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ONU condena onda de ataques israelitas no Líbano

Porta-voz adjunto de António Guterres defende que o cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irão oferece uma oportunidade para evitar mais perdas de vidas.

Agência Lusa
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As Nações Unidas (ONU) condenaram esta quarta-feira os ataques de Israel no Líbano, que provocaram várias centenas de mortos e feridos civis, segundo as autoridades libanesas.

“A ONU condena veementemente a perda de vidas civis. A ONU continua a instar todas as partes a utilizarem os canais diplomáticos e a cessarem as hostilidades”, apelou estas quarta-feira Farhan Haq, o porta-voz adjunto do secretário-geral da ONU, António Guterres.

Haq defendeu que o cessar-fogo acordado entre os Estados Unidos e o Irão oferece uma oportunidade para evitar mais perdas de vidas entre o Líbano e Israel e instou todos os envolvidos a respeitarem as tréguas.

“Agora é o momento de iniciar negociações para resolver as divergências pendentes e trabalhar em prol de um cessar-fogo permanente e uma solução de longo prazo para o conflito. Não há solução militar para o conflito”, frisou.

Israel lançou esta quarta-feira o seu “maior ataque” desde o início da guerra contra o Líbano, em 2 de março, que deixou centenas de mortos e centenas de feridos, de acordo com um balanço oficial preliminar do Governo libanês.

Os ataques atingiram diversas áreas densamente povoadas, incluindo Bir Hassan, Al Rihab, Hay Al Solloum, Al Shiah, Al Choueifat e Aramoun, no sul de Beirute, bem como bairros da capital Beirute como Barbour, Corniche al Mazraa e Ain al Mreisseh.

Os alvos incluíram centros de informações e quartéis-generais do grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah, infraestruturas de lançamento de mísseis e navios da organização, além de ativos da Força Radwan e a sua 127ª Unidade Aérea, ambos corpos de elite, segundo fontes militares israelitas.

O coordenador humanitário da ONU no Líbano afirmou esta quarta-feira que a população libanesa está “chocada” com a escalada dos últimos ataques israelitas e alertou para o “enorme impacto” dos mais de 100 ataques aéreos feitos por Telavive.

Numa conferência de imprensa virtual, a partir de Beirute, Imran Riza indicou que a população libanesa acordou esta manhã com a notícia do cessar-fogo entre os Estados Unidos, Israel e o Irão, mas as mais recentes informações confirmaram que o Líbano estava excluído do acordo, registando-se várias mortes após uma onda de ataques das Forças de Defesa de Israel (IDF).

“O impacto destes ataques aéreos é enorme. Embora ainda não tenhamos números precisos, acredita-se que centenas de pessoas tenham sido mortas. As operações de resgate continuam. Hospitais de todo o país estão a pedir doações de sangue”, relatou o representante.

“Esta manhã, muitas pessoas em todo o Líbano estavam cautelosamente otimistas em relação ao regresso a casa — algumas até começaram a deslocar-se. Os acontecimentos das últimas horas, no entanto, provavelmente desencadearam mais deslocações”, frisou Riza.

O Presidente norte-americano afirmou esta quarta-feira que o acordo de cessar-fogo entre Irão e Estados Unidos não se aplica ao Líbano, embora o Paquistão, país mediador, tenha afirmado inicialmente que o acordo englobava o território libanês.

“Eles [Líbano] não foram incluídos no acordo”, disse Donald Trump, argumentando que esta frente do conflito no Médio Oriente não está abrangida no cessar-fogo devido ao movimento xiita pró-iraniano Hezbollah, em declarações no programa “News Hour” da emissora pública de rádio norte-americana PBS, citadas pelas agências internacionais.

Questionado sobre se concordava que Israel continuasse os seus ataques ao Líbano, Trump respondeu que se trata de um “conflito à parte”.

Entretanto, o enviado de António Guterres para liderar os esforços da ONU no conflito, o diplomata francês Jean Arnault, está já no Médio Oriente, nomeadamente em Teerão, para apoiar os trabalhos diplomáticos para um fim permanente da guerra, indicaram as Nações Unidas.