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Recuo dos EUA leva Londres a suspender processo de devolução das ilhas Chagos à Maurícia

O acordo para a devolução das ilhas Chagos estava feito desde 2025. Mas Donald Trump recuou e Londres suspende agora o processo. Na ilha principal há uma base militar geridas por ambos os países.

Agência Lusa
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Londres vai suspender o projeto de devolução das Ilhas Chagos à Maurícia por falta de apoio do presidente norte-americano, informou neste sábado o gabinete do primeiro-ministro britânico, precisando que as discussões com os EUA e a Maurícia continuam.

“Continuamos a acreditar que este acordo é a melhor forma de proteger o futuro a longo prazo da base [militar anglo-americana de Diego Garcia], mas sempre afirmámos que só avançaríamos se contássemos com o apoio dos Estados Unidos”, declarou um porta-voz do primeiro-ministro, Keir Starmer.

Nos termos de um acordo assinado em maio de 2025, o Reino Unido deveria devolver as Ilhas Chagos à Maurícia, mas manter um contrato de arrendamento de 99 anos sobre a ilha principal, Diego Garcia, a fim de manter uma base militar anglo-americana nesta região estratégica. A ilha Diego Garcia foi descoberta pelos navegadores portugueses em 1512.

Donald Trump tinha inicialmente dado luz verde ao acordo. No entanto, em janeiro, Trump criticou veementemente o acordo, que classificou como uma “grande estupidez” de Londres, causando tensões entre os dois países.

https://observador.pt/2026/01/20/trump-acusa-reino-unido-de-cometer-ato-de-grande-estupidez-ao-entregar-ilha-de-diego-garcia-as-mauricias/

Diego Garcia é um trunfo militar estratégico essencial, tanto para o Reino Unido como para os Estados Unidos. Garantir a sua segurança operacional a longo prazo é e continuará a ser a nossa prioridade — essa é a razão de ser deste acordo”, afirmou ainda o porta-voz de Downing Street.

Esta base teve uma importância estratégica considerável para o Reino Unido e os Estados Unidos durante a Guerra Fria e desempenhou um papel fundamental nas duas guerras travadas pelos Estados Unidos no Iraque (1990-1991, 2003-2011) e nos bombardeamentos americanos no Afeganistão em 2001.

Na altura do acordo, o primeiro-ministro Keir Starmer insistiu que não havia “outra alternativa” e que esta era a “única forma de manter a base a longo prazo”.