Não houve quaisquer ataques por parte de Estados Unidos e Israel contra território iraniano desde que o cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira entrou em vigor, registando-se apenas alguns ataques a zonas industriais antes de os Exércitos terem formalmente anunciado a suspensão das operações.
Apesar de o Irão também não ter disparado contra Israel, no Golfo, contudo, houve registos de vários ataques com mísseis e drones iranianos. O cessar-fogo continua por isso frágil.
Bem mais complexa é a situação no Líbano. Depois de o primeiro-ministro paquistanês ter anunciando inicialmente que o cessar-fogo se aplicaria em território libanês, tanto Donald Trump como Benjamin Netanyahu negaram que assim fosse. Neste mesmo dia, Israel conduziu o maior número de ataques diários contra o país: 100 em apenas dez minutos, matando mais de 200 pessoas.
O dia foi ainda marcado pelo encontro de Trump com o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, em que ficou mais uma vez explícita a desconfiança do Presidente norte-americano face à Aliança. Donald Trump voltou ainda a abordar o caso da Gronelândia.
Pode recordar os acontecimentos de terça-feira aqui.
https://observador.pt/2026/04/08/trump-avisou-que-uma-civilizacao-inteira-ia-morrer-mas-por-fim-chegou-o-cessar-fogo-o-que-aconteceu-no-ultimo-dia-de-guerra/
Estes foram os desenvolvimentos na guerra no Médio Oriente ao longo desta quarta-feira, dia 8 de abril:
No Irão
- Ainda antes de o cessar-fogo anunciado na noite de terça-feira entrar em vigor, Israel e os EUA conduziram ataques contra três empresas petroquímicas na província do Khuzestão.
- Os ataques pré-cessar-fogo também atingiram as infraestruturas da empresa industrial Azarab, que faz equipamento para centrais nucleares e refinarias.
- A empresa nacional de refinação de petróleo iraniana diz que a sua refinaria em Lavan foi atingida por “inimigos”. As IDF negaram estar envolvidas no ataque.
- A Associated Press noticiou que a versão em persa e a versão em inglês do acordo de cessar-fogo têm discrepâncias. A primeira inclui a expressão “aceitação de enriquecimento”, enquanto a segunda não. O Presidente Donald Trump declarou que o enriquecimento de urânio pelo Irão “está tratado” e que não aceitaria negociar se assim não fosse.
- Um responsável norte-americano disse aos media que o plano de 10 pontos proposto pelo Irão não coincide com as condições impostas por Washington para o cessar-fogo. “O documento que está a ser divulgado pelos media não é o enquadramento de trabalho [para as negociações].”
- O Axios avançou que o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, convenceu comandantes da Guarda Revolucionária a aceitarem o acordo para um cessar-fogo.
- As notícias do cessar-fogo foram recebidas com festejos nas ruas de Teerão.
- No Estreito de Ormuz, autoridades militares iranianas fizeram avisos via rádio de que os navios que tentassem circular sem autorização seriam destruídos. Responsáveis do país também declararam publicamente que o Irão deve aplicar portagens.
- O chefe do Estado-Maior do Exército norte-americano, Dan Caine, declarou que os militares estão prontos a retomar as operações se o Presidente o ordenar. “Sejamos claros, um cessar-fogo é uma pausa e a força conjunta continua preparada se for chamada.”
Em Israel e no Líbano
- Depois de o primeiro-ministro do Paquistão ter declarado que o Líbano estava abrangido no acordo de cessar-fogo, responsáveis norte-americanos e israelitas desmentiram essa informação. Donald Trump confirmou-o numa entrevista, classificando a situação no Líbano como “uma escaramuça diferente”. Já o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, declarou que apoia o cessar-fogo no Irão, mas que este não abrange o Líbano.
- As IDF levaram a cabo o maior número de ataques diários de sempre contra território libanês num só dia, conduzindo mais de 100 ataques em apenas dez minutos. Mais de 200 pessoas morreram e mais de mil ficaram feridas.
- Israel confirmou que o Hezbollah matou um oficial israelita e feriu seis soldados na véspera.
- As forças militares israelitas emitiram novos avisos de evacuação para residentes de Tyre, no sul do Líbano.
- O Hezbollah reivindicou ter levado a cabo 13 ataques contra território israelita e 20 contra as forças do país no sul do Líbano — um valor bastante inferior ao dos últimos dias.
- Os líderes dos partidos da oposição em Israel criticaram o acordo de cessar-fogo. Yair Lapid disse ser “um desastre político” e Yair Golan classificou a decisão como “um dos piores falhanços estratégicos”.
No Golfo
- Apesar do cessar-fogo, os Emirados Árabes Unidos dizem ter sido alvo de ataques com 17 mísseis e 35 drones iranianos ao longo desta quarta-feira.
- O Kuwait confirmou que o Irão disparou 28 drones contra o país, incluindo contra infraestruturas de petróleo e plantas de dessalinização de água. O país não classificou os ataques como violações do cessar-fogo.
- O Qatar anunciou ter intercetado nove mísseis balísticos e drones, não especificando se foram disparados antes ou depois de o cessar-fogo entrar em vigor.
- O chefe da diplomacia de Omã congratulou Irão, EUA e Paquistão pelo acordo de cessar-fogo.
No resto do mundo
- O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, confirmou a libertação da jornalista Shelly Kittleson, que tinha sido raptada no Iraque. A milícia responsável, o Kataib Hezbollah, disse que a libertava na condição de que saísse do país imediatamente.
- A embaixada norte-americana em Bagdade declarou que milícias pró-Irão fizeram ataques com drones contra uma infraestrutura diplomática e o aeroporto da capital do Iraque.
- A milícia Resistência Islâmica declarou que vai respeitar o cessar-fogo.
- O Presidente Donald Trump confirmou que a China esteve envolvida nas negociações para conseguir o cessar-fogo.
- A Turquia anunciou que os seus serviços de informações estiveram envolvidos nos esforços para alcançar um cessar-fogo.
- Vários líderes mundiais felicitaram o acordo de cessar-fogo, incluindo o secretário-geral das Nações Unidas e os responsáveis da Alemanha, Indonésia e Turquia. Emmanuel Macron congratulou-se, mas avisou que a situação no Líbano continua frágil. Pedro Sánchez, em Espanha, celebrou o cessar-fogo, mas deixou críticas aos Estados Unidos.
- Os três membros da tripulação de um navio da Tailândia que foram atacados no Estreito de Ormuz no mês passado morreram.
- O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, encontrou-se com Donald Trump. O primeiro reconheceu que Trump está “desiludido” com a Aliança, mas que lhe fez ver que “alguns aliados apoiaram os EUA”. O segundo sublinhou que os membros da NATO “não estarão lá quando precisarmos deles outra vez” e fez novas ameaças sobre a Gronelândia: “Lembrem-se da Gronelândia, esse pedaço de gelo grande e governado de forma terrível.”
- O preço do petróleo voltou a baixar, com os preços a ficarem abaixo dos 100 dólares por barril.