Acompanhe o nosso liveblog sobre a guerra no Médio Oriente
Ami Gaidarov, um israelita de 22 anos, foi detido pela polícia de Israel e pelo Shin Bet (os serviços secretos internos do país) por alegadamente ter fabricado explosivos com o objetivo de matar o antigo primeiro-ministro israelita, Naftali Bennett (que deixou o poder em 2022). O jovem é acusado de traição, tendo as autoridades pedido ao Ministério Público israelita que continue detido mesmo após o fim da investigação.
O jovem, que entretanto foi levado a interrogatório, terá recebido mais de 70 mil shekels (cerca de 19.600 euros) por realizar certas missões sob ordem dos serviços secretos iranianos, com quem Ami Gaidarov terá mantido contacto desde agosto de 2025, lê-se no jornal israelita Haaretz, que detalha que os pagamentos eram feitos maioritariamente em criptomoedas.
Naftali Bennett, que liderou o país entre junho de 2021 e junho de 2022, teceu críticas ao atual primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu. E deixou clara a sua intenção de o substituir. Em entrevista ao canal Ynet no final do mês passado, Bennett afirmou que após 30 anos na política, Netanyahu “precisa de ir para casa”. “É claro que não vou servir sob o seu comando; vou substituí-lo. Netanyahu está a destruir o Estado de Israel”, disse. No entanto, demonstrou apoio à decisão de atacar o Irão, considerando-a “justificada”.
Segundo um comunicado emitido pelo Shin Bet e pelas autoridades de Israel, os explosivos eram fabricados por Ami Gaidarov num apartamento que alugou em Haifa, a terceira cidade israelita mais importante. O jovem terá registado todo o processo de fabrico através de fotografias e vídeos, que enviou depois ao seu contacto nas secretas iranianas como prova. E terá, até, contado aos seus amigos que estava em contacto com as secretas do Irão, a quem recorreu para adquirir matéria-prima para o fabrico dos explosivos.
Uma das missões atribuídas a Gaidarov, alegam as autoridades israelitas, terá sido fotografar o porto de Haifa, assim como os locais de impacto de mísseis na região norte de Israel (onde se localiza esta cidade). Além disso, o Irão terá também dado indicações a Gaidarov para que o jovem arrendasse uma casa com vista para o porto de Haifa, na qual tinha de instalar uma câmara.
https://observador.pt/2026/04/07/cidadaos-israelitas-sob-investigacao-por-alegada-producao-de-explosivos-para-o-irao/
Ami Gaidarov não foi o único israelita a ser acusado de traição por ajudar o Irão. Nas últimas semanas as autoridades têm levado a cabo várias investigações e mais cidadãos têm sido detidos para interrogatório. Na lista consta, por exemplo, Sergey Liebman e Eduard Shovtyuk, dois investigadores que terão ajudado Gaidarov a obter os materiais necessários para fabricar as bombas, assim como tê-lo-ão ajudado a esconder os explosivos.
[As testemunhas, os relatórios, as fotos e os vídeos que desvendam como Renato Seabra matou Carlos Castro em Nova Iorque. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir o primeiro episódio, aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music]

Só na passada terça-feira, lê-se no Haaretz, Israel anunciou que quatro soldados no ativo tinham sido detidos nas instalações do Shin Bet sob suspeita de espionagem para o Irão. Antes disso, outro jovem israelita, de 21 anos, também foi acusado de traição, sendo que as autoridades israelitas dizem que terá mantido contacto com um agente das secretas iranianas que conheceu pelas redes sociais.
E na semana passada, por exemplo, um outro israelita que trabalhava como intérprete para a polícia e tribunais do país foi acusado de espionagem por, alegadamente, ter passado informações sensíveis a um agente iraniano.