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"Não tenho nada a esconder": Freida McFadden, autora de "A Criada", revela nome verdadeiro após anos a esconder identidade

Durante anos a escrever sob pseudónimo — e atrás de perucas e óculos —, a autora norte-americana de thrillers psicológicos desfez o enigma da sua identidade. Mas garante: "Sempre fui genuína".

Mariana Furtado
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Podia ser um mistério saído de um dos seus livros. Mas não é. Uma das autoras mais populares de thrillers psicológicos desvendou um dos segredos mais bem guardados do mundo editorial. Depois de anos a escrever sob pseudónimo e a esconder-se atrás de óculos e uma peruca, a escritora de A Criada, Freida McFadden, revelou esta quinta-feira, numa entrevista à USA Today, que o seu verdadeiro nome é Sara Cohen e que “está cansada de manter segredos”.

“Cheguei a um ponto da minha carreira em que estou cansada de manter isto em segredo. Estou cansada de debaterem se sou uma pessoa real ou se quem escreve os meus livros são três homens. Sou uma pessoa real, tenho uma identidade real e não tenho nada a esconder”, declarou a escritora norte-americana ao jornal. É uma “pessoa real”, mas continua um enigma mesmo com o nome revelado. Dá poucas entrevistas e evita eventos públicos ou promocionais.

A opção pelo anonimato começou antes da fama. Ainda antes de ser escritora, Sara era médica (especializada em lesões cerebrais) e foi precisamente para evitar conflitos no hospital que optou por um pseudónimo. Num artigo de 2022, “A Minha Vida Dupla”, explicou como escondia a carreira literária dos colegas e, sobretudo, dos doentes. “Sou médica e não quero que os meus doentes saibam. Não sei como me sentiria se soubesse que o meu médico escreveu um livro em que os pacientes são sistematicamente assassinados. Não quero que as pessoas pensem que o que escrevo é baseado nelas, parece pouco profissional”, afirmou.

Ainda assim, a escrita esteve sempre entrelaçada com a carreira médica. Durante os primeiros anos como médica interna, encontrou material para o seu primeiro romance, The Devil Wears Scrubs (publicado em 2013 nos Estados Unidos, mas não editado em Portugal). Aliás, o nome escolhido para o pseudónimo, “Freida”, surgiu de uma referência ao sistema de formação hospitalar norte-americano, o Fellowship and Residency Electronic Interactive Database.

A decisão não foi apenas profissional, mas também pessoal. A autora admite ter ansiedade social e dificuldade em lidar com a exposição. “Adoro que as pessoas estejam a ler os meus livros, mas ter as atenções focadas em mim é difícil…”, disse ao The Washington Post em 2024. O sucesso crescente — com presença constante nas listas de mais vendidos nos Estados Unidos — aumentou essa pressão.

O disfarce que adotou não foi totalmente fictício. Usa óculos na vida real, mas o cabelo é uma peruca, por uma razão simples: “Não tenho ideia de como arranjar o cabelo”. Sobre essa construção, desvaloriza: “É muito mais entediante do que qualquer coisa que aconteça nos meus livros”.

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Com o tempo, o segredo deixou de ser total. Um colega de trabalho descobriu, segundo explicou em janeiro deste ano ao The Times, e contou “a toda a gente”: o segredo havia sido revelado. “Mas eles têm sido muito respeitosos e não publicaram nada sobre mim nas redes sociais, e eu tentei retribuir com uma sessão de autógrafos no meu trabalho”, ressalvou. Alguns dos colegas eram seus leitores assíduos.

O grande impulso chegou em 2022, com A Criada, publicado em Portugal no ano seguinte. O livro consolidou o seu lugar entre os tops de vendas e foi adaptado para o cinema no ano passado, com Sydney Sweeney e Amanda Seyfried nos papéis principais. Mais uma vez havia conseguido a receita mágica do best-seller.

O sucesso acabou por mudar o equilíbrio entre as duas carreiras paralelas. Em 2023, passou a trabalhar como médica em regime parcial e, entretanto, reduziu ainda mais a carga horária — uma mudança que ajudou a tomar a decisão de revelar a sua identidade. “O meu objetivo era manter o segredo até que estivesse pronta para me afastar do meu trabalho como médica, para que não fosse como se todos com quem trabalho de repente soubessem e isso comprometesse a minha capacidade de exercer a minha profissão”, disse ao USA Today.

Ainda assim, garante que nunca escondeu quem era no essencial. “Embora eu não tenha revelado meu nome verdadeiro até agora, sinto que sempre partilhei a minha verdadeira essência e tudo o que lhes contei foi a verdade”, contou. “Apesar de o nome ser uma surpresa, nada mais será. Sempre fui genuína com os meus leitores”.

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