O Presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel diz que não há qualquer “justificação para os EUA lançarem uma agressão militar” contra o país, alegando que seria uma decisão “irracional”. Mas garante que, caso isso aconteça, o país está pronto para lutar até à morte.
Em entrevista no programa “Meet the Press”, da NBC News, o líder de Cuba disse que não há “justificação para os Estados Unidos lançarem uma agressão militar”. Nos últimos meses, o tema tem tido a atenção da comunidade internacional, com Donald Trump a deixar clara a sua intenção de atacar o país. No final do mês passado, inclusivamente, o líder norte-americano afirmou que Cuba é o próximo alvo na sua lista, escreveu a Al Jazeera.
“Uma invasão a Cuba teria custos. Afetaria a segurança de Cuba, dos Estados Unidos e da região”, lembrou Díaz-Canel. No entanto, “se tal acontecer, haverá combates e haverá luta”.
“E nós defender-nos-emos, e, se tivermos de morrer, morreremos. Porque como diz o nosso hino nacional, ‘morrer pela pátria é viver’”, acrescentou.
Na opinião do líder cubano, qualquer decisão no sentido de invadir ou atacar Cuba seria “irracional”. E, questionado se estaria disponível para ceder às “principais exigências” dos EUA, disse que há questões que não são de todo negociáveis. Em causa estão exigências como a libertação de presos políticos, a marcação de eleições com vários partidos ou a defesa da liberdade de imprensa.
Segundo Miguel Díaz-Canel, até ao momento “ninguém fez essas exigências” a Cuba. E além disso, acrescentou, “deixámos claro que, no que diz respeito ao nosso sistema político ou ordem constitucional, estas são questões que não estão em negociação com os Estados Unidos”.
Segundo escreve a NBC News, há indícios de que a pressão que os EUA têm exercido sobre Cuba tem tido impactos no país internamente. Há cerca de um mês as autoridades cubanas terão alterado a sua posição em relação aos EUA, assumindo um papel mais assertivo, afirmando que estão preparados para responder a ataques norte-americanos. E o próprio Governo cubano decretou a realização de mais exercícios militares.
Em entrevista, o Presidente de Cuba aproveitou para quis vincar que o país que representa está a assumir uma posição “inteiramente defensiva e não agressiva”. “Deixem-me repetir: não é isto que queremos. Não queremos guerra. Não queremos um ataque”, garantiu. E, apelando a um diálogo com base no respeito, defendeu que seria possível “chegar a um acordo com o Presidente Trump” caso fosse necessário — no entanto, os EUA “são difíceis” de dialogar, afirmou.
“Penso que o Governo dos EUA deveria rever o quão cruéis e mesquinhos têm sido para com Cuba e para com o povo cubano”, defendeu Díaz-Canel, recordando o embargo económico dos EUA imposto em 1962. Para o governante, trata-se de uma decisão “genocida e cruel”.