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Um grupo de observadores eleitorais independentes denunciou esta sexta-feira como ilegítimas as eleições realizadas pela junta militar de Myanmar (ex-Birmânia), entre dezembro e janeiro, que elegeu Min Aung Hlaing como Presidente do país.
As eleições da junta militar “não podem ser consideradas legítimas”, afirmou Brizza Rosales, diretor da Rede Asiática para Eleições Livres (ANFREL), durante a apresentação da análise destas eleições.
A junta militar de Myanmar, liderada por Min Aung Hlaing, está no poder desde o golpe de Estado realizado em fevereiro de 2021, depondo a líder democraticamente eleita Aung San Suu Kyi.
As declarações de Rosales ocorreram no mesmo dia em que Min Aung Hlaing, que foi o líder do golpe, tomou posse como Presidente de Myanmar numa cerimónia no Parlamento em Naypyidaw. A junta militar também foi esta sexta-feira dissolvida.
Segundo a ANFREL, em consonância com as denúncias feitas por organizações não-governamentais, grupos de oposição e a maior parte da comunidade internacional, faltou a estas eleições uma oposição representativa, um processo inclusivo e de um ambiente livre para o exercício de direitos e liberdades.
As “mínimas condições democráticas” não foram atendidas nestas eleições, de acordo com a ANFREL.
As eleições foram realizadas em três fases, entre 28 de dezembro e 25 de janeiro, no âmbito dos esforços do regime militar para iniciar uma transição política com o objetivo de ultrapassar o isolamento internacional.
O Partido da União, Solidariedade e Desenvolvimento (USDP), ligado aos militares, venceu as eleições e o líder militar Min Aung Hlaing foi eleito Presidente do país para um mandato de cinco anos na passada sexta-feira pelo novo Parlamento, dominado pelos militares.
As eleições foram realizadas sem cerca de 40 partidos que foram proibidos após o golpe, incluindo a Liga Nacional para a Democracia (LND), de Aung San Suu Kyi. O partido da líder pró-democracia – presa desde o golpe – venceu as eleições de 2020, que foram anuladas pela junta militar, que alegou fraude massiva, apesar de terem o apoio de observadores independentes.
Os analistas denunciaram esta sexta-feira a “intimidação e pressão” dos militares para obrigar a população a votar nas eleições que organizaram, assim como as leis que puniram com penas de prisão aqueles que apelaram ao boicote das eleições.