A troca de acusações entre George Clooney e Donald Trump voltou a subir de tom. Esta semana, o ator criticou uma ameaça do Presidente dos Estados Unidos ao Irão, considerando que as suas declarações são “crimes de guerra“, noticiou o The Guardian.
“Há quem diga que Donald Trump está bem. Mas quando alguém diz que quer acabar com uma civilização, é um crime de guerra”, disse Clooney, referindo-se à afirmação de Trump de que “uma civilização inteira” morreria na noite de terça-feira se o regime iraniano não reabrisse o Estreito de Ormuz.
https://observador.pt/2026/04/07/trump-ameaca-que-uma-civilizacao-inteira-morrera-esta-noite/
Durante um evento promovido pela Clooney Foundation for Justice, com cerca de 3.000 alunos do ensino secundário, em Cuneo, no norte de Itália, o ator sublinhou que é possível defender posições conservadoras “sem ultrapassar uma linha de decência“. “Pode-se continuar a apoiar o ponto de vista conservador, mas tem de haver um limite de decência e não o podemos ultrapassar”, acrescentou.
Em resposta, a administração norte-americana disse ao jornal The Independent que “a única pessoa a cometer crimes de guerra é George Clooney, pelos seus filmes horríveis e pela péssima capacidade de representação”.
Posteriormente, num comunicado enviado à revista Deadline, Clooney reiterou as críticas à Casa Branca, acusando Trump de recorrer a insultos em vez de justificar politicamente as suas declarações. “Famílias estão a perder os seus entes queridos. Crianças foram reduzidas a cinzas. A economia mundial está à beira do precipício. Este é um momento para um debate sério de alto nível. Não para insultos infantis“, pode ler-se na nota.
O ator, que agora também tem nacionalidade francesa, referiu ainda que um crime de guerra pode estar em causa “quando existe intenção de destruir fisicamente uma nação”, justificando as críticas ao discurso de Trump.
https://observador.pt/2025/12/30/george-clooney-mulher-e-filhos-obtiveram-a-nacionalidade-francesa-para-proteger-a-privacidade-da-familia/
Esta não é a primeira vez que ambos se envolvem em troca de acusações. Em 2016, o ator afirmou, durante o Festival de Cannes, que era “impossível” Trump chegar à Presidência dos Estados Unidos porque “o medo não é algo que sirva para manipular um país” — previsão que falhou. Após as eleições, e já depois de Trump ter sido eleito, Clooney disse: “Temos um demagogo na Casa Branca”.
Em março de 2025, Trump disse que Clooney era “um ator de segunda categoria“, após este ter comentado a liberdade de imprensa nos Estados Unidos. Durante o evento desta semana, Clooney brincou com estas críticas: “Chamarem-me ator falhado é algo com o qual até concordo, tendo em conta que participei em Batman & Robin“.
Já no início deste ano, o líder norte-americano escreveu, nas redes sociais, que a aquisição de nacionalidade francesa por parte da família Clooney é uma “boa notícia”, uma vez que George e a mulher, Amal Alamuddin Clooney, são “dois dos piores prognosticadores políticos de todos os tempos”.
https://observador.pt/2026/01/02/boa-noticia-trump-reage-a-nova-nacionalidade-da-familia-clooney-e-acusa-franca-de-fazer-pessima-gestao-da-imigracao/
Apesar de Clooney ter sido, segundo a Forbes, o sétimo ator mais bem pago do mundo em 2024, Trump desvalorizou a carreira do ator na sua publicação, escrevendo que “recebeu mais publicidade pela política do que pelos seus poucos e medíocres filmes”. “Não é de todo uma estrela de cinema, mas sim um tipo comum que se queixa constantemente do senso comum na política”, concluiu.
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