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(A) :: A delegação iraniana chama-se "Minab 168" e foi para as negociações de paz num voo vazio. Porquê?

A delegação iraniana chama-se "Minab 168" e foi para as negociações de paz num voo vazio. Porquê?

A propósito das negociações para atingir um acordo de paz, a delegação iraniana viajou num avião com imagens de algumas das 168 pessoas que morreram num ataque à cidade de Minab no 1.º dia de guerra.

Mariana Marques Tiago
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No Irão, a semana de aulas vai de sábado a quinta-feira e há cerca de mês e meio, no dia 28 de fevereiro, foram inesperadamente interrompidas. Eram cerca de 10h45 quando um míssil atingiu a escola de raparigas Shajareh Tayyebeh. Situada na cidade de Minab, este foi um dos primeiros alvos a ser atingido em virtude da guerra dos EUA e Israel contra o Irão e matou mais de 168 pessoas. Aproveitando a primeira ronda negocial para tentar um acordo de paz, a delegação iraniana quis lembrar e assinalar este acontecimento.

Ao fim de quase dois meses de guerra, iniciaram-se este sábado as primeiras negociações de paz, a decorrer no Paquistão. Do lado iraniano, os representantes a quem cabe a missão de defender os interesses do país chegaram na véspera, identificando-se como ‘delegação Minab 168’.

Em Minab, no dia 28 de fevereiro, os bombardeamentos começaram quando as alunas entre os 7 e 12 anos já estavam em aula. Segundo relata a Al Jazeera, o primeiro míssil atingiu o teto das salas, levando a que a estrutura de betão colapsasse. O segundo míssil terá atingido o pátio enquanto as alunas tentavam fugir, sendo que se terá registado ainda um terceiro míssil.

Segundo a comunicação social estatal do Irão, morreram pelo menos 168 pessoas (entre as quais alunas, professores e pais) e 95 ficaram feridas. Por esse motivo, a delegação usa o número 168 ao lado do nome da cidade onde este ataque aconteceu. E não só: os representantes iranianos viajaram até ao local das negociações num avião parcialmente vazio onde foram colocadas imagens das alunas que morreram. A imagem foi partilhada por Mohammad Bagher Ghalibaf, porta-voz do Parlamento iraniano, na rede social X.

https://twitter.com/mb_ghalibaf/status/2042713505238077480

Segundo o jornal Guardian, não se registaram indícios de a escola em questão ser usada para fins militares, uma vez que o edifício das salas de aula e do pátio ficam separados do restante complexo do IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica) através de muros.

Inicialmente o Presidente Donald Trump negou qualquer envolvimento dos Estados Unidos neste ataque. Inclusivamente, o porta-voz do Comando Central dos EUA (CENTCOM), Tim Hawkins, disse que estavam “cientes dos relatos relativos a danos causados a civis resultantes das operações militares em curso”. “Levamos estes relatos a sério e estamos a investigá-los”, garantiu. Já o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o departamento de Guerra iria “investigar o caso”, mas reafirmou que os EUA “não atacariam deliberadamente uma escola”.

Contudo, escreve a Al Jazeera, investigações independentes feitas por diferentes órgãos de comunicação e grupos de direitos humanos afirmam que o ataque se terá tratado de um míssil Tomahawk fabricado pelos EUA.