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Vítimas de Epstein criticam Melania Trump por pedir testemunhos públicos no Congresso

A primeira-dama dos EUA pediu que as vítimas de Jeffrey Epstein sejam ouvidas publicamente no Congresso. Um grupo de vítimas acusa Melania Trump de tentar "transferir o fardo" para as sobreviventes.

Cátia Rocha
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Um grupo de vítimas de Jeffrey Epstein tece críticas às declarações de Melania Trump esta quinta-feira, na Casa Branca. “Não sou uma das vítimas de Epstein”, declarou a primeira-dama nos EUA, pedindo também que as vítimas testemunhem publicamente no Congresso dos EUA.

Aos olhos das vítimas, trata-se de uma tentativa de “transferir o fardo” para as sobreviventes, declaram num comunicado de resposta, que é citado pela democrata Melanie Stansbury, do Novo México. Stansbury integra o Comité de Supervisão do caso Epstein, tendo um contacto regular com as vítimas.

https://observador.pt/2026/04/09/nao-sou-uma-das-vitimas-melania-trump-nega-noticias-falsas-sobre-relacao-com-epstein/

“As sobreviventes de Jeffrey Epstein já mostraram uma coragem extraordinária ao denunciarem, preencher relatórios e dar testemunhos. Pedir-lhes mais agora é um desvio de responsabilidade, não é justiça“, diz o grupo de mulheres — duas delas referidas apenas como Jane Doe, um nome fictício dado pelas autoridades norte-americanas a pessoas não identificadas. Sky Roberts, o irmão de Virginia Giuffre, a mulher que acusou André Mountbatten-Windsor, também assina o comunicado.

https://observador.pt/2025/04/26/morreu-virginia-giuffre-a-mulher-que-acusou-o-principe-andre-de-abuso-sexual/

“A primeira-dama Melania Trump está agora a transferir o fardo para as sobreviventes no âmbito de condições politizadas que protegem quem está no poder: o Departamento de Justiça, as forças da autoridade, procuradores e a administração Trump, que ainda não está a cumprir na totalidade com a lei de transparência dos ficheiros Epstein”, declaram.

As vítimas também consideram que as declarações de Melania Trump, que geraram alguma surpresa nos EUA, são uma tentativa de desviar as atenções do caso de Pam Bondi. “(…) Que tem de responder por ter retido os ficheiros e ter exposto a identidade das sobreviventes. Estas falham continuam a pôr vidas em risco enquanto protegem” quem permitiu os abusos. “As sobreviventes fizeram a sua parte. Agora é altura de quem está no poder fazer a sua.”

https://twitter.com/Rep_Stansbury/status/2042439530565750899

Esta semana, o Departamento de Justiça afirmou que a procuradora-geral Pam Bondi, que foi demitida por Trump a 2 de abril, não vai cumprir com o pedido de declarações sobre a atuação no caso Epstein.

Maria e Annie Farmer, outras das vítimas de Epstein, emitiram um comunicado, citado pelo Guardian, onde dizem que “não podem falar pelas outras sobreviventes”, mas pedem “responsabilização, transparência e justiça”.

https://observador.pt/2025/07/21/mulher-que-acusa-epstein-diz-que-instou-autoridades-a-investigarem-ligacoes-a-trump-ha-decadas/

O governo federal há muito que tem gerido mal a investigação sobre Epstein, ignorando repetidamente as vítimas, violando a sua privacidade e recusando-se a divulgar os restantes registos na posse do Departamento de Justiça – incluindo os nossos registos completos do FBI de 1996″, dizem as irmãs.

Marina Lacerda, que também acusou Epstein e assina o comunicado do grupo de vítimas, usou o Instagram para comentar as declarações de Melania Trump. “É suposto depormos no Congresso, sob juramento? Para quê? Por favor expliquem-me porquê. Vai mudar alguma coisa? As pessoas vão ser responsabilizadas?”

“Aprovámos a lei da transparência, os processos foram arquivados, temos nomes nos processos e ninguém fez nada”, acrescenta Marina Lacerda. “Mas, mesmo assim, querem traumatizar-nos novamente e pedir-nos para comparecer perante o Congresso para lhes contar a nossa história, que já contámos a alguns deles, e agora querem que lhes contemos outra vez… para depois não fazerem absolutamente nada.”