Muitos temas, sucessivas reuniões. Depois dos encontros com os grupos parlamentares de PSD, neste caso na semana passada, e PS, Rui Costa esteve também na manhã desta quinta-feira com o Chega na Assembleia da República, sendo recebido pelo líder da bancada do partido, Pedro Pinto. Os temas voltaram a ser os mesmos dos momentos anteriores, não só relacionados com o Benfica mas com o futebol português como um todo, a esperança de que algumas coisas possam mudar voltou também a ser comum no rescaldo. Assim, a única coisa que saiu “fora da caixa” acabou por ser mesmo o presente do futebol dos encarnados após o empate em Rio Maior frente ao Casa Pia, dos objetivos que subsistem ainda em 2025/26 ao papel de José Mourinho.
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“Somos obrigado a acreditar em todos os lugares até ser possível. Essa é a obrigação dos jogadores e de cada pessoa que trabalha no Benfica, até pelo respeito que é preciso ter pelo clube”, referiu após a reunião onde voltou a estar acompanhado pelos administradores da SAD, Nuno Catarino e José Gandarez, “fugindo” assim à admissão de José Mourinho de que o título era quase uma miragem após o último empate.
“Próxima temporada? As épocas seguintes começam-se a preparar à primeira jornada da época [corrente]. Esta foi preparada para ganhar o Campeonato Nacional e ter uma boa prestação na Liga dos Campeões mas não está a ser o que queríamos. É responsabilidade de todos nós. Por respeito à camisola que é sagrada e por respeito aos adeptos, não abandonamos a época até estar terminada”, acrescentou, antes de falar da situação de José Mourinho como técnico dos encarnados: “O que disse ontem [quarta-feira] foi curto? Curto é bom sinal, é sinal que não há muito para dizer… Tem contrato por mais um ano, não é tema”.
Se os resultados não chegarem, Mourinho é imune? Ninguém é imune a nada no Benfica, o presidente também não é imune…”, comentou de forma lacónica ainda sobre o tema.
Ainda na parte do futebol, Rui Costa abordou também as declarações duras de José Mourinho depois do jogo com o Casa Pia: “Vi as declarações de um treinador que estava desagradado com a exibição da equipa, como ficámos todos. Direção? Reagiu com a desilusão de ter empatado um jogo que não devia ter empatado”.
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Rui Costa falou ainda no novo empréstimo obrigacionista de 40 milhões de euros anunciado na véspera, com reembolso para 2031 a uma taxa de 4,65% com a possibilidade de haver um reinvestimento por parte de quem entrou no obrigacionista de 2023 que vencerá no próximo mês de maio. “É uma operação como temos feito ao longo dos anos, tem sido um sucesso e vai ser novamente. É uma necessidade do clube”, frisou.
Antes, Rui Costa tinha também abordado os principais temas da reunião com o grupo parlamentar do Chega, das questões que dizem mais respeito ao Benfica como outros assuntos transversais a todo o futebol nacional como a questão da centralização dos direitos audiovisuais, as apostas desportivas, o IVA que continua a ser aplicado aos espectáculos desportivos ou a possibilidade de haver venda de bebidas alcoólicas nos recintos deportivos. Em paralelo, e mais uma vez na sequência da apresentação de outros projetos como o Benfica District projetado para nascer até 2029, o líder do conjunto da Luz voltou a falar da Benfica FM.
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“É um balanço muito positivo [sobre os encontros]. Colocámos as nossas preocupações. Não é a primeira vez que o fazemos e estamos a tentar fazê-lo de maneira a abranger toda a área política, não só as preocupações que têm a ver com o Benfica mas também com o futebol português no seu todo, nomeadamente os direitos televisivos. Fomos ouvidos, tentámos esclarecer as nossas dúvidas e o que entendemos ser prejudicial para o futebol português, e vamos ver. Acima de tudo, queremos dar a conhecer as preocupações e que os partidos tenham a noção das preocupações de um clube como o Benfica, que não vem só defender os seus interesses mas também os do futebol português. Esperamos que possam ficar sensibilizados e atuem consoante o melhor para o futebol português. Apostas desportivas, seguros, álcool nos estádios e IVA são tudo coisas que prejudicam o futebol português. Foram discutidas matérias relativas ao futebol e às preocupações do Benfica, como a Benfica FM, que não conseguimos perceber“, salientou o líder do conjunto da Luz.
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Na véspera, em declarações à Bola TV, Rui Costa tinha falado também sobre o “peso” do resultado com o Casa Pia para o que resto até ao final do Campeonato. “Peso? E de que maneira, e de que maneira… Foi um empate mais do que inesperado, que não poderia ter acontecido, não poderia ter acontecido, e que nos deixa numa situação ainda mais complicada do que aquela em que estávamos. É nossa obrigação lutar até ao fim, é nossa obrigação apagar a imagem do que fizemos com o Casa Pia”, apontou o presidente das águias.
“Sobre a relação entre os três grandes, nada é bom para o negócio quando as coisas são assim e têm de acontecer dessa maneira mas não impede que os clubes estejam em sintonia para o crescimento do futebol português. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa, e não ponho em causa que os clubes possam trabalhar em conjunto para o crescimento do futebol português. Nesse sentido, consideramos que a forma como está a ser vista a centralização dos direitos televisivos não vai beneficiar o futebol português, portanto tem de ser uma coisa global e não só de Benfica”, assinalou ainda Rui Costa.