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O estado russo deverá em abril registar uma duplicação da receita obtida com o principal imposto que cobra às empresas produtoras de petróleo. De acordo com cálculos da agência Reuters, Moscovo deverá arrecadar um valor em rublos que representa perto de 7,7 mil milhões de euros e que é proveniente do imposto sobre a extração mineral, um salto significativo face ao valor de março.
Esta duplicação da receita fiscal surge como consequência direta do bloqueio do Estreito de Ormuz por parte de Teerão, que retirou do mercado uma rota vital por onde passa 20% do fluxo global de crude e empurrou o barril de Brent para bem acima do patamar dos 100 dólares, ao longo de vários dias.
Segundo a Reuters, o impacto nas contas russas é visível no preço do barril Urals, a referência russa para efeitos fiscais, que disparou para os 77 dólares em março, o valor mais alto desde outubro de 2023.
Esta subida representa um crescimento de 73% face aos preços praticados em fevereiro e esmaga a previsão de 59 dólares por barril que o regime de Vladimir Putin tinha traçado no Orçamento do Estado para 2026. Perante o cenário de instabilidade no Golfo, o Kremlin confirmou um aumento massivo na procura global de energia russa, afirmando que a crise atual está a “abalar os alicerces” dos mercados energéticos mundiais.
Apesar deste encaixe inesperado, a sustentabilidade da economia russa continua em dificuldades. Moscovo fechou o primeiro trimestre de 2026 com um défice orçamental de 4,58 biliões de rublos [cerca de 50 mil milhões de euros] — cerca de 1,9% do PIB — e enfrenta a ameaça constante dos ataques ucranianos contra as suas refinarias, que visam precisamente asfixiar a máquina de guerra russa.