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Dezenas de iranianos reuniram-se este sábado em frente da embaixada norte-americana em Lisboa para pedir o reatamento da guerra até que se verifique uma verdadeira mudança de regime no Irão, quando se iniciaram as negociações entre Teerão e Washington.
Cerca de 50 iranianos de várias regiões do país juntaram-se para transmitir aos Estados Unidos que o atual regime iraniano continuará a ser uma ameaça para o povo, admitindo a possibilidade da continuação da guerra desde que seja consumado o fim da República Islâmica.
“Infelizmente, o cessar-fogo não é algo positivo, pois dá tempo à República Islâmica. Estão a ganhar tempo, como de costume. Fazem isto há décadas para se reforçarem”, afirmou o advogado Maximillien Jazani.
O franco-iraniano considerou que deve ser “mantida a pressão militar sobre a República Islâmica”, de forma a permitir que “o povo iraniano derrube o regime”.
O advogado disse que a campanha militar estava a ir no “caminho certo” e defendeu ataques a infraestruturas utilizadas pela Guarda Revolucionária iraniana, mesmo que pudesse afetar o povo.
“Na Alemanha, quando o regime nazi governava o país, os Aliados, principalmente os Estados Unidos, tiveram de bombardear também todas as infraestruturas porque isto é como um cancro”, afirmou Maximillien Jazani.
“Quando se tem um tumor cancerígeno, não se pode fazer uma cirurgia sem abrir o corpo para o remover e sem causar outros danos ao corpo. Mas é a única maneira de eliminar o cancro. É a mesma situação”, continuou, defendendo que o povo iraniano poderia reconstruir o país com “mais eficiência e infraestruturas modernas”.
Os manifestantes gritavam “Trump act now” (Trump age agora), apelando ao Presidente norte-americano, Donald Trump, que atacasse o regime.
Em alguns cartazes podia ler-se “No deals with terrorists” (não a acordos com terroristas).
Cristina Anahory Garin é portuguesa, judia e tem acompanhado a luta dos cidadãos iranianos em Portugal, com bandeiras dos Estados Unidos, Israel e Portugal, tendo defendido também que Telavive e Washington “têm de acabar o trabalho”.
“Ficarem a meio é péssimo, porque o Irão vai ficar ainda mais enraivecido, ninguém sabe até o que eles ainda têm, porque ainda têm muita coisa, portanto, acho que têm que acabar o trabalho”, argumentou.
Cristina Anahory Garin, que se apresenta como sendo pró-Israel, admitiu ainda assim ser contra a guerra.
“Eu detesto a guerra, acho que a guerra não serve para nada, mas neste caso não há outra solução”, continuou.
No entanto, defendeu que Israel deve prosseguir com a sua guerra contra o movimento xiita pró-iraniano Hezbollah no Líbano.
“Israel tem que acabar com o Hezbollah. Doa a quem doer”, disse, acrescentando que considera que o Governo libanês não fez o seu trabalho de desmantelar o Hezbollah.
“É difícil, acredito que sim, porque é uma organização terrorista e é sempre difícil, mas acho que agora as conversações entre Israel e o Líbano fazem sentido, mas não no acordo com o Irão”, acrescentou, referindo-se às negociações agendadas para terça-feira entre Telavive e Beirute em Washington.
Já Sarina, gestora de comunicação, discorda dos argumentos norte-americanos de que concretizaram uma mudança de regime.
“Todos os iranianos dentro do Irão e fora do Irão estão a dizer que não querem este regime. Não há nenhuma mudança”, disse, defendendo uma transição democrática e o regresso do filho do último Xá iraniano, Reza Pahlavi.
Sarina sublinhou ainda que os Estados Unidos não devem sequer negociar com a República Islâmica, uma vez que neste momento existem ainda presos políticos em risco de ser executados.
No chão, junto a uma bandeira iraniana de grandes dimensões, eram expostas fotografias de vários presos políticos que enfrentam o risco de ser executados pelas autoridades iranianas.
Estados Unidos e Irão acordaram um frágil cessar-fogo de duas semanas na terça-feira e enviaram delegações para o Paquistão para negociações que já se iniciaram e que deverão decorrer ao longo do fim de semana.
https://observador.pt/2026/04/11/tapetes-feitos-a-mao-e-60-mil-m2-assim-e-o-hotel-de-5-estrelas-no-paquistao-onde-decorrem-as-negociacoes-de-paz/