A TAP registou lucros, em 2025, de 4,1 milhões de euros, uma queda significativa face aos 53,7 milhões de euros apresentados em 2024. A empresa justifica esta queda com um efeito “não recorrente relativo ao ajuste no IRC no montante de 42,0 milhões de euros”, segundo comunicado divulgado esta quinta-feira.
No quarto trimestre registou um prejuízo de 51 milhões devido ao tal ajuste no IRC de 42 milhões, e explicado pela “reavaliação dos ativos por impostos diferidos após a redução progressiva da taxa de IRC introduzida pela Lei n.º 64/2025”. A empresa indica que sem este efeito os lucros do ano teriam atingido 46,1 milhões, ainda assim menos que em 2025.
Com a descida das taxas de IRC, as empresas que têm ativos por impostos diferidos sem a respetiva compensação no passivo por imposto diferido, o ajustamento reflete-se numa redução do resultado contabilístico. Se a descida da taxa de IRC tem um reverso da medalha, já que leva a atualizações nos ativos por impostos diferidos no ano em que a taxa é reduzida. No caso da TAP, o ativo por impostos diferidos era, no final de 2024, de 471 milhões (tendo ficado nos 398 milhões no final de 2025) e o passivo era de 84,2 milhões em finais de 2024 (147,2 milhões em finais de 2025).
Os ativos por impostos diferidos geram-se pelos montantes de IRC recuperável em ano fiscal futuro, decorrente de reportes de prejuízos fiscais passados e de créditos fiscais não utilizados. “O ajustamento já inclui a evolução das taxas atuais previstas até 2028″, realça ao Observador fonte oficial da TAP.
No quarto trimestre os prejuízos estão atribuídos ao ajuste por causa do IRC, e apesar de uma reversão de imparidades que a TAP fez nesse período. Ao Observador a empresa justifica esta reversão “maioritariamente” pela “reavaliação da provisão relativa à estimativa de indemnizações a passageiros”.
A TAP não especifica, no comunicado desta quinta-feira, o valor provisionado para as eventuais perdas com processos judiciais dos tripulantes, que os sindicatos avaliam num custo para a transportadora de 300 milhões. A TAP, nos resultados de 2024, tinha inscrito uma provisão de 41 milhões para este processo. Agora, questionada pelo Observador sobre o valor inscrito em 2025, a transportadora não divulga, remetendo para o relatório integrado que será “publicado em breve”.
A TAP, que vai sempre notando que a queda de lucros se deve a fatores externos, salienta que este é o quarto ano de lucros.
Em 2025 as receitas totalizaram 4.313 milhões, 1,2% acima de 2024, com um crescimento de 10% do negócio de manutenção. As receitas com passagens aéreas tiveram um crescimento ligeiro de 0,8% — e estas foram suportadas pelo aumento de capacidade –, com a TAP a sinalizar que “a evolução das receitas unitárias refletiu maior concorrência nos principais mercados e efeitos macroeconómicos no mercado norte-americano”.
Só no quarto trimestre as receitas atingiram 1.032,2 milhões, uma subida homóloga de 3,7%, com um aumento das receitas de passageiros, no último trimestre de 2025, de 3,8%.
No conjunto de 2025, a TAP transportou 16,7 milhões de passageiros, um aumento de 3,4% face a 2024, quando só subiu 0,8% dos voos operados.
Assim, o PRASK (receitas de passageiros divididas por lugar-quilómetro) fixou‑se em 6,96 cêntimos, uma redução de 2,3% face a 2024. Enquanto o CASK (custos operacionais divididos por lugar-quilómetro) aumentou 0,5%, para 7,36 cêntimos.
Os custos operacionais recorrentes aumentaram 3,6%, atingindo 4.070,1 milhões em 2025, o que a TAP atribui ao agravamento dos custos operacionais de tráfego (+6,7%) devido ao crescimento da operação, mas também aos custos com pessoal que subiram 7,9% e ao aumento de depreciações e amortizações (+10,8%) por causa do investimento na frota. Em 2025, a TAP ainda conseguiu que estes aumentos foram “parcialmente compensados pela diminuição dos custos com combustível (-56,2 milhões de euros ou -5,4%)”, que ficaram abaixo dos mil milhões.
Em comunicado, a TAP indica que “concluiu, em 2025, o cumprimento dos compromissos operacionais e financeiros previstos no Plano de Reestruturação aprovado pela União Europeia, tendo a Comissão Europeia reconhecido que todas as medidas operacionais exigidas foram implementadas atempadamente e que a Sociedade alcançou resultados operacionais e financeiros suscetíveis de restabelecer a sua viabilidade a longo prazo”. No entanto, a TAP ficou em incumprimento com o compromisso de venda da Cateringpor e da SPdH (Sociedade Portuguesa de Handling, S.A), tendo conseguido um prolongamento até 30 de junho de 2026 para realizar essas vendas, mas tem de devolver ao Estado 24,99 milhões, “correspondente a parte do auxílio de Estado recebido, em consequência dessa prorrogação”.
A empresa diz ao Observador que a restituição do dinheiro deverá ser feita até 30 de junho de 2026, mas o valor “foi devidamente registado em balanço, nomeadamente na rubrica ‘Ajustamentos em partes de capital’ no Capital Próprio e no Passivo”.
A TAP ficou igualmente impedida de aumentar a oferta por causa desta situação. Mas a empresa, em comunicado e em relação à estratégia para 2026, mostra-se convencida de que conseguirá “um crescimento disciplinado e sustentável, suportado por uma expansão e modernização equilibrada da frota, através da entrega de aeronaves Airbus Neo”um crescimento que será principalmente impulsionado pelo reforço da rede transatlântica, com particular destaque para o Brasil [para onde lançará duas novas rotas, totalizando 15 destinos, dos quais 10 em exclusivo pela TAP], bem como pela expansão das operações a partir do Porto, incluindo o lançamento de novas rotas e o desenvolvimento de um hub de manutenção”.
A TAP, no final de 2025, tinha 99 aviões em operação.
https://observador.pt/2026/02/23/tap-impedida-de-expandir-oferta-ate-se-desfazer-das-participacoes-na-cateringpor-e-no-handling/
Ainda nas perspetivas para 2026, a TAP indica que o impacto dos preços dos combustíveis “deverá ser parcialmente mitigado do lado da receita, através de ajustamentos de pricing alinhados com as tendências de mercado e suportados por uma procura adicional robusta”. A transportadora, que está em processo de privatização, garante que, “tendo em conta a incerteza que persiste em torno do conflito no Irão, estamos a acompanhar a situação de perto e manteremos a flexibilidade necessária para ajustar rapidamente a operação caso o contexto se altere”.
Questionada pelo Observador sobre este ajustamento no preço, a TAP diz apenas que “o ajuste de preços decorre de uma análise rota-a-rota e com base em ajustes dinâmicos dependendo da procura e dos preços de mercado, pelo que é complicado fazer essa análise”.
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A TAP está, neste momento, em processo de privatização, tendo sido entregues duas propostas não vinculativas — da Air France-KLM e da Lufthansa.
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