Um fenómeno de vento extremo destruiu na terça-feira telhados, partiu e arrancou árvores na aldeia de Mofreita, em Vinhais, provocando prejuízos avultados e deixando a população assustada, revelaram, esta quarta-feira, à Lusa a presidente da junta e vários moradores.
Noémia Gonçalves estava em casa quando, por volta das 16h00, presenciou aquilo que apelidou de “remoinho”, devido ao vento forte e à trovoada.
“Da minha janela, que a tinha aberta, vi um cerdeiro a cair (…) e vi aquele vento todo e saí cá fora, abri a porta de casa. Se eu não fecho a porta o vento entrava para dentro de casa e acho que me levava tudo (…) Foi uma coisa forte e repentina, foi em frações de segundos”, contou a moradora à Lusa.
“Segundos” que foram suficientes para lhe destruir parte do armazém, onde tinha alfaias agrícolas, e partir castanheiros com muitos anos. “Foi no telhado do armazém, já estivemos a ver, umas telhas que me partiu e fez-me lá um buraco no meio e os castanheiros, então foi uma razia aqui para cima (…) Não arrancou, esgalhou mesmo, só ficou o tronco”, lamentou.
Noémia Gonçalves admitiu ter ficado tão assustada que não conseguiu dormir esta noite. “Eu, na idade que tenho, nunca vi um fenómeno como este, nunca”, afirmou.
A presidente da União das Freguesias de Soeira, Fresulfe e Mofreita, Maria Alice Silva, esteve no terreno a tomar nota dos prejuízos, juntamente com técnicos do município de Vinhais.
Em declarações à Lusa, a autarca avançou que houve “bastantes estragos”, cinco infraestruturas ficaram danificadas, castanheiros “arrancados e literalmente destruídos”, e durante “cerca de seis horas” a aldeia ficou sem eletricidade.
“Nunca tinha visto um fenómeno destes e mesmo a própria população nunca assistiu a um fenómeno destes. Alias, há pessoas que viveram mais de perto e neste momento ainda estão assustadas com o que aconteceu ontem [terça-feira]”, referiu.
Tiago Barreira foi outra das pessoas que presenciou os estragos do vento extremo. Estava a trabalhar numa obra quando tudo aconteceu. “Vi chapas e telhas pelo ar e tudo, galhos de árvores. São coisas que passam rápido. (…) Foram quatro ou cinco segundos e depois ficou tudo calminho”, contou à Lusa.
Perto desta obra está um estábulo de vacas que ficou sem telhado. O proprietário só soube dos estragos momentos depois. Nenhum animal ficou ferido, mas a infraestrutura ficou praticamente destruída.
Segundo a presidente da União das Freguesias, o município de Vinhais já se disponibilizou para ajudar as pessoas afetadas.
À Lusa, o presidente da Câmara de Vinhais, Luís Fernandes, reiterou que estão a fazer o levantamento dos prejuízos e que o município está disponível para ajudar, nomeadamente na reposição de materiais.
Ainda assim, irá reportar a situação à Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes e ao Governo.