O eurodeputado Francisco Assis confirmou que não vai continuar no Secretariado Nacional do PS, o órgão mais restrito da direção do partido. O eurodeputado socialista fê-lo esta quinta-feira em comunicado, alegando “falta de tempo para desempenhar funções de natureza executiva no âmbito partidário”.
Assis já o tinha antecipado em entrevista ao Observador durante o congresso do PS, em Viseu. Agora, nas redes sociais, o eurodeputado confirma essa mesma intenção e explica as suas motivações. “No final da semana passada comuniquei ao SG a minha indisponibilidade para continuar a integrar o Secretariado Nacional do PS. Esta decisão, ponderada e tomada há algumas semanas, resultou estritamente da constatação de falta de tempo para desempenhar funções de natureza executiva no âmbito partidário. Vivo hoje entre Bruxelas, Estrasburgo e Amarante e são muitas as responsabilidades que assumi no PE”, escreveu o socialista.
Francisco Assis agradece a confiança em si depositada, saúda as pessoas com quem trabalhou e deseja a José Luís Carneiro – a quem chama “velho e grande amigo” – os “maiores êxitos na difícil tarefa que lhe compete executar”, assegurando que o líder do PS poderá contar com todo o seu apoio e disponibilidade. O socialista foi eleito para o Secretariado Nacional do PS em julho de 2025 pela lista de José Luís Carneiro.
Como explicou ao Observador, Assis estava disponível para continuar desde que não estivesse obrigado a desempenhar funções executivas — era responsável pelas Relações Internacionais do partido. Não faço questão nenhuma de continuar a desempenhar funções no Secretariado do PS. E estou totalmente indisponível para exercer funções executivas no Secretariado do PS. Não voltarei a ter. Já manifestei essa intenção a José Luís Carneiro”, explicava então Francisco Assis.
Esta saída, no entanto, surge depois da visita de José Luís Carneiro à Venezuela — visita organizada por Paulo Pisco, responsável pela pasta das “Comunidades” e que mereceu críticas públicas por parte de Francisco Assis. Nessa mesma entrevista, o socialista pedia que se retirassem ilações do que tinha acontecido. José Luís Carneiro, por sua vez, nunca se retratou pela forma como geriu politicamente a visita a Caracas.
A Comissão Nacional do PS eleita no último congresso vai ter a sua primeira reunião em 19 de abril e irá eleger a nova Comissão Política Nacional e o Secretariado Nacional, por proposta de José Luís Carneiro, reeleito secretário-geral do PS de novo sem oposição interna.