O Governo chinês afirmou esta quarta-feira que está “disposto a colaborar” com o Kuomintang (KMT), principal partido da oposição de Taiwan, para “procurar a paz” no Estreito de Taiwan, em plena visita à China da presidente do KMT, Cheng Li-wun.
A porta-voz do Gabinete para os Assuntos de Taiwan do Conselho de Estado (Executivo chinês), Zhu Fenglian, declarou em conferência de imprensa que ambas as partes podem avançar nesse objetivo desde que apoiem o chamado “Consenso de 1992” e se oponham à “independência” de Taiwan.
Esse consenso corresponde a um alegado entendimento alcançado entre o Partido Comunista Chinês (PCC) e o então Governo taiwanês, liderado pelo KMT, segundo o qual ambas as partes reconheciam a existência de “uma só China”, embora divergindo quanto ao significado desse conceito.
“Estamos dispostos, com base política comum na adesão ao ‘Consenso de 1992’ e na oposição à independência de Taiwan, a trabalhar em conjunto com o Kuomintang e com outros partidos, grupos e cidadãos de Taiwan para promover o desenvolvimento pacífico das relações entre os dois lados do estreito”, afirmou Zhu.
A porta-voz reiterou ainda a posição habitual de Pequim de que “as duas margens [do estreito] pertencem a uma só China” e sustentou que os assuntos entre os dois lados são “questões de família” que devem ser resolvidas pelos próprios chineses.
As declarações surgem enquanto Cheng realiza uma visita de seis dias à China, a primeira de um líder em funções do KMT em quase uma década.
A dirigente da oposição visitou esta quarta-feira o mausoléu de Sun Yat-sen, na cidade oriental de Nanjing, uma paragem habitual e de forte carga simbólica nas deslocações de responsáveis do partido à China: Sun foi o fundador do Kuomintang e uma figura central da revolução que pôs fim ao regime imperial na China em 1911.
Está previsto que Cheng se reúna com o Presidente chinês, Xi Jinping, durante a sua estadia em Pequim, no final da visita.
A porta-voz limitou-se a indicar que Pequim atribui “grande importância” à visita de Cheng e que fará “os preparativos adequados” para as atividades da delegação, sem confirmar o encontro com o líder chinês.
O Governo taiwanês, liderado pelo Partido Democrático Progressista (PDP), de orientação soberanista, criticou a visita e instou Cheng a aproveitar a deslocação para exigir a Pequim o fim imediato da pressão militar sobre a ilha.
Antes de partir para a China, Cheng afirmou que a paz com Pequim “não é assim tão difícil, desde que haja vontade”.
A China considera Taiwan, governada autonomamente, como “parte inalienável” do seu território e, embora defenda publicamente a “reunificação pacífica”, não exclui o recurso à força para assumir o controlo da ilha.