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As Nações Unidas alertaram esta sexta-feira para o rápido aumento da insegurança alimentar no Líbano, um país mergulhado na guerra que está a atingir a região do Médio Oriente.
“Os comboios do Programa Alimentar Mundial (PAM) ainda estão a funcionar, mas o ambiente operacional está a tornar-se cada vez mais complexo”, disse a diretora do PAM no Líbano, Allison Oman.
“A segurança já não pode ser dada como garantida, mas entretanto, as necessidades estão a aumentar rapidamente”, referiu Oman, a partir de Beirute, aos jornalistas em Genebra.
“Embora dez comboios tenham conseguido partir” desde o início do conflito para chegar às populações necessitadas no Líbano, “muitos” outros não o conseguiram porque “a segurança não podia ser garantida”, explicou.
Para além das dificuldades no transporte dos comboios, Oman explicou que as perturbações nas cadeias de abastecimento e o aumento da insegurança alimentar se devem, em particular, à incapacidade de alguns agricultores em cultivar as suas terras no sul do Líbano e às dificuldades de transporte.
A responsável do PAM indicou que se soma à situação os efeitos do aumento dos preços globais dos combustíveis e dos fertilizantes.
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O movimento xiita Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional no Médio Oriente, a 2 de março, lançando mísseis contra Israel para vingar a morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, que foi morto no primeiro dia da ofensiva de Israel e dos Estados Unidos contra o Irão, a 28 de fevereiro.
Um frágil cessar-fogo está atualmente em vigor entre o Irão e os Estados Unidos. A comunidade internacional teme que esta trégua possa ser comprometida pela continuidade da campanha israelita no Líbano.
https://observador.pt/2026/04/08/trump-avisou-que-uma-civilizacao-inteira-ia-morrer-mas-por-fim-chegou-o-cessar-fogo-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/
O Programa Alimentar Mundial apelou ao “acesso seguro e contínuo” para prestar a ajuda necessária às comunidades afetadas, particularmente em zonas de difícil acesso.
A crise no Líbano “está a tornar-se rapidamente uma crise de segurança alimentar”, afirmou Oman, explicando que o PAM já está a observar claros sinais de aumento dos preços dos alimentos, principalmente do pão e dos legumes, em todo o país.
“Para as famílias que já lutam para sobreviver, a situação é extremamente preocupante e estamos a assistir a um conjunto de circunstâncias muito alarmantes: os preços estão a subir, os rendimentos estão a cair e a procura está a aumentar”, alertou, referindo que o Líbano já enfrentava uma grave crise económica antes desta guerra.
“Mesmo antes desta última escalada, aproximadamente 900 mil pessoas no Líbano sofriam de insegurança alimentar e a nossa análise mais recente, que será provavelmente publicada na próxima semana, indica que este número tende a aumentar”, enfatizou a responsável do PAM.