O Irão reafirmou e insistiu na sua posição: o cessar-fogo de duas semanas acordado com os Estados Unidos deve incluir o Líbano. Ainda assim, Israel e o Hezbollah prosseguiram os combates no sul de território libanês, tendo sido, segundo o Ministério da Saúde do Líbano, o “dia mais sangrento” desde o início da guerra no Irão — foram contabilizadas pelo menos 254 vítimas mortais.
No entanto, parece haver uma solução à vista. Depois da pressão do enviado especial norte-americano Steve Witkoff, o primeiro-ministro israelita concordou que haja negociações mediadas pelos Estados Unidos em Washington com o Governo libanês para discutir o desarmamento do Hezbollah, apesar de Benjamin Netanyahu ter enfatizado que não parará os ataques ao país vizinho. Na comunidade internacional, vários países — China, França e até a Rússia — têm deixado o mesmo apelo: o cessar-fogo de duas semanas deve incluir o Líbano.
O Estreito de Ormuz continua a gerar várias dúvidas sobre o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão. O canal marítimo continua fechado e o regime iraniano veio declarar que apenas 15 embarcações poderão transitar por dia. O Presidente norte-americano, Donald Trump, já veio advertir que Teerão está a assumir uma postura “desrespeitosa” e avisou que não permitirá que sejam cobradas taxas no Estreito de Ormuz.
Pode recordar os acontecimentos de quarta-feira aqui.
https://observador.pt/2026/04/09/violacoes-do-cessar-fogo-e-um-ataque-brutal-no-libano-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quinta-feira, dia 9 de abril:
No Irão
- O Presidente norte-americano queixou-se nas redes sociais do cumprimento do cessar-fogo pelo Irão. “O Irão está a fazer um trabalho muito mau trabalho, desrespeitoso diriam alguns, ao não permitir que o petróleo transite no Estreito de Ormuz. Não é o acordo que temos”.
- Donald Trump condenou ainda a possibilidade de o Irão estar a cobrar taxas aos navios que passem pelo Estreito de Ormuz: “É melhor que isso não aconteça e, se estiver a acontecer, que pare agora”.
- Em resposta ao cessar-fogo de duas semanas, o Governo iraniano limitou a passagem de navios no Estreito de Ormuz a um máximo de 15 embarcações por dia.
- Neste contexto, a Organização de Portos e Navegação do Irão emitiu ordens para obrigar os navios a seguir rotas específicas coordenadas pela Marinha da Guarda Revolucionária, alertando para a existência de minas fora dessas rotas.
- Em resposta às exigências norte-americanas, o chefe da agência de energia nuclear do Irão, Mohammad Eslami, rejeitou qualquer restrição ao enriquecimento de urânio, que Donald Trump já defendeu como uma linha vermelha.
- O Departamento de Estado norte-americano indicou que a ofensiva israelo-americana dos últimos 40 dias destruiu mais de 85% do complexo militar-industrial do Irão.
- As autoridades iranianas revelaram que mais de três mil pessoas morreram no Irão desde o início do conflito, a 28 de fevereiro.
- Vários iranianos apoiantes do regime saíram às ruas para prestar homenagem ao antigo Líder Supremo, Ali Khamenei.
- Uma delegação iraniana já chegou ao Paquistão no âmbito das negociações com os Estados Unidos marcadas para sábado.
Em Israel e no Líbano
- O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reafirmou que os ataques israelitas ao Líbano violam o acordo de cessar-fogo de duas semanas com os EUA.
- O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, fez o mesmo e sublinhou que o Líbano é “parte inseparável” do cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão.
- Cedendo pela primeira vez à pressão iraniana e norte-americana (em concreto do enviado especial Steve Witkoff), o primeiro-ministro de Israel deu luz verde ao início de negociações em Washington com o Governo libanês (sem o Hezbollah), focadas no desarmamento da milícia xiita aliada do Irão.
- Como prova do compromisso com as negociações com Israel, o Conselho de Ministros libanês ordenou às forças de segurança que restrinjam as armas em Beirute exclusivamente a instituições estatais e não as distribuam entre os militantes do Hezbollah.
- Ainda assim, o primeiro-ministro israelita garantiu que os ataques de Israel ao Hezbollah vão continuar.
- As Forças de Defesa de Israel continuaram a ofensiva aérea e terrestre no sul do Líbano: cercaram a cidade de Bint Jbeil e destruíram duas pontes sobre o Rio Litani.
- Israel voltou a emitir avisos de evacuação para os subúrbios do sul de Beirute, antevendo novos ataques.
-
O gabinete de segurança israelita aprovou em segredo um número recorde de novos colonatos na Cisjordânia ocupada.
- Em retaliação, o Hezbollah retomou os ataques, dando conta de que disparou 70 rockets contra o norte de Israel. A milícia xiita respondeu também aos ataques israelitas no sul do Líbano.
- Em relação aos bombardeamentos que se abateram sobre Beirute na passada quarta-feira, Israel confirmou de Ali Youssef Harshi, sobrinho e conselheiro do secretário-geral do Hezbollah, Naim Qassem. O comandante do Hezbollah em Sidon, Maher Qassem Hamedan, também foi morto.
- O dia 9 de abril foi o mais “sangrento” desde o reinício das operações militares israelitas a 2 de março. O Ministério da Saúde libanês contabilizou 254 mortos e 1.165 feridos em 24 horas.
- O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, declarou luto nacional e mobilizou todos os recursos diplomáticos para tentar travar a “máquina da morte” israelita.
No Golfo
- O cessar-fogo continua a ser violado e vários países do Golfo continuaram a ser atacados.
- Um drone iraniano atingiu uma instalação da Guarda Nacional do Kuwait. Em jeito de resumo dos ataques iranianos, o país deu conta de que registou danos materiais graves em refinarias de petróleo, centrais elétricas e unidades de dessalinização.
- Nos Emirados Árabes Unidos, o complexo de gás natural de Habshan, em Abu Dhabi, foi atingido após mísseis iranianos terem sido intercetados. Três pessoas ficaram feridas.
- O Governo dos Emirados Árabes Unidos exigiu esclarecimentos aos Estados Unidos sobre os termos do cessar-fogo, denunciando que tem sido alvo de vários ataques iranianos.
- O Qatar referiu que foram intercetados mísseis e drones (no total sete) do Irão.
- O Ministério da Defesa do Bahrain indicou que foram intercetados sete drones iranianos que violaram o seu espaço aéreo.
- A Arábia Saudita confirmou que um ataque iraniano ao oleoduto Leste-Oeste diminuiu em 10% a capacidade de exportação de petróleo daquela infraestrutura — a única que permite que os sauditas exportem petróleo sem passarem pelo Estreito de Ormuz.
No resto do mundo
- O Governo iraquiano deteve os suspeitos de um ataque com drones em Erbil que matou um dirigente militar francês.
- Perante a fragilidade do cessar-fogo, os líderes de milícias xiitas iraquianas alinhadas com Teerão ameaçaram novamente atacar os alvos dos EUA e Israel se a ofensiva no Líbano não parar.
- Os Houthis do Iémen também deixaram um aviso semelhante: o conflito no Líbano pode levar ao colapso total do acordo e ao retomar das operações militares no Mar Vermelho.
- O Presidente de França, Emmanuel Macron, continuou a pressionar todas as partes para que o Líbano seja incluído no cessar-fogo, descrevendo os ataques israelitas como injustificáveis.
- A ministra dos Negócios Estrangeiros do Reino Unido, Yvette Cooper, exigiu também a inclusão do Líbano no acordo.
- A União Europeia, através da sua chefe da diplomacia Kaja Kallas, fez o mesmo: pediu o cessar urgente das hostilidades no Líbano, ainda que também tivesse defendido o desarmamento do Hezbollah.
- A China reafirmou que a soberania do Líbano “não deve ser violada”.
- A Rússia condenou categoricamente os ataques israelitas ao Líbano e exigiu um cessar-fogo imediato que “se estenda” ao Líbano.
- O secretário-geral da ONU, António Guterres, avisou que os ataques israelitas ao Líbano “representam um grave risco” para o cessar-fogo EUA-Irão.
- A diretora do FMI, Kristalina Georgieva, anunciou que as previsões de crescimento mundial serão revistas em baixa após os efeitos do conflito do Irão.
- Os preços do petróleo voltaram a subir devido ao encerramento do Estreito de Ormuz..