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O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, abordou esta quinta-feira com o Presidente norte-americano, Donald Trump, a necessidade de um “plano prático” para a retoma “rápida” do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz.
Segundo refere o Governo britânico num comunicado, ambos os líderes discutiram numa conversa telefónica a reabertura “o mais rapidamente possível” de Ormuz, passagem fundamental para o comércio mundial, e concordaram que “agora que há um cessar-fogo em vigor e um acordo para abrir o estreito” a “fase seguinte” é “alcançar uma solução” prática.
Starmer encontra-se no Qatar, no âmbito de uma digressão pelo Médio Oriente para abordar os esforços diplomáticos para terminar o conflito desencadeado a 28 de fevereiro pelos bombardeamentos israelitas e norte-americanos contra o Irão, que respondeu com ataques aos países-vizinhos e declarando o encerramento do Estreito de Ormuz.
“O primeiro-ministro expôs [a Trump] o conteúdo das suas conversas com os líderes do Golfo e os responsáveis militares da região sobre a necessidade de restabelecer a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz, bem como os esforços do Reino Unido para reunir os parceiros a fim de acordar um plano viável”, refere o comunicado de Downing Street.
O Presidente norte-americano disse esta quinta-feira estar “muito otimista” sobre um acordo com o Irão, nas negociações previstas para os próximos dias em Islamabad, e pediu ao primeiro-ministro israelita para usar moderação no Líbano.
Numa referência às autoridades iranianas, Donald Trump afirmou, numa entrevista por telefone à cadeia norte-americana NBC News, que “falam de forma muito diferente nas reuniões do que falam com a imprensa, são muito mais razoáveis”.
Segundo Trump, os dirigentes de Teerão “estão a aceitar tudo o que têm de aceitar”, porque “foram derrotados, já não há forças armadas”, ao fim de mais de um mês da ofensiva aérea desencadeada por Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
“Se não fizerem um acordo, vai ser muito doloroso”, advertiu, antes das negociações de paz entre as delegações norte-americanas e iranianas, na capital paquistanesa, que estiveram ameaçadas por um violento ataque de Israel no Líbano na quarta-feira.
Dezenas de bombardeamentos em Beirute e no sul e leste do Líbano provocaram 303 mortos e 1.150 feridos, segundo o último balanço do Ministério da Saúde libanês, levando Teerão a repor temporariamente o bloqueio ao tráfego marítimo no estreito de Ormuz e a colocar em dúvida a deslocação dos seus negociadores a Islamabad.
A Casa Branca anunciou que a delegação dos Estados Unidos será liderada pelo vice-Presidente norte-americano, JD Vance, acompanhado pelo enviado Steve Witkoff e pelo genro de Trump Jared Kushner, e indicou que as conversações devem ter início na manhã de sábado.
A parte iraniana deverá ser representada pelo presidente do parlamento, Mohammad Bagher Ghalibaf, e pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi.
A agenda negocial deverá ser dominada pelo programa nuclear iraniano e de produção de mísseis de longo alcance, bem como o futuro do estreito de Ormuz, onde passavam antes da guerra 20% do petróleo e gás natural do mundo, o apoio de Teerão a milícias na região, bem como mecanismos para evitar um novo conflito e as sanções internacionais contra a República Islâmica.
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