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Só um petroleiro não-iraniano atravessou o Estreito de Ormuz nas últimas 24 horas, de acordo com várias plataformas de monitorização de tráfego marítimo consultadas pela Reuters. Passaram pelo local, também, outros dois petroleiros mas com bandeira iraniana. Além destes petroleiros, houve mais cinco navios que atravessaram o estreito mas que transportavam bens “secos”, como cereais.
O tráfego marítimo através do Estreito de Ormuz continua praticamente paralisado, apesar do cessar-fogo entre os EUA e o Irão. Apenas um pequeno número de embarcações, quase todas ligadas ao Irão, está a navegar, muito abaixo das cerca de 135 travessias diárias habituais (antes do conflito).
O Irão está a reforçar o controlo, introduzindo “rotas seguras” designadas e exigindo que os navios coordenem as suas ações com as forças armadas iranianas, alegando riscos de minas. Na prática, isso tem dissuadido a maior parte do tráfego — alguns petroleiros chegaram mesmo a abortar a travessia.
Segundo a Reuters, alguns petroleiros chineses carregados com crude saudita e iraquiano aproximaram-se do estreito, mas pararam antes de entrar. O responsável do sector petrolífero dos Emirados Árabes Unidos, Sultan Al Jaber, afirmou categoricamente: “O Estreito não está aberto“.
Irão só irá permitir passagem de 15 navios por dia
O Irão vai permitir a passagem de um máximo de 15 embarcações por dia pelo estreito de Ormuz, nos termos do acordo de cessar-fogo obtido com os EUA. A informação é da agência de notícias estatal russa TASS, que citou uma fonte iraniana de alto nível não identificada.
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Também nesta quinta-feira, o ministro da Indústria dos Emirados Árabes Unidos, Sultan al Jaber, pediu a abertura incondicional do Estreito de Ormuz, bloqueado pelo Irão, estimando que 230 navios carregados de petróleo estão prontos para zarpar.
O estreito deve estar aberto, plena, incondicionalmente e sem restrições. A segurança energética e a estabilidade económica mundial dependem disso. A militarização desta via marítima vital, sob qualquer forma, é inaceitável”, denunciou Al Jaber nas redes sociais.
O também diretor executivo da Companhia Nacional de Petróleo de Abu Dhabi lamentou que Ormuz não estivesse aberto e que o acesso estivesse “condicionado e controlado”.
Segundo o ministro dos emirados, “230 navios encontram-se carregados de petróleo e prontos para zarpar”, mas estão impedidos de o fazer devido ao bloqueio do estreito, por onde passa 20% do comércio mundial de energia. Al Jaber exigiu que todas as embarcações tenham liberdade de navegar pelo corredor sem restrições, porque “nenhum país tem direito legítimo a determinar quem pode passar e sob que condições”.
O estreito, uma faixa de água com apenas 34 quilómetros de largura entre o Irão e o Omã, dá acesso do Golfo Pérsico ao Oceano Índico e é a principal rota para cerca de um quinto do fornecimento mundial de petróleo e outros bens vitais, incluindo fertilizantes.
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