Stefano Gabbana, que em 1985 fundou a marca de moda Dolce & Gabbana com o seu então parceiro Domenico Dolce, renunciou ao cargo de presidente da marca italiana. Depois de decisão, tomada em dezembro passado e noticiada apenas esta quinta-feira, Stefano, de 63 anos, estará a considerar opções para a participação de 40 por cento que detém na empresa.
O afastamento do cargo é conhecido numa altura sensível para o futuro da D&G, que viu a partir de janeiro Alfonso Dolce, irmão de Domenico e atual CEO, assumir a presidência de forma transitória — segundo a Bloomberg, Stefano Cantino, o antigo CEO da Gucci (que ao fim de nove meses cedeu a pasta a Francesca Bellettini, em mais uma dança de cadeiras na liderança movida pelo grupo francês de luxo Kering) poderá ser o senhor que se segue no cargo de chairman. Já esta sexta-feira, enquadra a Vogue Business, a D&G informou através de comunicado oficial que apesar desta decisão, Stefano irá manter as funções criativas que assegurou até aqui, sugerindo que se mantém na empresa e que os designers continuarão a dividir esforços na conceção das coleções futuras, dúvida que ficara no ar.
O cenário de arrefecimento do mercado do luxo, acentuado pela incerteza trazida pela guerra no Médio Oriente, abalou a imagem de sucesso e obrigou a marca a alterar os planos traçados no final de 2024, quando anunciou um projeto na Arábia Saudita como parte do seu projeto de expansão no Oriente Médio. Em março deste ano, a Bloomberg dava conta das negociações em curso com bancos credores, numa tentativa de refinanciar uma dívida na ordem dos 450 milhões de euros — ao mesmo tempo, vai expandindo a sua presença em alguns mercados. Já em 2025, a marca terá recorrido a uma injeção de até 150 milhões de euros, e à venda de ativos imobiliários e renovação de licenças como forma de reforçar a liquidez, num processo de reestruturação que estará a ser conduzido pelo grupo italiano Rothschild & Co, e que ainda se encontra numa fase inicial.
Ao longo das últimas décadas tem sido costume a execução de uma estratégia que contraria muitas vezes as regras escritas e não escritas da indústria — como enviar um comunicado anunciando semelhantes decisões de peso. Em 2019, a dupla, que até à data mantém o controlo sobre a empresa, revia os planos que durante anos foram partilhando. Depois de muito tempo a garantir que os seus negócios iriam fechar quando se reformassem, a Vogue dava conta de uma alteração dos planos: a Dolce & Gabbana deveria ficar nas mãos nas gerações atuais e futuras da família Dolce.
Do pronto a vestir aos acessórios, da cosmética à fragrância, licenciado ainda o seu nome e marca no segmento dos óculos para a Luxottica, a Dolce & Gabbana, também conhecida simplesmente pelas iniciais dos fundadores, D&G, foi fundada em 1985 em Legnano pelo siciliano Domenico Dolce e pelo milanês Stefano Gabbana, que fundaram a etiqueta um ano depois de terem lançado uma consultoria de design, para erguer um império de sensualidade seguido por celebridades como Beyoncé, Madonna (que em março último foi a estrela máxima do desfile D&G em Milão) e até o elenco de o Diabo veste Prada 2, que usou um dos recentes desfiles da marca como set de rodagem para a sequela da fita.
Esta notícia foi atualizada às 11h00 de sexta-feira, com a informação oficial da D&G sobre a permanência de Stefano Gabbana à frente dos destinos criativos da marca, apesar da retirada da presidência.
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