Moura, 70′), Alan Varela, Victor Froholdt, Pepê (Seko Fofana, 83′), Gabri Veiga (Rodrigo Mora, 70′), Oskar Pietuszewski (Borja Sainz, 60′), Deniz Gül (Terem Moffi, 70′)

Suplentes não utilizados: Cláudio Ramos, Thiago Silva, Prpic, Pablo Rosario

Treinador: Francesco Farioli

Golos: Pepê (14′), Xeka (ag, 32′), Victor Froholdt (72′), Yanis Begraoui (78′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Jordan Holsgrove (30′), a João Carvalho (51′), a Oskar Pietuszewski (51′), a Ricard Sánchez (81′)

“Todos os jogos têm o seu peso e o de amanhã é importante. Mas estão a colocar o foco nas consequências, sejam eles positivas ou negativas. A realidade é que o que importa é manter a nossa abordagem até ao final da temporada. Estamos ligados em todos os momentos, colocar as nossas energias em ‘se isto’ ou ‘se aquilo’ não será algo que nos dê algum tipo de vantagem. Claro que do lado de fora estão a tentar construir uma narrativa de possíveis consequências… Já aconteceu antes. Se o jogo de amanhã não correr bem é porque tudo vai colapsar e isso é algo que vai ajudar a vender jornais. Respeito o vosso trabalho, mas do nosso lado temos de ir jogo a jogo. Estamos ligados ao que acontece agora”, explicou o treinador italiano na antevisão da partida.

Assim, na Amoreira e sem Martim Fernandes, que se lesionou na Liga Europa, e William Gomes, que viu o quinto cartão amarelo na jornada anterior e estava castigado, Francesco Farioli recuperava a titularidade de Deniz Gül como referência ofensiva, com Pepê e Oskar Pietuszewski no apoio ao sueco e Gabri Veiga a aparecer no meio-campo em detrimento de Rodrigo Mora. Do outro lado, numa equipa que vinha de apenas uma vitória nos últimos cinco jogos, Ian Cathro tinha André Lacximicant, João Carvalho e Yanis Begraoui no ataque.

https://twitter.com/playmaker_PT/status/2043417275806449936

O jogo começou bom e agitado, com o FC Porto a procurar implementar rapidamente muita intensidade e velocidade e o Estoril a conseguir fechar-se bem para não permitir muito espaço de alavancagem. Ainda dentro dos 10 minutos iniciais, porém, foi possível perceber como é que os dragões iriam tentar ferir o adversário: Gabri Veiga cruzou largo na esquerda, Deniz Gül amorteceu ao segundo poste e ninguém apareceu para a finalização, mas deu para entender que as bolas pelo ar seriam um problema para os estorilistas.

Pouco depois, o golo apareceu mesmo. Zaidu recebeu a bola de Victor Froholdt, soltou Gabri Veiga com um bom passe vertical e o espanhol cruzou rasteiro para o segundo poste, onde Pepê apareceu sem marcação a desviar para a baliza (14′). Alan Varela ficou muito perto de aumentar a vantagem logo a seguir, com um remate forte de fora de área que passou ligeiramente ao lado (16′), e a equipa de Ian Cathro ia demonstrando muitas dificuldades para sequer sair do próprio meio-campo.

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2043419664307355719

Deniz Gül colocou a bola no fundo da baliza nesta fase, com um cabeceamento após cruzamento de Pepê na direita (21′), mas o lance foi anulado pelo VAR por fora de jogo do avançado. Já depois da meia-hora, porém, o segundo golo dos dragões apareceu mesmo: canto na direita, Froholdt apareceu completamente sozinho a cabecear para a baliza e Xeka, numa tentativa de intercetar a bola do médio dinamarquês, fez autogolo (32′).

A equipa de Francesco Farioli quebrou a intensidade depois de chegar ao segundo golo, de forma natural, e a verdade é que Diogo Costa ainda teve de fazer uma grande defesa a um remate de Ricard Sánchez (43′) já depois de João Carvalho ter atirado ao lado (40′). Ao intervalo e de forma completamente justa, já que foi claramente superior ao longo de toda a primeira parte, o FC Porto estava a vencer o Estoril na Amoreira. 

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2043425614594482264

Nenhum dos treinadores mexeu no início da segunda parte e o jogo recomeçou desde logo com alguma polémica, já que Luís Godinho foi chamado ao VAR para analisar uma possível grande penalidade de Antef Tsoungui sobre Victor Froholdt, mas considerou que o central tocou primeiro na bola e mandou seguir. O FC Porto não apresentava a mesma intensidade do primeiro tempo e o Estoril aproveitava para subir as linhas e ter mais bola, passando muito tempo nas imediações da grande área de Diogo Costa sem encontrar consequências, enquanto que os dragões exploravam sempre o contra-ataque.

Deniz Gül poderia ter marcado num desses momentos, depois de uma arrancada de Alberto Costa na direita e com um remate rasteiro ao lado (56′), e Ricard Sánchez respondeu do outro lado com um pontapé de trivela que também falhou o alvo (59′). Francesco Farioli fez a primeira substituição nesta fase e trocou Oskar Pietuszewski, que já tinha cartão amarelo, por Borja Sainz, enquanto que Ian Cathro lançou Rafik Guitane no lugar de Xeka.

https://twitter.com/playmaker_PT/status/2043437293847875869

A amostra de reação dos estorilistas esfriou com o avançar dos minutos e os dragões foram aproveitando para criar oportunidades de forma mais recorrente, com Alberto Costa a rematar por cima (62′) e Borja Sainz a obrigar Joel Robles a uma defesa apertada (64′). Farioli colocou Rodrigo Mora, Terem Moffi e Francisco Moura de uma vez à beira dos últimos 20 minutos e foi precisamente nessa altura que apareceu o xeque-mate: Alberto Costa recebeu de Borja Sainz na esquerda, cruzou rasteiro e a bola atravessou toda a grande área até descobrir Froholdt ao segundo poste, que só precisou de encostar (72′).

Yanis Begraoui ainda reduziu a desvantagem na ponta final, com um bom remate depois de rodar sobre um adversário (78′), mas já nada mudou e Borja Sainz até podia ter carimbado a goleada com um cabeceamento que Joel Robles defendeu (87′). O FC Porto venceu o Estoril na Amoreira, naquele que foi o último jogo do Campeonato contra uma equipa da metade superior da tabela, e manteve a vantagem de cinco pontos para o Sporting — sendo que os leões ainda têm um jogo em atraso. Victor Froholdt esteve nos três golos dos dragões e voltou a mostrar que, enquanto alguns tentam escrever narrativas, continua a ser ele o grande autor das obras da equipa.

https://twitter.com/_Goalpoint/status/2043443770050396569