Em condições normais, uma vitória caseira frente ao Wisla Plock seria sempre positiva. Um triunfo por uma diferença de quatro golos, ainda mais. No entanto, percebeu-se naquela festa habitual com os muitos adeptos que voltaram a encher o Pavilhão João Rocha que havia uma sensação agridoce no ar apesar do sucesso com a formação bicampeã polaca. Porquê? Nos dez minutos iniciais da segunda parte, os leões chegaram a ter um avanço de dez golos, com uma exibição fantástica em termos defensivos que ia secando as principais mais valias do ataque contrário e que dava muitas vezes ataques diretos que iam aumentando a vantagem. Houve depois a reação, tudo ficou ainda em aberto e seria na Orlen Arena que os bicampeões nacionais teriam mais 60 minutos para igualar um feito histórico no panorama do clube e do próprio andebol português.
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“À partida, se dissessem que íamos ter uma vantagem de quatro golos nos primeiros 60 minutos, assinaria por baixo. Por isso, contente com o que fizemos. É certo que estivemos a ganhar por dez golos mas, mesmo que tivéssemos segurado essa vantagem, íamos sair daqui com a sensação de que a eliminatória não estava fechada. Acho que fizemos um grande trabalho, quebrámos na segunda parte e eles quebraram na primeira. Não acredito que tenha sido só pela parte física que quebrámos, eles melhoraram defensivamente, o guarda-redes defendeu mais bolas e também falhámos algumas situações claras de finalização que nos podiam manter com a vantagem de 7/8 golos. Sabemos que vamos ter que passar por dificuldades em Plock. No entanto, podemos fazer algumas coisas melhor e é nisso que nós temos que concentrar”, salientara o técnico Ricardo Costa após o encontro da primeira mão, que terminou com um triunfo leonino por 33-29.
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“Gostávamos de trazer uma maior vantagem para este jogo mas na segunda parte tivemos um período onde perdemos algum ritmo. Como é óbvio, nesta fase da competição, ou, de forma geral, na Liga dos Campeões, as equipas são muito rápidas a castigar-nos quando isso acontece. De qualquer das formas, é bom trazermos quatro golos de avanço. Apesar da atmosfera, o jogo é o mesmo. O importante é levarmos para o segundo jogo a mesma mentalidade que tivemos no primeiro. Acho que há uma probabilidade de 50/50. São duas equipas muito boas mas acredito que podemos ganhar na Polónia. Esse é o nosso grande objetivo”, tinha destacado o ponta islandês Orri Thorkelsson, um dos melhores marcadores da equipa na primeira mão em Lisboa apenas atrás dos inevitáveis irmãos Costa, com dez golos de Kiko mais nove de Martim.
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Depois da caminhada histórica da última edição da Liga dos Campeões de andebol, com uma presença sem precedentes na fase de grupos a valer uma entrada direta nos quartos para uma eliminação inglória frente aos franceses do Nantes (derrotas por 28-27 fora e 32-30 em casa), o Sporting jogava por repetir esse feito tendo agora de passar pelo playoff frente ao terceiro classificado do grupo B, apenas atrás de Barcelona e Magdeburgo (um dos grandes favoritos e o atual campeão europeu, respetivamente). O adversário era mais complicado, a tarefa foi na mesma cumprida: com uma exibição soberba do guarda-redes Mohamed Aly, os leões perderam por 28-27 mas passaram aos quartos e vão agora defrontar os dinamarqueses do Aalborg, formação a quem os verde e brancos conseguiram em casa (e perderem fora) na fase regular.
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Num ambiente escaldante, houve um Faraó que entrou para marcar posição e colocar o Sporting na liderança do jogo: com uma exibição fantástica na baliza com três defesas noutros tantos remates nos primeiros cinco minutos, Mohamed Aly foi o timoneiro da boa entrada dos leões em Plock, permitindo uma vantagem de quatro golos bem cedo (5-1) com uma eficácia de quase 75% entre os postes incluindo sete metros. Tudo ia jogando a favor da formação verde e branca, que até mesmo quando tremia no ataque ou somava falhas técnicas tinha o egípcio a brilhar ou a defesa a mostrar argumentos para segurar a equipa. Os 20 minutos iniciais foram a fotocópia do que se passara em Lisboa, a reação dos polacos chegou mais cedo.
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O eclipse foi forte. Tão forte que aquilo que era uma vantagem de quatro golos se tornou numa desvantagem de três golos em menos de dez minutos. Ricardo Costa ia experimentando novas opções ofensivas, apostando no regressado Natán Suárez, em Salvador Salvador nos dois papéis, no ponta Diogo Branquinho e nas trocas de pivôs entre Edy Silva e Victor Romero mas a bola pura e simplesmente não entrava, sendo preciso entrar no derradeiro minuto antes do intervalo para Kiko Costa desfazer essa seca marcando de primeira linha o 13-11 que se registava ao intervalo. Martim Costa, com quatro golos, era o melhor da formação verde e branca na frente, com Mohamed Aly a chegar com 38% de eficácia ao intervalo.
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O início da segunda parte seria um momento decisivo sobretudo para a eliminatória, com o Wisla Plock a querer entrar com tudo para chegar a uma vantagem superior aos cinco golos que permitisse depois gerir os momentos do jogo de outra maneira e com o Sporting a ter como grande objetivo recuperar a sua melhor versão em termos ofensivos para dar sentido ao grande trabalho da vertente defensiva. Apesar de mais uma entrada titubeante, o rendimento da primeira linha verde e branca melhorou, o Sporting voltou a empatar o encontro tendo posses para passar para a frente e resistiu como conseguiu com muita ajuda de Mohamed Aly à mistura, entrando nos cinco minutos finais a perder por dois golos, sem Moga que foi excluído e com André Kristensen já na baliza depois de uma luxação num dedo da mão do egípcio. No entanto, os irmãos Costa aguentaram o barco para, entre muito sofrimento, a derrota por 28-27 ter um sabor a vitória.
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