Com um frágil cessar-fogo no Irão, a presidência norte-americana está já a pensar noutra frente da política externa. Desta vez, é a NATO. Donald Trump reiterou esta quarta-feira à noite que está muito desiludido com a Aliança transatlântica por vários Estados-membros não terem ajudado os Estados Unidos da América (EUA) e Israel na guerra do Irão. Como tal, está a ser montado um plano pela administração Trump que prevê punir os países que decidiram ativamente não prestar qualquer tipo de auxílio às tropas de Washington, avançou esta quarta-feira o Wall Street Journal.
Esta quarta-feira, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, encontrou-se também com Donald Trump. O líder da Aliança transatlântica esteve mais de duas horas reunido com o Presidente norte-americano em Washington D.C., numa conversa que o neerlandês definiu à CNN Internacional como tendo sido “franca e aberta”. Durante o encontro, o chefe de Estado norte-americano terá mesmo discutido a saída dos Estados Unidos da América da organização militar.
Antes do encontro, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, resumiu o que Donald Trump sente: que muitos países da NATO “falharam no teste” da guerra do Irão. “É triste que a NATO tenha virado as costas ao povo norte-americano quando o povo norte-americano tem financiado a sua defesa”, lamentou a responsável pela comunicação da presidência, confirmando que o Chefe de Estado ainda estaria a “considerar” abandonar a Aliança transatlântica.
Em resposta à possibilidade de os EUA saírem da NATO, Mark Rutte não confirmou, nem desmentiu que o assunto foi debatido. Ainda assim, o secretário-geral reconheceu que Donald Trump está “desapontado” com muitos aliados, mas tentou entender a frustração o líder norte-americano: “Nem todos os países europeus cumpriram as responsabilidades. Entendo totalmente que ele esteja desapontado”.
Após este encontro, numa publicação na Truth Social, Donald Trump voltou às críticas à Aliança e escreveu que a NATO “não esteve lá” quando os Estados Unidos “precisaram”. “Eles não estarão lá quando nós precisarmos deles outra vez”, lamentou, recordando o que aconteceu com a Gronelândia. “Lembrem-se da Gronelândia. Esse pedaço de gelo grande e que é governado de forma terrível.”
Numa conversa que descreveu como sendo de “amigos” com Donald Trump, o secretário-geral da NATO tentou lembrar o Presidente norte-americano do “legado” que deixa na Aliança. “Foi a sua liderança em que se aumentaram as despesas — para 5% [do PIB]”, frisou, deixando claro que foi um “legado transformador”. “Foi um encontro entre amigos. Gostamos um do outro, admiro a sua liderança. O que ele fez na cimeira da NATO em Haia foi crucial.”
Insistindo na importância estratégica que a NATO representa para os Estados Unidos, Mark Rutte assegurou que a Aliança transatlântica apoiou a guerra israelo-americana no Irão. “A NATO sempre tomou a posição de que a degradação das capacidades nucleares e dos mísseis balísticos é crucial”, destacou.
Punir Estados-membros que não ajudarem os Estados Unidos?
Durante o encontro, o Wall Street Journal noticiou que a administração Trump está a elaborar um plano para punir aqueles países que não apoiaram os Estados Unidos e Israel na guerra do Irão. Vários dirigentes na presidência norte-americana veem-na como uma solução equilibrada: Washington não abandona a aliança transatlântica, mas deixa bem claro o seu desagrado.
A proposta de ‘castigar’ os Estados-membros consistirá, por um lado, em remover tropas norte-americanas dos países que não foram úteis aos Estados Unidos no conflito com o Irão e estacioná-las em países com uma postura considerada amigável. Por outro, a administração Trump estará a ponderar encerrar bases militares em países como Espanha e Alemanha — países que não foram tão úteis neste conflito no entender norte-americano.
Em contrapartida, segundo o Wall Street Journal, os países que poderiam beneficiar deste processo seriam a Polónia, a Lituânia, a Roménia e a Grécia, entre outros que não foram definidos.
Questionado na entrevista da CNN Internacional sobre esta probabilidade, Mark Rutte não deu uma resposta concreta e preferiu não comentar o assunto. “A grande maioria dos países comprometeram-se. A Europa tem uma plataforma de poder para os Estados Unidos que esteve em destaque nas últimas semanas. É verdade que nem todos os países responderam os compromissos e entendo totalmente que [Trump] esteja desapontado.”
[ As testemunhas, os relatórios, as fotos e os vídeos que desvendam como Renato Seabra matou Carlos Castro em Nova Iorque. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir o primeiro episódio, aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music]
