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"Dedo no gatilho" na preparação das negociações entre Irão e EUA. O que aconteceu no último dia de guerra?

Dia ficou marcado pela antecipação das negociações de paz que se iniciam sábado. Trump volta a afirmar que o Irão já perdeu este conflito e garante que Ormuz será reaberto com ou sem a ajuda iraniana.

Mariana Marques Tiago
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A passada sexta-feira ficou marcada pela antecipação das negociações para um acordo de paz com o Irão, cuja primeira ronda acontece este sábado, no Paquistão. JD Vance é um dos enviados dos EUA para representação do país, sendo que o Presidente Donald Trump afirmou que tem confiança na equipa de negociação americana.

Trump reafirmou ainda que o Irão já perdeu esta guerra, tendo sido “militarmente derrotado”, assegurando que a reabertura do Estreito de Ormuz vai mesmo acontecer — com ou sem a ajuda iraniana.

O dia ficou também marcado por mais um finca pé do governo de Pedro Sánchez relativamente à posição de Espanha no que toca ao envolvimento da NATO neste conflito. E também pela tensão entre Israel e Hezbollah, com o país liderado por Netanyahu a recusar um cessar-fogo durante as negociações. Nesse sentido, os ataques à região sul do Líbano continuaram, com o grupo armado a retaliar em território israelita.

A sexta-feira ficou também marcada pelo aviso da Organização Mundial de Saúde (OMS) de que Israel poderia vir a atacar ambulâncias no Líbano — algo que se veio a registar-se nas horas seguintes, segundo afirmou a agência noticiosa libanesa. Israel não confirmou qualquer ataque.

Pode recordar os acontecimentos de sexta-feira aqui.

Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo da passada sexta-feira, dia 10 de abril:

No Irão

  • O exército iraniano disse estar “com o dedo no gatilho” na véspera das negociações para um acordo de paz, devido àquilo que classificam com repetidas “falhas de confiança” por parte dos Estados Unidos e de Israel.
  • A delegação iraniana chegou ao Paquistão para negociar o acordo de paz com os EUA.
  • O Irão definiu duas exigências para atingir a paz: um cessar-fogo no Líbano e o desbloqueio de ativos iranianos. O principal negociador em representação do país disse que há “boa vontade”, mas que não confiam nos EUA.
  • Antes do início das negociações, Trump avisou o Irão de que o país está “a carregar os navios” com “as melhores munições” para levar a cabo novos ataques caso as negociações falhem. O Presidente dos EUA reafirmou uma vez mais que o Irão foi “derrotado militarmente” e garantiu que o Estreito de Ormuz vai ser reaberto, “com ou sem” a ajuda iraniana.

Em Israel e no Líbano

  • Os ataques israelitas contra o Líbano continuaram durante a madrugada e também durante o dia, com ataques aéreos frequentes. Houve pelo menos nove mortos, sendo que Israel afirmou que ia continuar “a expandir operações” no país Líbano contra o Hezbollah.
  • Em resposta, o Hezbollah atacou soldados israelitas no sul do Líbano e continuou também os ataques no norte de Israel.
  • A crise nos hospitais do Líbano continuou a agravar-se, principalmente depois de o país enfrentar o dia “mais sangrento” desta guerra, na passada quinta-feira.
  • A Organização Mundial de Saúde alertou para a possibilidade de Israel atacar ambulâncias no Líbano e poucas horas depois terá acontecido: varias ambulâncias e carros dos bombeiros foram bombardeados, segundo a agência noticiosa do Líbano.
  • Os EUA e o Líbano pediram a Israel um cessar-fogo temporário com o Hezbollah durante as negociações, mas Israel recusou.
  • Israel foi apelidado de” maldição para a humanidade” pelo Paquistão, que apagou a publicação logo a seguir. Ainda assim, Israel reagiu e disse que esta declaração “não pode ser tolerada por qualquer governo”.
  • Segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, o número de mortos em ataques israelitas no país subiu para 357 em virtude dos ataques de quarta-feira.

No resto do mundo

  • O ministro da Defesa do Reino Unido, Luke Pollard, respondeu a Donald Trump, que tinha dito que  a marinha inglesa é “demasiado antiga”. O governante inglês garantiu que o país tem “uma Marinha Real forte” e que se destaca em todo o mundo.
  • Espanha voltou uma vez mais a firmar a sua posição neste conflito, afirmando ao secretário-geral da NATO que esta organização não irá envolver-se na guerra. Em resposta a Mark Rutte, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, garantiu: “A NATO não terá qualquer participação nesta guerra. Nós, os aliados, não fomos nem informados nem consultados. O Médio Oriente não se encontra dentro do raio de ação da NATO e, por isso, não só nós como muitos aliados se manifestaram no mesmo sentido: a NATO não participará nesta guerra”.
  • Espanha voltou também a acusar Israel de cometer “violações flagrantes do direito internacional humanitário”, sendo que o líder espanhol Pedro Sánchez defendeu a suspensão do Acordo de Associação entre a União Europeia (UE) e Israel. “Não permitamos uma nova Gaza no Líbano”, disse, sublinhando que “a Europa precisa de agir de forma consistente”.
  • Em reação, Israel excluiu Espanha do Centro de Coordenação Civil-Militar (CMCC), responsável pela monitorização do cessar-fogo na Faixa de Gaza, devido ao que descreveu como um “preconceito anti-israelita flagrante”. Israel acusou ainda o governo espanhol de ter uma “obsessão anti-Israel”.
  • A Hungria recebeu uma promessa de apoio económico dos EUA, que elogiou a “liderança contínua” de Orbán. O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que está disponível para mobilizar “todo o poder económico” do país para apoiar a economia húngara, “caso o primeiro-ministro Viktor Orbán e o povo húngaro alguma vez precisem”. A Hungria prepara-se para ir a eleições já este domingo, dia 12 de abril, sendo que o principal opositor de Orbán parece estar a ganhar destaque nas intenções de voto.