O treinador do Benfica, José Mourinho, afirmou este sábado que os encarnados precisam “muito de ganhar” a um Nacional que, antecipa, vai “jogar para o ponto” no duelo da 29.ª jornada da Primeira Liga de futebol.
“Espero uma equipa a vir jogar para o ponto, sem perder de vista a possibilidade de levar pontos. Nós precisamos muito de ganhar, por todas as razões. Eu li algumas das frases mais marcantes da conferência do Tiago Margarido em que diz que espera um Benfica reativo e, obviamente, que essa é a intenção”, disse.
Numa das poucas vezes em que, na conferência de imprensa, foi abordado o jogo deste domingo, Mourinho salientou que o Nacional “precisa de pontos” e que “joga para pontos”, tendo referido que os madeirenses são “bem treinados, defendem muito bem e são perigosos no contra-ataque”.
Ainda com as declarações do técnico após o desaire ante o Casa Pia (1-1) na jornada anterior ‘à cabeça’, José Mourinho vincou a vontade de ficar no Benfica na próxima temporada e de “lutar por títulos”.
Confrontado com a sua declaração em Rio Maior, na qual disse haver jogadores que tinha vontade de não colocar mais a jogar, afirmou ter sido resultado da “frustração” e que é “normal” um treinador querer mudar algo no seu plantel, principalmente após um “resultado difícil de aceitar”.
“Relativamente ao que disse, foi frustração. Só há cinco treinadores que não mudariam nada no seu plantel. Esses cinco são os únicos privilegiados. Eu também já fui, mas é normalíssimo qualquer treinador querer mudar algo no plantel. Principalmente após um resultado frustrante e difícil de aceitar”, vincou.
O técnico anunciou os regressos de Aursnes, Leandro Barreiro e Dedic às opções, bem como a inclusão do jovem Gonçalo Moreira na convocatória, da qual continuará ausente Tomás Araújo, a contas com problemas físicos.
Quanto às possibilidades de o Benfica chegar ao título de campeão nacional, José Mourinho começou por referir que a sua carreira se define por “perseverança, trabalho e resiliência”, mas também pelo “realismo”, confessando-se cético quanto à possibilidade de o FC Porto “perder sete pontos”, além de assumir que “complica” as contas o facto de as ‘águias’ não dependerem apenas dos seus resultados.
“Se a minha carreira reflete alguma coisa, é perseverança, trabalho e resiliência. Mas o sentido de realidade representa a minha carreira. O ‘matematicamente possível’ estimula-me muito quando dependes de ti próprio. Quando começas a estar nas mãos dos outros, a coisa fica mais complicada. Realisticamente, acho difícil o FC Porto perder sete pontos. É nossa obrigação lutar por estes 18 pontos que faltam e temos de ficar à espera que o FC Porto perca aqui ou ali”, salientou o treinador setubalense.
Embora estejam invictos na Primeira Liga, os encarnados somam já nove empates, o que levou Mourinho a afirmar que as equipas que jogam para “objetivos importantes” têm de ter “urgência” e de ganhar jogos mesmo sendo “pobres”.
“Este jogo com o Casa Pia é o que me fere mais enquanto treinador, pela atitude que tivemos. Fazendo análise, há coisas que temos de melhorar obrigatoriamente neste tipo de jogo aparentemente mais fácil. […] Tens de ‘martelar’ e acabar com o jogo o mais cedo possível. Após marcarmos, não podemos sofrer como sofremos. As equipas que jogam para objetivos importantes têm de ter urgência. As equipas que jogam para objetivos grandes têm de ganhar os jogos mesmo quando são pobres”, afirmou José Mourinho.
O Benfica recebe o Nacional no domingo, no Estádio da Luz, em Lisboa, a partir das 18h, num encontro com arbitragem de Fábio Veríssimo, da associação de Leiria.
Os encarnados ocupam a terceira posição do campeonato, com 66 pontos, menos dois do que o segundo colocado, Sporting, que tem menos um jogo disputado, e a sete do líder FC Porto, enquanto o Nacional é 15.º, com 25, os mesmos do Casa Pia, que tem um jogo em atraso.