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(A) :: UGT tomou decisão de rejeição do pacote laboral com base na proposta do Governo de 24 de março. Cedências recentes não foram tidas em conta

UGT tomou decisão de rejeição do pacote laboral com base na proposta do Governo de 24 de março. Cedências recentes não foram tidas em conta

Central sindical levou ao órgão executivo última proposta escrita do pacote laboral apresentada pelo Governo. No documento não estão cedências verbalizadas no último encontro pela ministra e patrões.

Marina Ferreira
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A proposta que esta quinta-feira foi apresentada no Secretariado Nacional da UGT é a que o Governo apresentou e deixou por escrito no dia 24 de março, na reunião no Ministério do Trabalho que antecedeu o encontro desta segunda-feira. Assim, as cedências que o Governo fez no início da semana não foram tidas em conta, a título formal, pelo órgão executivo da central sindical.

https://observador.pt/2026/03/26/pacote-laboral-governo-recua-na-proposta-de-repor-tres-dias-de-ferias-nao-cede-nos-contratos-a-termo-e-cria-banco-de-horas-por-acordo/

O Observador sabe que as cedências feitas no último encontro a reunir Maria do Rosário Palma Ramalho, a UGT e as confederações patronais foram verbais. Por isso mesmo, e uma vez que o formato “verbal” está aberto a mais interpretações, as mesmas não foram formalmente tidas em conta na reunião do órgão executivo máximo da central.

Entre elas, confirma fonte próxima às negociações, inclui-se a “retirada completa das alterações à duração dos contratos a prazo“, bem como a cedência na medida de alargamento das empresas em que é possível pedir judicialmente a não reintegração do trabalhador despedido ilicitamente — contemplando apenas as pequenas e médias (nas microempresas já é possível) e não as grandes, como tem proposto o Governo até agora.

No comunicado enviado à imprensa esta quinta-feira, a UGT destaca, “entre os principais aspetos que impedem o acordo“, precisamente “o alargamento da duração e dos fundamentos dos contratos a termo”, bem como a “eliminação da garantia de reintegração em caso de despedimento ilegal”. Fonte próxima às negociações revela também ao Observador que a cedência do Governo em relação à alteração na possibilidade de não reintegração do trabalhador foi de encontro, na reunião de segunda-feira, precisamente ao pedido feito pela central sindical para se chegar a um meio termo.

A UGT destaca ainda como pontos de embate com o Governo e patrões “a manutenção do banco de horas individual”, a “possibilidade de alteração de categoria com perda de retribuição”, a “não aplicação das convenções coletivas a trabalhadores em outsourcing”, a “generalização dos serviços mínimos na greve” e as “restrições à atividade sindical nas empresas”.

A resolução que esta quinta-feira foi aprovada por unanimidade pela organização sindical tem o título “tempo para a concertação social”, indicando o que pode ser o próximo passo do caminho do pacote laboral, que é a reunião da comissão permanente no Conselho Económico e Social (CES).

A rejeição do pacote laboral é então a posição que a UGT levará à Concertação Social, onde considera que “se deve dar o passo seguinte neste processo negocial”. “O Secretariado Nacional da UGT espera que os avanços já verificados e o trabalho do diálogo social não sejam desvalorizados”, acrescenta-se na resolução.

Questionada pelo Observador, fonte oficial do Governo disse ao início da tarde que não tinha “nenhum comentário a fazer” enquanto não recebesse uma comunicação oficial da UGT, que aguardava “serenamente”. A comunicação já teve lugar, mas o Executivo diz agora não ter qualquer comentário.

No briefing após o Conselho de Ministros, António Leitão Amarlo, ministro da Presidência, afirmou que o “Governo está aberto para completar a negociação” do pacote laboral.