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(A) :: Condenado a dois anos de prisão por roubar ovo Fabergé de 2,6 milhões de euros numa carteira em bar de Londres

Condenado a dois anos de prisão por roubar ovo Fabergé de 2,6 milhões de euros numa carteira em bar de Londres

Viciado em cocaína após perder o emprego na pandemia, Enzo procurava “dinheiro fácil” com um roubo "oportunista". Acabou a roubar uma carteira com um ovo Fabergé, que continua desaparecido.

Mariana Furtado
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Quase 2,3 milhões de libras (cerca de 2,6 milhões de euros) em objetos de luxo desapareceram na noite de 7 de novembro de 2024 em Soho, Londres. Entre eles, um raro ovo Fabergé e um relógio de ouro da mesma coleção — peças únicas criadas numa parceria entre a empresa de whisky Craft Irish Whiskey Company e a joalheria russa mundialmente conhecida. O responsável pelo roubo, Enzo Conticello, de 29 anos, segundo o The Guardian, foi condenado esta quinta-feira no Reino Unido a dois anos e três meses de prisão, após se ter declarado culpado de três acusações de fraude por falsa representação e de um furto, numa audiência em fevereiro.

O furto aconteceu no bar Dog and Duck. Depois de um evento em que os objetos foram exibidos, Rosie Dawson fumava na área destinada a clientes, quando Conticello se apoderou da sua bolsa Givenchy, arrastando-a para perto de si com o pé. Além do ovo e do relógio Fabergé, a bolsa continha um portátil Apple, auriculares AirPods, um voucher de 350 libras (402 euros), chaves, três cartões bancários, 200 libras em maquilhagem (229 libras), uma carteira Mulberry de 150 libras (172 euros) e 20 libras (22 euros) em dinheiro.

Segundo o tribunal de Southwark, Conticello procurava “dinheiro fácil” e entregou a bolsa para comprar drogas. A sua advogada, Katie Porter-Windley, explicou que ele tinha perdido o emprego de cozinheiro durante a pandemia e se tornara viciado em cocaína desde então. “Naquela noite em questão, foi um momento de oportunidade que ele aproveitou e ele está genuinamente arrependido do seu comportamento”, referiu.

A juíza responsável pelo caso, Kate Livesey, descreveu o furto como “oportunista” e destacou o impacto sobre Dawson e a empresa para a qual trabalha. “A Sra. Dawson descreveu o choque e o pânico que sentiu ao perceber que uma bolsa contendo itens de grande valor, pertencentes à empresa, havia sido roubada, e o stress incrível que esse incidente lhe causou”, declarou, citada.

Conticello foi identificado através de câmaras de videovigilância. Minutos depois do furto, tentou usar os cartões roubados em lojas de conveniência próximas do bar — onde tinha tentado roubar outra mochila. Apesar da existência de imagens, Conticello só veio a ser detido depois de o Serviço de Polícia da Irlanda do Norte o prender em Belfast, a 9 de novembro de 2025, por outro furto não relacionado. Durante a detenção, apresentou documentos falsos e um nome diferente.

O ovo e o relógio Fabergé ainda não foram recuperados. Winship afirmou que os esforços para confiscar ou obter uma indemnização de Conticello não avançarão: “Parece-me improvável que o réu seja uma pessoa com recursos financeiros suficientes para atender a qualquer uma dessas vias processuais disponíveis”. A polícia mantém a “caça ao ovo” e apela a quem possa fornecer informações. O ovo mede cerca de 10 cm, é verde e dourado, e o relógio tem uma pulseira de couro.

Um segundo homem, de 32 anos, também identificado pelas câmaras de segurança, foi detido a 24 de novembro de 2024, suspeito de envolvimento no furto da bolsa e no uso dos cartões roubados. Depois de ter aceitado uma advertência pelos crimes de fraude, não foram aplicadas outras sanções pelo furto.

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