A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN) declarou oficialmente o pinguim-imperador como espécie em risco de extinção, na sequência do afogamento em massa de crias provocado pelo degelo do mar associado à crise climática, escreve o The Guardian.
De 2016 para cá, o aquecimento global tem levado a níveis recorde de baixa espessura do gelo na Antárdita e, segundo a UICN, os pinguins-imperador dependem do gelo fixo, preso à costa, durante cerca de nove meses por ano, sendo nele que as crias nascem e crescem até desenvolverem penas impermeáveis. Quando o gelo marinho quebra, colónias inteiras de animais podem cair para o oceano, o que leva as crias a afogarem-se. Mesmo que alguns pinguins consigam escapar, acabam por morrer congelados, devido à falta de penugem que oferece isolamento térmico.
“A mudança da classificação do pinguim-imperador para ’em perigo’ é um alerta contundente: as alterações climáticas estão a acelerar a crise de extinção diante dos nossos olhos”, afirmou Martin Harper, director executivo da BirdLife International, organização que coordenou a avaliação da UICN, citado pelo jornal britânico.
No Mar de Bellingshausen, a oeste da Antárdita, quatro dos cinco locais de reprodução conhecidos do pinguim-imperador colapsaram, bem como uma outra colónia no mar de Mar de Weddell. “As projeções futuras para a espécie apontam, de forma consistente, para reduções severas ao longo do resto deste século”, alerta a BirdLife International, numa publicação nas redes sociais.
Entre 2009 e 2018, a UICN estima que a população da espécie tenha diminuído cerca de 10%, situando-se atualmente em cerca de 595 mil adultos. Devido à perda de gelo marinho, a organização prevê ainda um agravamento do declínio nas próximas décadas.
“Os pinguins-imperador são uma espécie sentinela que nos informa sobre as mudanças no nosso mundo e sobre o quão bem estamos a controlar as emissões de gases com efeito de estufa que levam às alterações climáticas”, informa Peter Fretwell, ecologista marinho do British Antarctic Survey, num comunicado da UICN.
“É uma história triste“, admitiu o Fretwell, que fez parte da equipa que relatou o colapso das colónias no Mar de Bellingshausen em 2022 ao The Guardian,“Fiquei chocado. É muito difícil pensar nestes filhotes fofos a morrer em grande número”.
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