Dentro da União Europeia (UE), é o líder que está há mais tempo em funções. Viktor Orbán foi eleito em 2010 como primeiro-ministro húngaro, após já ter liderado o país anos antes. Com este chefe do Executivo, a Hungria passou de uma democracia florescente na Europa Central para um regime híbrido com traços autocráticos. Depois de vários escândalos de corrupção e de aproximar Budapeste de Moscovo, Orbán enfrenta este domingo aquele que talvez seja o maior desafio eleitoral da sua carreira política.
As sondagens são desfavoráveis para o Fidesz, o partido de Viktor Orbán que há 16 anos era de centro-direita (e pertencia à mesma família política do que o PSD e do CDS-PP, o Partido Popular Europeu) e agora é um dos principais protagonistas do grupo político da direita radical no Parlamento Europeu, os Patriotas pela Europa, em que está integrado também o Chega liderado por André Ventura. Muitos estudos de opinião indicam que os húngaros deverão optar nas urnas pela alternância política e deverão escolher um novo rosto: Péter Magyar.
Aos 45 anos, Péter Magyar é considerado uma estrela em ascensão na política húngara. Há apenas três anos, trabalhava como gestor numa empresa e era casado com a antiga ministra da Justiça de Viktor Orbán, Judit Varga. Tido como o casal ideal para os governos do Fidesz e fazendo as manchetes de revistas cor de rosa, os dois divorciaram-se em 2023. A partir daí, e sobretudo na sequência de vários escândalos políticos, Péter Magyar começou a questionar e a desafiar o Governo do primeiro-ministro húngaro, tendo a vantagem de conhecer bem as redes e o sistema que o chefe do Executivo montou ao longo dos últimos 16 anos.
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Fora das fronteiras húngaras, estas eleições legislativas estão a ser atentamente acompanhadas. Em Moscovo, o Kremlin não esconde o desejo da vitória de Viktor Orbán, um aliado russo dentro da NATO e da União Europeia. Em Washington, a Casa Branca apoia abertamente o primeiro-ministro húngaro, aproximando-se da política migratória adotada por Budapeste e vendo no regime húngaro um parceiro ideológico. Em Bruxelas, há a esperança de que haja mudança política e de que finalmente os bloqueios húngaros nas instituições comunitárias terminem.
Quando abrem as urnas, quando fecham e quando são conhecidos os resultados?
As eleições legislativas húngaras estão marcadas para este domingo. As urnas na Hungria abrem às 6h da manhã e encerram às 19h (menos uma hora em Lisboa). Os eleitores que estiverem nas filas às 19h podem votar depois dessa hora. Esta informação é importante, dado que os canais de televisão e jornais apenas podem publicar as sondagens à boca das urnas quando todos naquela situação votarem, segundo a lei eleitoral húngara.

Alguns minutos depois das 19h (18h em Lisboa) serão publicadas as sondagens à boca das urnas, ao mesmo tempo que os primeiros votos começam a ser contados. Os resultados deverão ser conhecidos na íntegra no domingo e é expectável que Péter Magyar e Viktor Orbán discursem logo na noite de 12 de abril. Há cerca de 8,2 milhões de eleitores que podem votar nas eleições legislativas.
O que se elege nesta votação e que partidos concorrem?
Os eleitores húngaros vão votar para decidir a composição do Parlamento do país para os próximos quatro anos. Serão escolhidos 199 deputados: 106 serão eleitos em círculos eleitorais distritais de candidaturas individuais, enquanto 93 serão eleitos por via de um círculo eleitoral nacional enquanto representantes dos partidos.
Estas eleições são praticamente uma corrida a dois: entre o Fidesz de Viktor Orbán e o Tisza, o partido de Péter Magyar. Tal como tinha feito nas últimas eleições legislativas em 2022, grande parte da oposição (da esquerda à direita) reuniu-se em redor do candidato com mais hipóteses de derrotar o primeiro-ministro húngaro. Uma das exceções é a Coligação Democrática (DK), de esquerda, que levou avante a candidatura.
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Do outro lado do espectro político, o Movimento Nossa Pátria (MHM) também se vai candidatar a estas eleições. Este partido político é de extrema-direita, sendo ainda mais radical do que o Fidesz. Caso a força política de Viktor Orbán não obtenha uma maioria de pelo menos 100 deputados, o MHM poderá tornar‑se decisivo para desbloquear um eventual impasse governativo.
No sistema eleitoral húngaro, as minorias nacionais reconhecidas (como alemãs, romenas e ucranianas) podem ainda votar a partir de listas especiais com candidatos próprios. Estas listas elegem deputados com um limiar de votos mais baixo do que os partidos nacionais e, caso não consigam alcançar um determinado patamar, o respetivo cabeça de lista passa a atuar apenas como porta‑voz da minoria no Parlamento, com direito de intervenção mas sem direito de voto nas propostas legislativas.
Na Hungria, não é o partido que obtém o maior número de votos que automaticamente forma governo: o primeiro‑ministro só pode ser escolhido se houver uma maioria simples de deputados disposta a votar a seu favor no Parlamento. Nestas eleições, a corrida está bastante dividida entre as duas candidaturas — mas para governar é preciso chegar aos cerca de 100 deputados, mais do que simplesmente ficar em primeiro no voto popular.

Da supermaioria de Magyar à vitória do Fidesz. O que dizem as sondagens?
As sondagens independentes (feitas por organizações sem laços com o Governo húngaro, ainda que algumas tenham ligações aos partidos da oposição) mostram um cenário em que o Tisza vence confortavelmente as eleições. Os mesmos estudos de opinião apontam que o partido terá mesmo deputados suficientes para que Péter Magyar seja nomeado primeiro-ministro.
Uma projeção da Medián, divulgada na quarta‑feira e que aglutina várias sondagens, chega mesmo a atribuir 144 deputados ao Tisza — cerca de dois terços da Assembleia Nacional —, um resultado que, a confirmar‑se, seria verdadeiramente estrondoso e uma humilhação para Viktor Orbán.
Em contrapartida, as sondagens dos organismos com ligações ao atual Executivo húngaro dão vantagem ao Fidesz. Publicado na semana passada pela associação Alapjogokért Központ, que é parte do movimento político norte-americano e de direita Conservative Political Action Conference (CPAC), este estudo de opinião dá 50% dos votos ao Fidesz (um resultado que deveria ser suficiente para Viktor Orbán formar governo) e 42% ao Tisza.
Os resultados das diferentes sondagens são díspares e não é claro qual será o desfecho no domingo. Em todo o caso, é certo que Péter Magyar representa o maior desafio político que Viktor Orbán enfrentou em 16 anos no poder. Mesmo as sondagens que são favoráveis ao chefe do Executivo estão longe de prever um resultado esmagador, como fizeram em 2022 e 2018. Atualmente, o Fidesz tem 135 deputados — e nenhum cenário credível prevê que conserve esse número.
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Certo é que nenhum adversário tinha mordido os calcanhares ao primeiro-ministro húngaro como Péter Magyar tem feito. Contrariamente ao que aconteceu em outras campanhas anteriores, a oposição a Viktor Orbán manteve-se unida, não sucumbiu à pressão e viu os números do Tisza nas sondagens consolidarem‑se e até reforçarem‑se nos dias que antecedem as eleições.
O sistema eleitoral húngaro pode ser um entrave para a vitória de Magyar?
Ao longo dos 16 anos que esteve à frente da Hungria, Viktor Orbán promoveu sucessivas alterações à lei eleitoral. Usufruindo de maiorias parlamentares e de um sistema em que o pluralismo foi sendo constantemente reduzido, o Fidesz redesenhou os círculos eleitorais, ajustando as regras de maneira a reforçar a sua vantagem nas zonas onde o partido é mais popular e a reduzir a influência dos distritos em que a oposição tinha tradicionalmente mais força.
Tendo em conta as alterações feitas, o Fidesz precisa em teoria de menos votos do que os seus adversários para conquistar uma maioria no Parlamento. Pode mesmo arriscar perder o voto popular e, ainda assim, garantir mais deputados do que o Tisza. Por isso, Péter Magyar não tem apenas de derrotar o primeiro‑ministro nas urnas; tem também de superar um sistema eleitoral desenhado para que partisse em desvantagem.

Essas alterações à lei eleitoral introduzidas por Viktor Orbán terão de ser levadas em consideração no momento em que os votos começarem a ser contados. A abstenção em determinadas regiões será decisiva para a formação de uma maioria parlamentar. Em qualquer caso, as sondagens dos principais organismos não-estatais continuam a retratar um cenário de vitória para Péter Magyar.
O que leva muitos húngaros a querer alternância política?
Vença ou não as eleições, o Fidesz deverá perder representação parlamentar, sinal do cansaço e frustração que muitos húngaros sentem com os governos de Viktor Orbán ao longo dos últimos 16 anos. O primeiro-ministro húngaro construiu um sistema que favoreceu as elites à sua volta — e muitos escândalos de corrupção divulgados em público evidenciaram isso.
Ao longo dos últimos anos, foram várias as polémicas que envolveram dirigentes políticos húngaros, mas a mais decisiva foi aquela que levou à demissão da ex‑Presidente Katalin Novák no início de 2024. Na Hungria, o Presidente não é escolhido por sufrágio direito — é antes escolhido pelo Parlamento. A antiga chefe de Estado, que tinha sido ministra da Família dos governos de Viktor Orbán, chegou ao cargo precisamente com o apoio da maioria parlamentar do Fidesz.

Neste contexto, a antiga Presidente indultou um homem condenado por encobrir crimes de abuso sexual de menores numa instituição infantil. O caso foi bombástico: o indulto desencadeou protestos de rua, fragilizou a autoridade moral do primeiro‑ministro e expôs a contradição entre a retórica de proteção das crianças tantas vezes propagada por Viktor Orbán e as práticas do poder do Fidesz.
Para além dos escândalos, o contexto económico na Hungria degradou-se nos últimos anos, com uma inflação elevada e um aumento do custo de vida que muitas vezes não acompanhou a evolução dos salários. Um membro do Tisza explicou ao Financial Times o que representam as dificuldades financeiras para muitos húngaros: “As pessoas não podem mais ignorar os recuos democráticos e a corrupção se a sua qualidade de vida deixa de melhorar”.
Há outro problema. Viktor Orbán nunca escondeu a animosidade em relação à União Europeia, criticando sistematicamente decisões e bloqueando várias iniciativas comunitárias, como as sanções à Rússia e o apoio financeiro à Ucrânia. O primeiro-ministro fez mesmo da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, uma das suas principais inimigas políticas. Em resposta à erosão do Estado de Direito e às suspeitas de corrupção, Budapeste viu os fundos comunitários avaliados em mil milhões de euros congelados ou condicionados por Bruxelas — o que dá menos margem de manobra para estimular a economia.

O que levou Orbán a fazer de Zelensky um dos protagonistas destas eleições?
Desde que a guerra na Ucrânia começou, Viktor Orbán manteve a mesma posição: teceu duras críticas à Ucrânia e declarou que a Rússia seria a vencedora inevitável do conflito, pressionando a liderança ucraniana a negociar, independentemente das cedências que poderia ter de fazer. Esta postura contrasta fortemente com os restantes Estados-membros (à exceção da Eslováquia, liderada por Robert Fico), que veem na resistência de Kiev uma forma de defender a Europa e de conter a ameaça russa.
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Enquanto praticamente todas as capitais europeias mantêm uma postura hostil em relação a Vladimir Putin, o primeiro-ministro húngaro tem uma relação próxima com o Presidente russo. Apesar de na memória coletiva húngara continuar presente a Revolução de 1956 que acabou esmagada pela União Soviética, Viktor Orbán tornou-se o principal aliado do Kremlin dentro da União Europeia e da NATO.
O alinhamento com a Rússia não é particularmente popular entre os húngaros — nem sequer é um trunfo eleitoral. No entanto, Viktor Orbán tem transmitido a mensagem de que está a evitar arrastar a Hungria para uma guerra contra Moscovo, sendo essa ideia eleitoralmente mais apelativa. Nesta ordem de ideias, a campanha do Fidesz tem-se focado num Presidente estrangeiro: Volodymyr Zelensky.

O Presidente ucraniano converteu-se num dos alvos de Viktor Orbán durante a campanha. Há cartazes com o rosto de Volodymyr Zelensky em várias cidades húngaras, como um lembrete de que o atual primeiro-ministro está a evitar que a Hungria siga o mesmo caminho da Ucrânia. Ao mesmo tempo, o chefe do Executivo tem tentado colar a imagem de Péter Magyar à do líder ucraniano, apresentando o líder do Tisza como o candidato de Kiev e de Bruxelas, numa eleição em que Orbán diz defender a “paz” contra a “guerra”.
“A retórica da campanha é deliberadamente binária — paz contra guerra — ao retratar a Ucrânia como um risco e o atual Governo húngaro como sendo aquele que procura a estabilidade e a racionalidade”, assinalou à AFP a historiadora Csilla Fedinec. Na sombra de Viktor Orbán, a Rússia agradece que Volodymyr Zelensky seja o vilão nesta campanha.
Rússia e Estados Unidos. O que leva os dois países a desejarem a vitória de Orbán?
Acumulam-se as provas de que a Rússia tem apoiado a campanha de Viktor Orbán. Moscovo pretende manter o primeiro-ministro húngaro como uma força bloqueadora na NATO e na União Europeia, ainda que existam alguns receios de que o chefe do Executivo húngaro possa mesmo perder as eleições. O Serviço de Informações Estrangeiros (SVR), um dos ramos das secretas russas, terá mesmo planeado, segundo o Washington Post, uma tentativa encenada de assassínio de Viktor Orbán que mudaria a tónica da campanha e daria força ao Fidesz.
https://observador.pt/2026/03/21/russia-planeou-atentado-falso-contra-orban-para-aumentar-chances-de-vitoria-do-primeiro%E2%80%91ministro-hungaro-nas-eleicoes/
Este plano não foi avante, mas isso não significa que a Rússia não esteja a tentar interferir nas eleições húngaras. Os russos estarão a ajudar a campanha do primeiro-ministro húngaro a difundir desinformação e propaganda nas redes sociais. “Os russos estão a ajudar Orbán a levar a campanha a um novo nível com o seu exército de trolls, manipulação do algoritmo e conteúdo que gera medo”, afirmou o jornalista de investigação húngaro Szabolcs Panyi à Deutsche Welle.
Se a ajuda da Rússia é nos bastidores, a dos Estados Unidos é às claras. A Casa Branca tem deixado vários elogios a Viktor Orbán — e o Presidente norte-americano, Donald Trump, declarou o apoio à candidatura do primeiro-ministro húngaro em vários vídeos nas redes sociais. O vice-presidente JD Vance viajou esta semana para Budapeste e esteve inclusivamente num comício do Fidesz.
A administração norte-americana vê a Hungria de duas formas. Por um lado, como um exemplo de um Governo de direita radical bem sucedido em conservar o poder, cujos métodos não se importava de copiar. Por outro, como o exemplo de aliado ideal na Europa: subserviente e ideologicamente alinhado com o trumpismo. O conservadorismo social e a agenda anti‑imigração do Executivo de Viktor Orbán agradam à Casa Branca.
Quando Trump venceu as eleições em 2024, Viktor Orbán foi um dos poucos líderes europeus que celebrou o resultado dos republicanos. Mesmo que o Presidente dos EUA até nem tenha cumprido muito do que tinha prometido (como terminar a guerra na Ucrânia em 24 horas), o primeiro‑ministro húngaro sabe que tem um aliado na Casa Branca. Ainda assim, essa relação também comporta riscos: a guerra no Irão e o tom depreciativo do líder norte-americano em relação à NATO dão azo à perceção de que o Fidesz se alia a um Presidente que está a fragilizar a segurança da Europa e que coloca em causa a mensagem antibélica que o partido tenta passar aos eleitores no que toca à Ucrânia.
Péter Magyar. Quem é o homem que desafia Orbán e que quer que os “russos vão para casa”?
Quando era mais novo, Péter Magyar filiou-se no Fidesz. Nunca teve grande projeção pública, embora tenha ocupado vários cargos em representação do partido. Para muitos húngaros, foi sobretudo visto durante anos apenas como o marido de Judit Varga, ex‑ministra da Justiça e afilhada política de Viktor Orbán. É oriundo também de uma família de políticos e da elite de Budapeste: o seu tio-avô foi o antigo Presidente da Hungria, Ferenc Mádl.
Péter Magyar divorciou‑se de Judit Varga em 2023, depois do escândalo do indulto num caso de abuso de menores que levou à queda não só da antiga Presidente, como também da sua ex‑mulher. Foi nesse contexto que, após anos a desempenhar um papel secundário no Fidesz, começou o seu renascimento político: apresentou‑se como dissidente do sistema e whistleblower, assumiu a liderança do pequeno partido Tisza e transformou‑o, em pouco tempo, no principal rival de Viktor Orbán.

A mensagem de Péter Magyar é simples: quer acabar com a corrupção e a “máfia” que capturou o Governo húngaro. Este é a principal bandeira do político, que ressoa entre muitos eleitores cansados dos esquemas do Fidesz e de Viktor Orbán. O homem de 45 anos defende também uma reaproximação a Bruxelas, embora mantenha uma linha dura em temas como a migração e realce a importância da soberania da Hungria no Parlamento Europeu.
Inicialmente, aquele que poderá vir a ser o novo primeiro‑ministro insistia em dizer que não era “nem de esquerda, nem de direita” e tentava alargar a sua base com apoios de todo o espetro político. Com o tempo, corrigiu a rota e passou a assumir‑se como político de centro‑direita, algo que se consolidou com a adesão do Tisza ao Partido Popular Europeu.
Com o foco na corrupção e na melhoria dos indicadores económicos, ainda existem várias incógnitas sobre como seria um Governo do Tisza. Na política externa, ainda assim, Péter Magyar promete reconciliar a Hungria com as organizações internacionais. “Os húngaros ainda veem o desenvolvimento e a paz a serem garantidos pela adesão à União Europeia e à NATO”, declarou o político, em entrevista à Associated Press.
O que parece certo é que Péter Magyar tem um alvo na mira: a Rússia. O líder do Tisza tem sido bastante crítico do regime de Vladimir Putin, prometendo terminar com a influência russa na Hungria. “Russos vão para casa”: este tem sido um cântico entre os apoiantes do Tisza, que já tinha sido utilizado durante a Revolução de 1956. Mas, ao mesmo tempo, o político de 45 anos garantiu que não vai enviar armas para a Ucrânia, apesar de prometer melhorar as relações com Kiev.
https://twitter.com/AlexTaylorNews/status/2041869926227382495
Numa dura campanha com influência russa e norte-americana, Péter Magyar tenta convencer os eleitores de que a mudança está próxima, terminando com a estagnação que alguns eleitores associam ao Fidesz. Pela primeira vez, muitos húngaros podem estar dispostos a escolher a alternância política, mas o caminho vai ser sinuoso: Viktor Orbán soube manipular a lei eleitoral a seu favor e tem uma rede de aliados fieis que desejam prolongar este modelo de governo.