Uma nova burla através do MB Way e do Whatsapp que alega transferências de dinheiro ‘por engano’ já está a ser investigada pela Polícia Judiciária.
O esquema fraudulento utiliza o MB Way para enviar quantias entre os 150 e os 200 euros às pessoas. Posteriormente, os remetentes enviam uma mensagem pelo Whatsapp, muitas vezes através de um número diferente do utilizado para fazer a transferência via MB Way, alegando que a movimentação foi fruto de “um engano”. Por fim, pedem que o destinatário devolva o dinheiro para o número do WhatsApp, avança a CNN Portugal.
Esta burla é diferente das ‘normais’, uma vez que não retira dinheiro das contas das pessoas, funcionando antes numa lógica de lavagem de dinheiro. Contas de utilizadores estão a ser usadas como “intermediárias” no circuito do dinheiro, explica a Polícia Judiciária à CNN Portugal. Ou seja, o dinheiro ‘sujo’ entra na conta dos utilizadores do MB Way. Estes, se e quando devolvem o montante ao remetente, restituem-no como ‘dinheiro limpo’. Isto significa que os destinatários, ainda que sem conhecimento, podem estar a ajudar a movimentar dinheiro de origem ilícita.
Na rede social Reddit, trocas de impressões sobre a situação têm vindo a aumentar nas últimas três semanas, com alguns utilizadores na dúvida se terão sido vítimas do esquema e outros a deixar dicas de como proceder caso se suspeite estar a ser visado pela burla.


Questionada pelo Observador, a Polícia Judiciária afirmou não poder “adiantar mais detalhes” por se tratarem “de investigações em curso”. Avançou, no entanto, “que, em 2025, entraram na PJ 264 inquéritos por burla informática com transferência imediata de dinheiro“, especificando que “esses inquéritos dizem respeito a burlas iguais e outras com o mesmo modus operandi“.
O que fazer se receber dinheiro de fonte desconhecida?
Como em qualquer outra situação de burla, há determinados procedimentos de segurança a seguir.
A DECO PROteste alerta os utilizadores da aplicação MB Way para “nunca seguirem instruções de desconhecidos para fazer ou receber pagamentos através do MB Way“. Se suspeitarem estar a ser vítima do esquema fraudulento, os visados não devem devolver o dinheiro, sem antes confirmar a origem de quem o está a pedir.
No seu website oficial, a GNR deixa também algumas recomendações para o caso de se ser alvo de uma tentativa de burla online, como é o caso do MB Way: “Contactar imediatamente a instituição onde tem conta” bancária e participar o caso às autoridades competentes – Guarda Nacional Republicana, Polícia Judiciária, Polícia de Segurança Pública ou Ministério Público”. Podem fazê-lo deslocando-se a um posto próximo ou através do website da queixa eletrónica.
Por fim, aconselha-se também a manter registos (através de capturas de ecrã, por exemplo) das mensagens dos burlões e notificações do MB Way referentes à transferência.
[As testemunhas, os relatórios, as fotos e os vídeos que desvendam como Renato Seabra matou Carlos Castro em Nova Iorque. “Os ficheiros do caso Carlos Castro”, o novo Podcast Plus do Observador, conta os bastidores nunca revelados da investigação a um crime brutal. Uma série em seis episódios, narrada pela atriz Joana Santos, com banda sonora original de Júlio Resende. Pode ouvir o primeiro episódio, aqui, no site do Observador, e também na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube Music]
