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Ao fim de 21 horas reunidos num hotel no Paquistão, as delegações do Irão e dos Estados Unidos deixaram Islamabade sem acordo. JD Vance, vice-presidente dos EUA, secundado por Jared Kushner, genro de Donald Trump e conselheiro da Casa Branca, e Steve Witkoff, enviado especial dos EUA para o Médio Oriente, numa mini-conferência de imprensa declarou a intransigência do Irão, nomeadamente em relação ao programa nuclear.
Já o Irão vai acusando os Estados Unidos de inflexibilidade e até de má fé. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghaei, numa declaração colocada na rede x, exige que os Estados Unidos diminuam o nível de “exigências”, que diz serem “excessivas e com pedidos ilegais”, e aceite “os direitos e interesses legítimos” do Irão. Este responsável acrescenta ao impasse no programa nuclear as exigência excessivas em relação ao Estreito de Ormuz.
“O sucesso deste processo diplomático depende da seriedade e da boa-fé da parte contrária, de não fazerem exigências excessivas e pedidos ilegais, e do respeito pelos direitos e interesses legítimos do Irão”, declarou.
JD Vance não foi longe sobre os detalhes das negociações: “Não quero negociar em público depois de termos negociado durante 21 horas em privado”, mas “precisamos de um compromisso afirmativo de que o Irão não procurará ter uma arma nuclear e não procurará os meios que lhes permitiriam alcançar rapidamente uma arma nuclear”. Este, diz, em resposta aos jornalistas, é o objetivo “central” de Donald Trump. “Foi isso que tentámos alcançar através destas negociações”, ainda que depois acrescente que as instalações de enriquecimento de urânio foram totalmente destruídas, tal como já tinha dito o Presidente dos EUA.
Os Estados Unidos dizem querer não apenas o compromisso do Irão de que não vai desenvolver uma arma nuclear agora, mas também no futuro. “Vemos um compromisso fundamental de vontade, por parte dos iranianos, de não desenvolverem uma arma nuclear, não apenas agora, não apenas daqui a dois anos, mas a longo prazo? Ainda não vimos isso. Esperamos vir a vê‑lo”.
Outros temas estiveram, admitiu, em cima da mesa, não os especificando. “Não conseguimos chegar a uma situação em que os iranianos estivessem dispostos a aceitar os nossos termos”, ainda que JD Vance garante que “fomos bastante flexíveis e fomos bastante conciliadores”. Mas assume ter havido boa-fé dos EUA. “O Presidente disse‑nos: têm de ir de boa-fé e fazer o vosso melhor esforço para chegar a um acordo. Fizemos isso e, infelizmente, não conseguimos fazer quaisquer avanços”:
O vice-presidente, que regressou a Washington, admitiu, ainda, que falou várias vezes com Donald Trump, e que esteve em contacto com toda a equipa de segurança nacional. “Estivemos constantemente em comunicação com a equipa porque estávamos a negociar de boa-fé. Saímos daqui com uma proposta muito simples, um método de entendimento de que esta é a nossa oferta final e melhor. Veremos se os iranianos a aceitam”.
https://youtu.be/4fwqBgAhZPo
A declaração inicial (antes das perguntas) de JD Vance no Paquistão
Bom, muito bom dia a todos. E deixem‑me começar com algumas palavras de agradecimento. Em primeiro lugar, ao primeiro‑ministro do Paquistão e ao marechal de campo Munir, que foram ambos anfitriões incríveis.
E quaisquer falhas da negociação não se deveram aos paquistaneses, que fizeram um trabalho extraordinário e realmente tentaram ajudar‑nos, a nós e aos iranianos, a encurtar distâncias e chegar a um acordo. Já vamos nisto há 21 horas e tivemos uma série de discussões substantivas com os iranianos. Essa é a boa notícia.
A má notícia é que não chegámos a um acordo, e penso que isso é uma má notícia para o Irão muito mais do que é uma má notícia para os Estados Unidos da América. Portanto, regressamos aos Estados Unidos sem ter chegado a um acordo. Fomos muito claros quanto às nossas linhas vermelhas, quanto às coisas em que estamos dispostos a fazer concessões e quanto às coisas em que não estamos dispostos a fazê‑lo.
E deixámos isso o mais claro possível, e eles optaram por não aceitar os nossos termos.