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Funcionários da Casa Branca foram avisados para não apostarem em mercados de previsão

Aviso por e-mail e visto como um "lembrete oportuno" por uma fonte interna. Porta-voz de Trump nega que alguém usasse informação privilegiada. Mas suspeitas geram indignação — até nos mais próximos.

Mariana Furtado
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Um dia depois de o Presidente Donald Trump ter anunciado a suspensão dos ataques ao Irão, a 23 de março, a Casa Branca enviou um aviso interno aos funcionários a desaconselhar a utilização de plataformas de apostas, na sequência de movimentos associados à guerra no Irão considerados suspeitos, noticiou o The Wall Street Journal (WSJ), citando fontes familiarizadas com o assunto. Nos minutos que antecederam o anúncio da suspensão dos ataques, os mercados de apostas registaram uma atividade intensa.

O aviso, enviado por e-mail a 24 de março pelo Gabinete de Gestão da Casa Branca, foi interpretado por um responsável interno, citado pelo WSJ, como um “lembrete” oportuno, numa altura em que estas apostas estão “em alta nas notícias”.

https://observador.pt/2026/03/06/contas-anonimas-lucram-milhares-com-apostas-no-ataque-dos-eua-ao-irao-e-lancam-suspeitas-sobre-acesso-a-informacao-priviligiada/

Apesar das suspeitas levantadas em torno de movimentos atípicos na plataforma Polymarket, o jornal norte-americano escreve que não existem provas de fugas de informação nem de utilização de dados privilegiados por parte de qualquer elemento da administração. As regras éticas em vigor já proíbem funcionários federais de participarem em apostas em propriedades governamentais e de recorrerem a informação interna para obtenção de vantagens pessoais.

A administração norte-americana já confirmou a autenticidade do aviso interno. O porta-voz de Trump, Davis Ingle, afirmou ao jornal que “o único interesse especial que guiará o Presidente Trump é o melhor interesse do povo americano”.

“O Presidente Trump foi muito claro”, acrescentou Ingle, “embora queira um mercado de ações forte e lucrativo para todos, membros do Congresso e outros funcionários do Governo devem ser proibidos de usar informações não públicas para obter benefícios financeiros”. O porta-voz rejeitou ainda qualquer sugestão de que alguém dentro do Governo estivesse a utilizar informação privilegiada para lucro próprio.

Ainda assim, os acontecimentos geraram indignação em alguns setores, incluindo entre apoiantes do Presidente. “É repugnante”, afirmou Tom Ellsworth no PBD Podcast a 25 de março. O investidor de longa data e co-apresentador de um programa habitualmente favorável a Trump— considerou que o momento em que tudo ocorreu “levanta dúvidas” de que um “um círculo de pessoas” no Governo poderia ter tido conhecimento antecipado do que o Presidente iria anunciar e ter agido com base em informação privilegiada. “O momento escolhido” é “certamente” suspeito, conclui.

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