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Partos em ambulância significam "menos bebés em casa sem apoio", diz deputado do PSD. E listas de espera? "Mais confiança no SNS"

Antigo bastonário da Ordem dos Médicos afirma que o aumento dos partos em ambulância acontecem "porque muitas vezes as grávidas alertam tarde demais para irem para o hospital".

Agência Lusa
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O vice-presidente da bancada do PSD Miguel Guimarães defendeu esta quarta-feira que haver mais partos em ambulância significa que há menos em casa, sem apoio, e atribuiu parte deles a atrasos no pedido de socorro.

Numa declaração política no parlamento, para assinalar os dois anos de governação PSD/CDS-PP, o médico e antigo bastonário afirmou ainda que o aumento de listas de espera na saúde significa “mais confiança no Serviço Nacional de Saúde”, e relacionou-o igualmente com o número de imigrantes no país.

Por outro lado, no mesmo debate, Miguel Guimarães fez a defesa do primeiro-ministro, em resposta a um pedido de esclarecimento do PAN, que aludiu ao vídeo do Governo em que Luís Montenegro surge num carro, aparentemente em movimento, no banco de trás sem cinto de segurança.

“Obviamente, o senhor primeiro-ministro estava a fazer um vídeo com o carro meio parado ou estava no estacionamento. Não estava seguramente a fazer uma viagem normal”, disse o deputado do PSD, mas deixando o conselho a todos que usem cinto de segurança, que “efetivamente salva vidas”.

Depois de defender que Portugal está melhor do que quando o primeiro Governo de Montenegro tomou posse — a 02 de abril de 2024 — incluindo na área da saúde, Miguel Guimarães foi confrontado pelo líder parlamentar do Chega, Pedro Pinto, com o aumento do número de partos realizados em ambulâncias. “O senhor deputado Pedro Pinto não sabe que, quando nascem mais bebés em ambulâncias, o que é que significa? Que nascem menos bebés em casa, que não têm qualquer apoio“, respondeu.

Por outro lado, o antigo bastonário da Ordem dos Médicos afirmou que estes partos em ambulância acontecem “porque muitas vezes as grávidas alertam tarde demais para irem para o hospital”. “Só faltava dizer que estamos a falar de malvadas grávidas da oposição que estão a fazer de propósito para estragar os números do Governo”, ironizou o deputado do Livre Tomás Pereira.

Miguel Guimarães assegurou que não está a responsabilizar as grávidas, mas reiterou que o pedido de socorro por vezes é feito tarde — admitindo dever-se à entrada em trabalho de parto — ou que as ambulâncias não chegam a tempo, frisando que é um problema que existirá sempre e em todos os países.

Em resposta ao deputado único do BE, Fabian Figueiredo, que acusou o Governo PSD/CDS-PP de ter aumentado as listas de espera na saúde, o vice-presidente da bancada do PSD respondeu terem perceções diferentes sobre a evolução do setor. “A sua perceção é que a saúde está pior em Portugal. A minha perceção é que a saúde está melhor em Portugal. E eu explico-lhe porquê: quando se diz, por exemplo, que as listas de espera vão aumentar quer dizer que as pessoas têm mais confiança no SNS. Quer dizer que as pessoas estão a ir mais vezes ao Serviço Nacional de Saúde, quer dizer que neste momento nós já sabemos quantos imigrantes temos em Portugal e eles também têm o Serviço Nacional de Saúde”, respondeu Miguel Guimarães.

Na sua declaração inicial, o deputado social-democrata defendeu que “há uma evidência que ninguém de boa-fé consegue esconder”. “Portugal está hoje melhor do que estava quando este Governo iniciou funções. Está melhor nas contas públicas, na economia, no Estado social, na confiança e na capacidade de decidir”, disse.

Miguel Guimarães elogiou o primeiro-ministro, Luís Montenegro, que “governou com sentido de responsabilidade, com coragem reformista e com uma noção muito clara daquilo que os portugueses esperavam”. “Menos propaganda, menos desculpas, menos adiamentos e mais decisão, mais execução e mais resultados”, considerou.

Perante as críticas da oposição, respondeu que as eleições em maio de 2025 reforçaram os resultados dos partidos que suportam o Governo. “A confiança que as pessoas têm em nós está seguramente a aumentar e, se porventura existissem eleições hoje, provavelmente a esquerda teria uma grande surpresa novamente”, disse.

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