Donald Trump anunciou durante a madrugada de domingo que o Exército norte-americano tinha resgatado o segundo tripulante do F-15 Strike Eagle abatido no sul do Irão na passada sexta-feira. A localização do responsável pelos sistemas de armas, que desapareceu numa zona remota e montanhosa do país, terá sido identificada com a ajuda de uma tecnologia da CIA até então desconhecida, escreve o The New York Post.
O dispositivo consegue detetar sinais muito fracos do corpo humano, como os batimentos cardíacos, mesmo à distância. Os dados recolhidos são depois analisados com recurso a um sistema de Inteligência Artificial, que ajuda a separar o sinal do ruído de fundo, explicaram duas fontes ao jornal norte-americano.
O nome “Ghost Murmur” é intencional, explica o mesmo jornal. “Murmur” (sopro, traduzido para português) diz respeito ao termo clínico associado aos ritmos do coração, enquanto “ghost” (fantasma) remete para a ideia de localizar alguém que, na prática, desapareceu. “É como ouvir uma voz num estádio, só que o estádio são mil quilómetros quadrados de deserto”, detalhou uma das fontes. “Se as condições forem as adequadas e o seu coração estiver a bater, conseguiremos encontrá-lo”.
Esta terá sido a primeira utilização da tecnologia no terreno pela agência de espionagem dos Estados Unidos. O seu uso foi posteriormente confirmado numa conferência de imprensa na Casa Branca, na tarde de segunda-feira, por Donald Trump e por John Ratcliffe, diretor da CIA. “Encontrar este piloto foi como encontrar uma agulha num palheiro, e a CIA foi incrível”, admitiu o Presidente norte-americano.
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O segundo tripulante do F-15 Strike Eagle, descrito pelo Presidente norte-americano como um “coronel altamente respeitado”, terá conseguido abandonar a aeronave em segurança e ativado um localizador de sobreviventes em combate.
De acordo com o Independent, o piloto foi encontrado ferido numa fenda nas montanhas do sul do Irão, a pouco mais de 300 quilómetros das linhas inimigas, por equipas de resgate norte-americanas. Segundo o mesmo jornal, o responsável pelo sistema de armas tinha apenas uma pistola consigo e já circulava uma recompensa pela sua captura.
O isolamento da região montanhosa do Irão revelou-se “um primeiro uso operacional ideal” da tecnologia até então desconhecida, segundo uma das fontes do New York Post. “Normalmente, este sinal é tão fraco que só pode ser medido em ambiente hospitalar com sensores pressionados quase contra o peito”, concluiu.
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