A semana trouxe um soco no estômago, o fim de semana teria de trazer um uppercut como resposta. A meio da eliminatória com o Arsenal, nos quartos de final da Liga dos Campeões, o Sporting visitava o Estrela da Amadora e procurava continuar a acalentar a esperança de ainda chegar à liderança que o FC Porto raptou há muito. Para isso, porém, era preciso ganhar.
Os leões perderam com o Arsenal em Alvalade nos descontos, depois de 90 minutos em que raramente foram inferiores aos ingleses e até mereceram chegar à vantagem, e eram agora obrigados a mudar o chip e descer à terra para continuar a perseguir um tricampeonato que será sempre a prioridade. Até porque o tal FC Porto que raptou a liderança há meses tinha empatado na última jornada e só jogava domingo e fora, na Amoreira e contra o Estoril — algo que enchia Rui Borges de um otimismo controlado e contido.
Ficha de jogo
Estrela da Amadora-Sporting, 0-1
29.ª jornada da Primeira Liga
Estádio José Gomes, na Reboleira
Árbitro: David Silva (AF Porto)
Estrela da Amadora: Renan Ribeiro, Max Scholze, Stefan Lekovic, Bernardo Schappo, Bruno Langa (Otávio, 76′), Kevin Jansson, Eddy Doué (Jefferson Encada, 76′), Robinho (Jorge Meireles, 65′), Ianis Stoica (Jovane Cabral, 62′), Abraham Marcus, Rodrigo Pinho (Sydney van Hooijdonk, 76′)
Suplentes não utilizados: David Grilo, Tom Moustier, Luan Patrick, Alexandre Sola
Treinador: João Nuno
Sporting: Rui Silva, Iván Fresneda (Vagiannidis, 45′), Debast, Eduardo Quaresma, Maxi Araújo, Hjulmand, Daniel Bragança (Morita, 67′), Geny Catamo (Rafael Nel, 90+6′), Trincão (Diomande, 90+2′), Pedro Gonçalves (Geovany Quenda, 67′), Luis Suárez
Suplentes não utilizados: João Virgínia, Kochorashvili, Faye, Ricardo Mangas
Treinador: Rui Borges
Golos: Daniel Bragança (59′)
Ação disciplinar: cartão amarelo a Kevin Jansson (45+2′), a Rui Silva (87′), a Jefferson Encada (88′), a Sydney van Hooijdonk (90′)
“Eu quero ser campeão, é esse o principal objetivo. Na Liga dos Campeões sabemos da grandeza das equipas que lá estão e que a dificuldade é ainda maior. Não dizemos que estamos a abdicar da Champions, longe disso, mas o nosso principal objetivo é o Campeonato. É natural, pela diferença de nome das equipas, que exista um desligar de ‘chip’ e que a exigência mental dos jogadores possa baixar um bocadinho. Não queremos que isso aconteça, queremos regularidade, é para isso que trabalhamos. O tricampeonato é algo que marcará a história do Sporting e que queremos todos muito”, disse o treinador leonino na antevisão da partida.
Assim e na Reboleira, Rui Borges voltava a lançar a dupla de centrais formada por Eduardo Quaresma e Debast, deixava Diomande no banco e nem sequer convocava Gonçalo Inácio. Daniel Bragança e Hjulmand apareciam no meio-campo, Morita era poupado e Geovany Quenda, depois de longos meses de ausência, surgia nas opções e começava no banco. Do outro lado, num Estrela da Amadora que ainda luta para não descer à Segunda Liga e vinha de uma derrota com o Nacional, João Nuno tinha Abraham Marcus, Ianis Stoica e Rodrigo Pinho no ataque.
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Num jogo onde rapidamente se percebeu que o intenso vento que se fazia sentir ia ter uma palavra a dizer durante os 90 minutos, não foi preciso esperar muito para concluir que o Sporting teria de cumprir muito mais do que os serviços mínimos para vencer o Estrela da Amadora. Eddy Doué protagonizou o primeiro momento de perigo da partida, com um remate por cima depois de um ótimo momento de Ianis Stoica na esquerda (8′), e o ataque leonino parecia algo preso.
Geny Catamo era o principal inconformado, desequilibrando muito na direita mas sempre contra um inspirado Bruno Langa, que ia sendo a grande referência defensiva do conjunto de João Nuno. Trincão até podia ter marcado ainda dentro dos 20 minutos iniciais, num lance em que rematou por cima já na área (18′), mas os tricolores mantinham-se vivos e Abraham Marcus ainda assustou Rui Silva com um pontapé de longe que passou ao lado (20′).
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Foi já perto da meia-hora que os leões viveram a melhor fase no jogo, intensificando as dinâmicas e acelerando os processos, subindo as linhas para assentar no último terço contrário. O Estrela sofreu e ficou algo asfixiado pela primeira vez desde o apito inicial, sendo que Stefan Lekovic quase fez autogolo nesta fase (29′) e Pedro Gonçalves desperdiçou uma situação clara em que falhou o remate após cruzamento rasteiro de Luis Suárez (32′).
Um gato interrompeu o jogo antes do fim da primeira parte, atravessando o relvado de uma ponta à outra e provocando os sorrisos naturais nas duas equipas, e a verdade é que já pouco aconteceu à exceção de um remate por cima de Ianis Stoica já num ângulo complexo (39′). Ao intervalo, o Sporting ainda estava empatado sem golos com o Estrela da Amadora na Reboleira e precisava de recuperar a criatividade e o engenho se quisesse chegar à vantagem.
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Rui Borges mexeu logo no início da segunda parte e trocou Iván Fresneda por Vagiannidis na direita da defesa, numa substituição provavelmente motivada por problemas físicos do espanhol. O Sporting regressou dos balneários com maior urgência de chegar à área contrária, empurrando o Estrela da Amadora e obrigando os tricolores a baixar linhas, compactar setores e apostar essencialmente no contra-ataque no capítulo ofensivo.
Ainda assim, as oportunidades escasseavam — e foi preciso esperar praticamente até à hora de jogo para que, o primeiro remate enquadrado, os leões conseguissem mesmo rebentar com o marasmo. Trincão recebeu de Geny Catamo descaído na direita, conduziu e ofereceu a bola a Daniel Bragança, que atirou rasteiro e à entrada da grande área para abrir o marcador (59′). João Nuno mexeu logo a seguir, lançando Jovane Cabral e Jorge Meireles, e o Estrela dava a ideia de querer correr atrás do resultado.
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Geovany Quenda e Morita entraram a pouco mais de 20 minutos do fim, com o ala português a regressar aos relvados depois de uma longa ausência de quatro meses por lesão, já que não jogava desde a visita à Luz no início de dezembro. A equipa de Rui Borges pareceu desligar depois de chegar ao golo, permitindo a reação dos tricolores e obrigando Rui Silva a uma intervenção muito importante depois de um remate de Max Scholze que desviou em Suárez (70′).
O jogo entrou numa fase de parada-resposta, com muito espaço na zona do meio-campo e as defesas a tornarem-se algo caóticas, e Geny Catamo ficou muito perto de um golo brutal com um remate de longe que acertou na trave (79′). Os leões sofreram na ponta final, sublinhando-se o mérito dos tricolores por nunca terem desistido, mas a verdade é que já nada mudou até ao fim: o Sporting venceu o Estrela da Amadora na Reboleira e mantém a perseguição ao FC Porto, voltando a valer a eficácia de Daniel Bragança para esquecer uma exibição pobre, cinzenta e muito abaixo do habitual.
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