Donald Trump tem a ambição antiga de reerguer a indústria do aço norte-americana, mas o novo salão de bailes da Casa Branca vai ser construído com material estrangeiro. A ArcelorMittal, sediada no Luxemburgo, é a segunda maior produtora deste metal no mundo e vai doar uma quantidade de aço avaliada em 37 milhões de dólares (31,6 milhões de euros) ao projeto do Presidente dos EUA. Apesar da empresa ter atividade por todo o mundo, o aço do Salão de Bailes será de produção europeia.
A política tarifária de Trump tem tido como prioridade dar novo impulso ao aço produzido dentro das fronteiras norte-americanas. Começou por impor uma tarifa de 25% ao aço estrangeiro, em 2018, que já neste mandato elevaria até 50%, em junho de 2025. Desta forma, a escolha de aço europeu para uma empreitada num dos monumentos mais emblemáticos dos EUA promoveu a reação de alguns representantes da indústria metalúrgica do país.
O vice-presidente da Steel Manufacturers’ Association, um grupo comercial que representa os produtores de aço norte-americanos, admitiu num comunicado enviado ao The New York Times, que a indústria nacional esta a “passar por um renascimento” graças às tarifas de Trump. Nesse sentido, assegurou que as empresas norte-americanas podiam todo o aço necessário para projetos patrocinados pelo Presidente dos EUA.
“Os nossos membros estão prontos para fornecer o aço de alta qualidade, fabricado nos Estados Unidos, necessário para concretizar as prioridades do Presidente em matéria de infraestruturas e indústria transformadora”, afirmou Brandon Farris. Donald Trump já tinha anunciado publicamente que tanto o aço como os sistemas de ar condicionado do novo salão de bailes seriam doados à Casa Branca. No caso destes últimos, os materiais serão fornecidos por uma empresa norte-americana, a Carrier.
Um porta-voz da Casa Branca afastou qualquer problema a origem estrangeira do aço e disse que “toda a gente devia celebrar” o facto de a construção do novo edifício ser realizada sem recurso a fundos públicos. “Só quem sofre de um caso grave de Trump Derangement Syndrome [expressão pejorativa para criticar reações negativas ao Presidente dos EUA] é que veria nisso algum problema”, disse Davis Ingles.
Trump já tinha falado publicamente sobre o aço do novo salão de bailes em outubro, num evento com vários dos doadores do projeto. O Presidente disse que a doação seria feita por “uma grande empresa de aço” que fornecia “aço de grande qualidade, em oposição ao aço de má qualidade, porque há muito lixo por aí”.
Dois dias depois, Donald Trump autorizou o secretário do Comércio da sua administração a reduzir as tarifas aos produtores de alumínio e aço que tenham instalações no Canadá ou no México e forneçam estes metais a fabricantes de automóveis e camiões dos EUA. Uma das empresas que entra nesta esta exata descrição é a ArcelorMittal, que tem uma fábrica no Canadá a partir da qual exporta aço para a indústria automóvel norte-americana. Uma fonte anónima da Casa Branca rejeitou, em declarações ao The New York Times, qualquer ligação entre a doação e a decisão relativa à política tarifária de Trump.
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