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85 anos depois, há direitos dos doentes oncológicos por conquistar

O impacto do cancro vai muito além do período de tratamentos. Para muitos doentes, traduz-se em ausências prolongadas do trabalho e no aumento significativo de despesas.

Vítor Veloso
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Ao celebrar 85 anos de existência, a Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC) reafirma a sua missão de estar ao lado de quem enfrenta a doença oncológica. Este percurso tem sido possível graças à dedicação de voluntários, colaboradores e da população, cujo empenho permite que milhares de pessoas beneficiem de apoio direto, prevenção, formação e investigação.

Neste contexto, a LPCC assume também a defesa dos direitos sociais dos doentes, entre os quais se destaca a atribuição de baixa médica a 100% nos casos de maior gravidade clínica. Esta medida permitiria garantir estabilidade financeira em períodos particularmente exigentes, em que a doença e os tratamentos comprometem a capacidade de trabalho, possibilitando que os doentes se concentrem plenamente na recuperação.

De facto, o impacto do cancro vai muito além do período de tratamentos. Para muitos doentes, traduz-se em ausências prolongadas do trabalho e no aumento significativo de despesas com deslocações, medicação, alimentação, transporte e próteses. É neste enquadramento que a defesa da baixa a 100% se torna essencial. Não se trata de uma medida indiscriminada, mas sim de uma resposta dirigida a situações de maior gravidade clínica, sustentada em evidência e experiência prática, com o objetivo de mitigar os efeitos sociais e económicos da doença.

Para reforçar esta posição, a LPCC irá desenvolver um estudo que permitirá avaliar não apenas o impacto financeiro da medida para o Estado, mas também os custos associados à sua não implementação. Este trabalho será determinante para disponibilizar dados concretos que apoiem a definição de políticas públicas mais informadas e sustentadas.

Ao longo das décadas, a LPCC tem acompanhado gerações de doentes e cuidadores, ajustando a sua missão às necessidades emergentes. Desde o apoio direto – através da disponibilização de medicamentos, próteses, transporte e alimentação aos mais carenciados – até ao investimento em formação, investigação e prevenção, a Associação consolidou-se como uma referência na proteção social e na promoção da saúde em Portugal. Atualmente, cerca de 22 mil pessoas beneficiam diretamente dos seus apoios e mais de 20 mil voluntários participam ativamente nas suas iniciativas.

Paralelamente, a LPCC desempenha uma missão abrangente na promoção da saúde e prevenção do cancro. Disponibiliza consultas gratuitas de diagnóstico precoce de cancro de pele e lesões da cavidade oral, consultas de cessação tabágica e de nutrição, apoia bolsas de investigação e a formação em oncologia, e assegura linhas de apoio – Linha Cancro e Linha Pulmão – que respondem diariamente a chamadas e e-mails. Desenvolve ainda ações de sensibilização dirigidas a milhares de alunos do ensino básico e secundário, bem como ao público em geral, promovendo campanhas que visam reduzir a incidência de comportamentos de risco.

Mais do que assinalar o passado, esta celebração representa uma reafirmação do compromisso da LPCC: continuar a garantir apoio direto, educação, prevenção e investigação, assegurando que os direitos e as necessidades dos doentes oncológicos permanecem no centro das políticas de Saúde em Portugal.

Ao longo destes 85 anos, a LPCC demonstrou que a proteção dos doentes ultrapassa a dimensão clínica e que, mesmo num contexto de avanços médicos significativos, persistem direitos que é urgente conquistar.